Tapas e o poder interno

Tapas é uma das prescrições do código de ética do yôgin. É um termo em Sânscrito, que deriva da raiz tap, que significa calor ou ardor. Designa a auto-superação, num esforço constante do indivíduo para se melhorar em todos os aspectos e circunstâncias. Ao invés de se poder associar a algum tipo de disciplina fundamentalista, é muito mais o hábito de abraçar desafios escolhidos por si mesmo, pondo-se à prova e levando mais longe as suas potencialidades. Além de ser estimulante, é de natureza extremamente criativa.

A metodologia do Yôga, no caminho para a expansão da consciência, pretende aproximar as capacidades humanas do nível da excelência. Muitos são os obstáculos, sobretudo sob a forma de condicionamentos culturais e individuais mais ou menos enraizados, que nos prendem a padrões de comportamento ou de concepção que provavelmente nunca questionámos. Será que os queremos? Será que temos a força suficiente para os mudar se não os quisermos? São questões directamente relacionadas com a liberdade de escolha e a força para vencer obstáculos. Sobre esta última há ainda que medir o que é mais forte, eu ou o obstáculo?

Durante a prática das técnicas de Yôga, observamos que podemos ir cada vez mais além, tal só depende da regularidade da prática e do esforço e aplicação da vontade na sua execução. Ora como nenhuma das técnicas é meramente física, essa aplicação da vontade é também exercida sobre as emoções e a mente, reeducando-as em contínuo. Esse é já um desfio tremendo, mas sendo o Yôga uma filosofia de vida, o desafio maior é fazer exactamente o mesmo exercício na vida diária, fora da sala de prática. Trata-se de aceitar e compreender as suas fraquezas para crescer através delas, manter a mente aberta para escolher o que quer para si, estabelecer os seus próprios limites com base na sua ética e autoconhecimento e até ser capaz de dizer não quando todos os outros dizem que sim, sem recear a opinião alheia.

O conceito de tapas não envolve que o indivíduo se force a coisa alguma, mas antes que adquira a força para se levar até onde quiser.  Requer conhecimento, desenvolve a consciência da liberdade individual e confere segurança interna e um poder cada vez maior sobre si mesmo. É em boa medida o calor ou fogo que tempera o aço da vontade.

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Texto daqui: Ady Estoril

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O Yôga e o corpo

UM POUCO DE HISTÓRIA

 

