Os ritmos respiratórios e os estados emocionais

Texto Daniel DeNardi, autor do Blog Assim falou De Nardi

Para quem não sabe, sou professor do Método DeRose e começarei a escrever alguns textos relacionados à prática deste método. Hoje falaremos dos ritmos respiratórios e suas funções.
A nossa respiração sofre grande interferência dos estados emocionais. A ansiedade por exemplo, produz uma respiração mais curta e acelerada, já um estado de serenidade produz uma respiração mais profunda e lenta. É inegável a relação entre padrões respiratórios e estados emocionais ou de consciência. O antigo povo drávida, que criou as técnicas usadas no Método, perceberam que se dominassem a respiração conseguiriam interferir nos estados de consciência e controlar melhor suas emoções.
Deixando as coisas mais práticas, quando por exemplo você exala o ar mais devagar você se recupera mais rápido, seja de um cansaço físico ou um stress emocional. Não é que você vai deixar de sentir cansaço ou mesmo de ter essa sensação emocional, mas o fato é que existe um desgaste tanto para o cansaço físico quanto emocional. Quando sentimos emoções pesadas, como ódio, medo, stress etc internamente liberamos uma grande quantidade de toxinas, que se liberadas em excesso se tornam prejudiciais à nossa saúde. Além disso, fisicamente, quanto mais rápido nos recuperamos de um cansaço, melhor.
Então o simples fato de conseguirmos controlar melhor a saída do ar, tomando consciência do movimento muscular envolvido na respiração e fazendo com que o ar saia mais devagar, podemos reduzir esse desgaste tanto no âmbito físico como emocional.
Os drávidas catalogaram diferentes proporções de ritmos respiratórios para gerar diferentes estados de consciência.
O ritmo é sempre descrito como uma proporção e sempre com a ordem Inspiração – Retenção com Ar – Expiração – Retenção sem ar. Quando escreve-se o número pode-se colocar qualquer valor desde que a proporção seja respeitada. Exemplo, ritmo 1-1-1-0. Você deve inspirar, reter o ar e expirar no mesmo tempo e não fará retenção sem ar. Portanto, se inspirar em 4 segundos vai manter a mesma proporção também nas demais fases que tem o número 1.
Os principais ritmos são:
1-1-1-1 – Nossa respiração é arrítmica por natureza e isso interfere também no fluxo inconstante dos nossos pensamentos. Disciplinar a respiração a manter uma cadência é disciplinar a mente a manter foco. O ritmo é algo que nossa mente não gosta. Ela prefere a distração. Veja por exemplo, quando você começa a batucar uma música. Em sua introdução é mais fácil manter o ritmo. Quando a voz entra entonando a melodia, se você não estiver muito concentrado naquilo irá se atrapalhar e perder a cadência. Concluindo, manter o mesmo tempo para todas as fases contribui para o foco mental e um estado de estabilidade.
1-2-1-2 – Esse ritmo é importante para dar ao corpo mais tempo de assimilação do oxigênio e energia que estão sendo captados na respiração. Dobrar o tempo das retenções produz, na retenção com ar essa assimilação e na retenção sem ar, um tempo para uma maior introspecção, pois é isso que a parada sem ar nos pulmões produz.
1-2-3-0 – Essa proporção amplia a saída do ar dos pulmões e isto como já foi explicado ajuda na recuperação do desgaste. Seja ele físico ou emocional.
1-4-2-0 – Esse é o ritmo mais avançado que existe daqueles que foram catalogados e testados por milhares de anos. Segundo as escrituras que descrevem tais técnicas, esta proporção é associada a estados meditativos e à expansão da consciência.
Respirar é viver, quem respira melhor vive melhor. Respirando com mais consciência você não estará apenas ampliando sua consciência corporal, mas também emocional e do fluxo dos seus pensamentos. Dominar ritmos respiratórios vai totalmente ao encontro desse propósito, pois a mente gosta de diversificação e manter uma cadência respiratória é disciplina-la para mais foco e produtividade.

a tua prática

 

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Mas como é na Índia?

Eu viajei para a Índia durante 24 anos. Frequentei vários tipos de estabelecimentos, desde as escolas até os mosteiros, dos mais sérios aos que já estavam contaminados pelo consumismo ocidental – e percebi as diferenças. Mas, em todos eles, ocorria um mesmo fenômeno. Os alunos hindus entravam na sala de aula com cara normal e roupa normal, muitas vezes praticando de calça e camisa. Os ocidentais, no entanto, pareciam um bando de alucinados que se destacavam dos hindus por serem os únicos a estar vestidos com “roupa indiana”, isto é, o equivalente àquelas camisas hipercoloridas e cheias de flores que os turistas estrangeiros usam no Brasil por acharem que aqui é assim que o povo se veste. Será que os turistas não percebem que nenhum brasileiro está portando aquelas camisas espalhafatosas, ou que nenhum hindu está vestindo a tal de “roupa indiana” (especialmente as famosas “saias indianas”, que nenhuma indiana veste)?

Durante a aula de Yôga, os hindus preservam a fisionomia de pessoas perfeitamente normais, sorriem, interagem com os colegas e com o instrutor, às vezes até fazem gracejos. Os ocidentais, pelo contrário, mantêm-se muito taciturnos, com cara de santo cristão e, às vezes, babam um pouco.

