Programa 31 dias de Meditação

 

31 dias meditação 3

Datas:
Inicio a 19 de Abril
Fim a 19 de Maio
Sessões Terças e Sextas às 20h

Destinatários:
– quem nunca praticou meditação ou tem pouca experiência

Programa:
Duas sessões por semana com duração se uma hora. (Inclui algumas noções teóricas, prática de meditação e algum tempo para dúvidas/questões, além de um pequeno caderno com exercícios.)
Pretende-se que nos restantes dias da semana o praticante faça as suas práticas de meditação em casa seguindo as instruções que vão sendo dadas nas sessões semanais.

Teoria:
O que é a meditação
Mitos sobre a Meditação
A natureza da mente

Meditação passo a passo
Estabelecer uma prática diária
Posição física, tempo para praticar, escolher um horário, estabelecer um espaço.
Cultivar a meditação ao longo do dia

Superar os obstáculos
O passado, o presente, o futuro, as memórias, os sonhos.

A importância da estabilidade
Alguns Mestres famosos
Benefícios da meditação
Os vários tipos de Meditação

Informações & Inscrições:
escola@yogabraga.com
938321482 ou 962779039
ou visitando-nos de segunda a sexta, das 11h às 13 e das 15h às 20h

Porquê praticar meditação?

“Se nos observarmos com atenção é fácil vermos que somos uma mistura de luz e de sombra, de qualidades e de defeitos. Um dos principais obstáculos que enfrentamos é uma convicção profunda e muitas vezes inconsciente de que nascemos da forma que somos e não podemos fazer nada para alterar isso. Com esta atitude, subestimamos significativamente a nossa capacidade de mudança.

A nossa mente pode ser a nossa melhor amiga ou a nossa pior inimiga. O objectivo da meditação é transformar a mente. Perdemos uma grande quantidade de tempo consumidos por pensamentos dolorosos, atormentados pela ansiedade ou a raiva. Seria um alívio, se pudéssemos dominar a nossa mente até ao ponto onde poderíamos estar livres dessas emoções perturbadoras.

Facilmente se aceita a noção de que passamos anos a aprender a andar, ler e escrever, ou a adquirir competências profissionais. Passamos horas a praticar exercício físico, com o objectivo de ficarmos em forma. Fazemos isso porque acreditamos que esses esforços nos trazem benefícios a longo prazo. Trabalhar com a mente segue a mesma lógica. Isso não vai acontecer apenas por se desejar. A meditação é uma prática que faz com que seja possível cultivar e desenvolver certas qualidades humanas básicas positivas, da mesma maneira que outras formas de treino tornam possível adquirir qualquer outra competência. O objectivo da meditação não é desligar a mente ou anestesiá-la, mas torná-la livre, lúcida e equilibrada.

Ao longo dos últimos 10 anos, uma série de programas de investigação científica têm sido dirigidos para documentar os efeitos de longo prazo da prática de meditação no cérebro e no comportamento. Esta pesquisa tem demonstrado que é possível fazer progressos significativos no desenvolvimento de qualidades como a atenção, o equilíbrio emocional, o altruísmo e a paz interior. Outros estudos têm demonstrado os benefícios da meditação com uma prática de apenas 20 minutos por dia durante um período de oito semanas. Essas vantagens incluem uma redução na ansiedade e na tendência para a depressão e raiva, bem como o fortalecimento do sistema imunológico e um aumento do bem-estar geral.

Praticar meditação pode permitir que os nossos dias desenvolvam uma nova “fragrância”. Os seus efeitos podem permear a nossa visão e a abordagem das coisas que fazemos, bem como as nossas relações com as pessoas ao redor. A meditação permite-nos experimentar a vida com mais serenidade, estando mais abertos a tudo o que acontece e encarando o futuro com confiança. Essa transformação permite-nos actuar de forma mais eficaz no mundo em que vivemos e contribuir para a construção de uma sociedade mais sábia, altruísta e com mais amor.”

Matthieu Ricard

Matthieu Ricard – Sobre a Meditação

Jean-François Revel – Indo um pouco além das metáforas, que mecanismo é esse exactamente?