A proposta deste texto é falar sobre a parte corporal do Yôga, o ásana. O Yôga é uma filosofia de vida que tem como objetivo o autoconhecimento. Para alcançar essa meta, o Yôga dispõe de uma variedade de técnicas que vão desde exercícios com as mãos (mudrás) até meditação (samyama), podemos também citar os respiratórios (pranáyámás), vocalização de sons e ultra-sons (mantras) e a técnica corporal (ásana), a qual iremos abordar. Cada uma dessas técnicas atua em diferentes áreas do ser humano a fim de que ele possa ampliar sua capacidade de auto observação e ganhar mais energia vital para realizar seus objetivos.
O Yôga possui mais de 5000 anos. Surgiu no noroeste da Índia numa região chamada hoje de Vale do Indo. A civilização que habitou esse lugar passou praticamente despercebida pela História e só foi revelada ao mundo no final do século XIX, quando o arqueólogo inglês Alexander Cunningham começou a investigar umas ruÍnas em 1873. Por acaso, ele observou que funcionários de uma ferrovia estavam buscando tijolos em um terreno baldio para calçar os trilhos dos trens. Perguntou de onde eles estavam tirando aqueles tijolos e descobriu uma cidade inteira abaixo da terra. Depois disso, vários outros sítios arqueológicos foram sendo descobertos próximo a essa região, tais como Mohenjo-Dharo, Harrapa, Lothal etc.
Pois foi nessa civilização extremamente avançada, que nasceu o Yôga. Alexander desvendou cidades planejadas com ruas construídas respeitando a direção dos ventos, casas de dois andares para os habitantes e locais de administração pública bastante simples (diferente das construções suntuosas da época como Egito e Mesopotâmia). Haviam grandes banhos públicos onde os habitantes se refrescavam nos dias de calor escaldante. Além disso, os esgotos eram fechados e ainda funcionavam quando ele testou. Encontrou também materiais cirúrgicos avançados, brinquedos de crianças com cabelo implantado, enfim uma civilização que primava pelo bem estar do povo e não apenas dos superiores hierárquicos como acontece até os dias de hoje.
Em Harrapa e Mohenjo Dharo, foram encontrados desenhos de pessoas meditando o que deixou clara a existência do Yôga nesta população.
Essa preocupação com o bem-estar, já mostra uma característica muito importante do ásana.
Quando o yôgin começa a fazer uma posição é muito importante que ele se sinta bem executando-a, pois no Yôga valoriza-se a permanência e é muito difícil permanecer muito tempo se você não está se sentindo bem na posição. Da permanência longa depende a evolução na execução, ganhando-se alongamento, força e flexibilidade e também a ampliação a capacidade de auto-observação já citada como um dos objetivos da prática.
Mencionei também os respiratórios (pránáyámas) que podem ser praticados a parte, em qualquer posição sentada, ou dentro do ásana. A respiração é uma das ferramentas mais importantes do Yôga. Com ela, consegue-se atuar na melhor administração do emocional e na redução do desgaste, seja este físico ou por uma situação de stress. O princípio disso é que assim como o nosso emocional influencia a respiração, podemos fazer o caminho inverso e a partir da respiração também influenciar o emocional. Não significa que você vai parar de sentir ou que nunca ficará cansado, mas o fato é que sempre quando sentimos um stress muito grande ou um cansaço forte o corpo fica se desgastando para se recuperar. Liberando diversas substâncias, nem sempre saudáveis para as células. Essa recuperação poderá ser mais rápida a medida que se controla o processo respiratório. Dentro do ásana a respiração vai contribuir nesses dois sentidos, diminuindo o desgaste físico e permitindo um mergulho maior para dentro de si a medida que se executa a posição.
Além disso, pode-se aplicar vocalizações (mantras), meditações em alguma parte do corpo (samyama) e mentalizações. Tudo isso, amplia a vivência e os efeitos de cada posição.
O QUE AS ANTIGAS ESCRITURAS HINDUS DIZEM DO ÁSANA
Que fique bem claro: não se trata em absoluto de convidar os doutos europeus a praticar Yôga (o que aliás é menos fácil do que dão a entender certos amadores), nem de propor às diversas disciplinas ocidentais que aplique métodos do Yôga ou adotem sua ideologia.
Uma possibilidade que nos parece bem mais fecunda é estudar o mais atentamente possível os resultados obtidos por tais métodos de investigação da psique.
Assim, abre-se ao pesquisador europeu toda uma experiência imemorial referente ao comportamento humano em geral.
Seria imprudência não se tirar proveito disso.
Mircea Eliade, Yôga Imortalidade e liberdade.

Os antigos sábios hindus gostavam de começar suas explanações definindo o que entendiam pelo assunto que iriam abordar. Seguindo seu exemplo, vou começar pela definição de Yôga mais clássica que existe, feita por Pátañjali um importante mestre que viveu na Índia no século III A.C. Pátãnjali tem uma importância muito grande dentro da história desta filosofia pois ele foi o primeiro a escrever um livro falando somente desta prática, o famoso Yôga Sútra. Este livro é escrito em aforismos, frases concisas repletas de conhecimento, começando desta forma.
I – 1 Agora o conhecimento do Yôga
I – 2 Yôga é a supressão da instabilidade da consciência
Então para o Yôga o importante é reduzir todas as formas de instabilidade, sejam elas físicas, emocionais ou mentais para que a consciência em sua forma mais limpa possa ser vislumbrada. Esse processo vai sendo conquistado de diferentes formas, os yôgins aprendem a direcionar sua atenção ora para um som (mantras) ora para a respiração (pránáyáma), ora para uma única imagem (samyama) ou para o corpo (ásana) e neste último ponto que começa o nosso trabalho.
O corpo é portanto, uma importante ferramenta para que o yôga atinja sua meta.
leia o resto aqui: Assim falou De Nardi

Qualidade de vida & alta performance

O Espaço Braga | SwáSthya Yôga oferece aulas regulares e actividades suplementares que visam uma transformação integral no indivíduo nas suas diversas dimensões: física, mental, psíquica e emocional, conduzindo à evolução e ao desenvolvimento pessoal.

Ensinamos técnicas que proporcionam melhor respiração, aumento da capacidade de concentração e de foco, descontracção, boa forma física, permitem gerir melhor o stress e as emoções, estimulam a criatividade e expandem a consciência.

Valorizamos o bom relacionamento humano, a civilidade, a cultura,  a consciência ambiental e a alimentação saudável.

Vem conhecer-nos!