Matthieu Ricard – Para o podermos começar a ver em acção, primeiro precisamos de tentar parar o fluxo de pensamentos que nos inunda, ainda que apenas por um instante. Sem prolongarmos pensamentos passados e sem convidarmos pensamentos futuros, simplesmente permanecemos, ainda mesmo que fugazmente, atentos ao momento presente, livres de quaisquer pensamentos discursivos.

Pouco a pouco, conseguimos tornarmo-nos melhores a ficarmos um pouco mais naquele estado de atenção. Enquanto existirem ondas num lago, as suas águas não serão nítidas. Mas se as ondas pararem, a lama desce para o fundo do lago e a nitidez cristalina da água regressa. Da mesma forma, quando os pensamentos discursivos acalmam, a mente torna-se mais clara e é mais fácil descobrirmos a sua verdadeira natureza.

Depois torna-se necessário examinarmos a natureza destes pensamentos discursivos. Para o fazer, podemos até deliberadamente fazer despertar algumas emoções fortes em nós, talvez pensando em alguém que nos magoou, ou ao contrário, em alguém que desperta o nosso desejo. Deixamos essa emoção aparecer no campo da nossa consciência, e depois “tratamo-la” com a nossa percepção interna, alternando entre uma investigação analítica e uma contemplação pura. No início, essa emoção domina-nos e faz-nos obcecar nela. Regressa constantemente. Mas continuemos a examiná-la cuidadosamente. De onde é que ela obtém a sua aparente força? Ela não tem qualquer capacidade intrínseca para magoar, como algumas criaturas de carne e osso. Onde é que ela estava antes de ter aparecido? Quando ela aparece na nossa mente, tem alguma característica – uma localização, uma forma, uma côr? E quando ela deixa o espaço da nossa consciência, vai para algum sítio? Quanto mais a investigamos, mais aquele pensamento que nos parecia tão forte nos escapa; é impossível apanhá-lo ou identificá-lo.

Atingimos um estado de “não encontrado”, em que nos detemos nalguns instantes de contemplação. Isto é o que é normalmente é chamado de: “reconhecer o vazio dos pensamentos”. É um estado de simplicidade interior, de atenção nítida, despida de quaisquer conceitos. Quando entendemos que os pensamentos são apenas uma manifestação desse estado de consciência ou simplicidade interior, eles perdem a sua aparente solidez. Eventualmente, depois de um período extenso de prática persistente, o processo de libertação torna-se natural e assim que novos pensamentos surgem eles dissolvem-se a si mesmos, não mais perturbando ou dominando a nossa mente. Eles passam a demorar tanto tempo a aparecer como a desaparecer, como desenhos feitos na superfície da água com um dedo da nossa mão…

Jean-François Revel – O que me surpreende em toda essa forma de pensar é que tudo é descrito como se a realidade do mundo exterior, as coisas que nós fazemos, os outros seres humanos e o peso da circunstâncias não existissem de todo. Certamente existem momentos em que perigos reais genuinamente nos ameaçam. Ter medo dessas ameaças, ou querer livrarmo-nos delas e portanto ter uma atitude activamente hostil contra a nossa ameaça, quando a nossa vida está em perigo por exemplo, não é algo com que se possa lidar simplesmente gerindo os nossos pensamentos! A resposta correcta é tomar um qualquer tipo de acção exterior.

Matthieu Ricard – Numa dada situação, podemos reagir de várias formas, de acordo com o nosso estado interior. As acções nascem dos nossos pensamentos. Portanto precisamos de aprender a nos  libertarmos das nossas emoções…

Jean-François Revel – Sim, mas esses são casos muito marginais…

Matthieu Ricard – … para depois podermos usar essa mestria da mente no calor do momento. Normalmente usamos a expressão “alguém se controlou a si próprio” ou “perdeu completamente o controlo de si próprio”. Neste caso, o que estamos a discutir é sobre como tornar esse controlo mais total, mais estável, com a ajuda do conhecimento da natureza da nossa mente. Não significa de forma alguma agir de uma maneira apática ou indiferente, enquanto um assassino  mata uma família à frente dos nossos olhos. Significa apenas fazer o mínimo necessária para neutralizar o adversário sem nos deixarmos invadir pelo ódio, ou matando o agressor possuídos por um estado de mente dominado por um sentimento de vingança.

A mestria da mente é por isso fundamental.

Do Livro ” O Monge e o filósofo” de Jean François Revel e Matthieu Ricard

Yôga is...an everyday practice to be your (3)