Frequentemente os instrutores que levei em minhas viagens, para conhecer o verdadeiro Yôga da Índia, observaram:

– DeRose, você já percebeu que os ocidentais ficam com cara de malucos quando entram numa sala de Yôga e que os hindus são como nós do SwáSthya e preservam a cara normal?

Pois é. Aí está o x da questão. O ocidental vai à Índia, olha, mas não vê. Ouve, mas não escuta. Tanto que volta falando “ióga”, embora todos lá pronunciem Yôga, com ô fechado. É uma questão de paradigma. O ocidental enfurnou no bestunto que Yôga deveria ser de uma determinada forma. Depois ele viaja para a Índia e não consegue perceber que lá é diferente do clima cristianizado, naturéba, ortoréxico e alternativoide que grassa no Ocidente.

Uma das fantasias é que na Índia – e nas escolas de Yôga desse país – só se coma pão integral, arroz integral, açúcar mascavo e outros modismos ocidentais. Só que não é assim. Nas escolas de Yôga come-se muito bem, desfruta-se uma comida deliciosa, bem temperada e, fora isso, normal. Certa vez, uma pessoa que estava no nosso grupo pediu arroz integral ao garçom do restaurante em Nova Delhi. O empregado trouxe arroz branco. A brasileira mandou voltar e instruiu-o com mais ênfase:

– Olha, meu filho, eu quero arroz integral, compreendeu? Arroz in-te-gral!

O coitado voltou com outra porção de arroz branco. Percebendo que não agradara, explicou:

– Mas o arroz está inteirinho. Eu mesmo ajudei o cozinheiro a catar só os grãos que não estavam quebrados.

Hoje já há alguns estabelecimentos com opções integrais para atender a turistas, assim como já existem escolas de Yôga para satisfazer os devaneios dos que pagam bem para que lhes vendam o que eles querem comprar, ou seja, aquilo que o ocidental pensa que o Yôga é. “Eppur, non è!”

(texto extraído do Blog do Mestre DeRose)

viagens-a-india-dos-yogis

A linguagem corporal molda quem somos

A linguagem corporal influencia o modo como os outros nos vêem, mas pode também mudar a forma como nos vemos a nós próprios. A psicóloga social Amy Cuddy mostra-nos como “adoptar poses de poder” — assumir uma postura confiante, mesmo quando não nos sentimos confiantes — pode afectar os níveis de testosterona e cortisol do nosso cérebro, e pode mesmo ter impacto nas nossas hipóteses de sucesso.

Vida de pipoca

Milho de pipoca que não passa pelo fogo, continua a ser milho para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Há sempre o recurso do remédio: Apagar o fogo! Sem fogo, o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também.

Imagino que a pobre pipoca, fechada, dentro da panela cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou. Vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela. A pipoca não imagina do que é capaz.

Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! Ela aparece em uma forma completamente distinta, algo que ela mesma nunca havia sonhado.

Bem, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. É como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. E triste é o seu destino, uma vez que permanece dura a vida inteira. Vão acabar sozinhas, não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria a ninguém.

Sejamos gratos pelo fogo! Ainda há tempo de sermos pipoca!

Autor: Rubem Alves

grandes-mudanças

No texto acima o escritor Rubem Alves descreveu maravilhosamente o processo de transformação pelo qual os praticantes do Método DeRose passam desde que começam a sua prática.

A parte técnica do Método DeRose, o Yôga Antigo, é uma ferramenta de autoconhecimento e de profunda transformação capaz de levar um ser humano comum ao mais elevado nível de consciência.

O Yôga é um dos pontos de vista do Hinduísmo e o criador mitológico do Yôga foi Shiva, um homem que viveu na antiguidade há mais de 5000 anos na Índia.

Shiva é o nome do criador do Yôga mas ele representa também as forças de renovação da natureza no Hinduísmo. O fogo é seu símbolo, pois os povos antigos perceberam que algumas sementes somente germinavam após um incêndio ter devastado a floresta. O fogo foi então visto como o elemento que destrói o que é antigo para desencadear a mudança e fazer florescer o novo. Na imagem de Shiva Natarája, o fogo aparece na mão esquerda de Shiva e também na forma de um círculo em chamas que envolve toda a figura.

E aos praticantes da Nossa Cultura, que venham as mais belas transformações e mudanças!

Texto do Método DeRose Cambuí

A vida é a Escolha entre Amor e Medo

Na nossa cultura vigente fomos treinados para enxergar as nossas diferenças.

Então você olha para uma pessoa e imediatamente a classifica. Na sequência fazemos perguntas como por exemplo: “O que você faz?”. E com a resposta sabemos em que prateleira colocaremos essa pessoa. Sem no entanto, saber os verdadeiros atributos daquela pessoa, sem saber quem ela é de verdade.

E o que ainda é pior, sem observar as semelhanças que existem.

Existe mesmo essa dicotomia entre eu e você, entre interior e exterior? Ou o indivíduo, o mundo, interior e exterior são uma coisa só.

Saudades…

Uma das maiores dádivas da existência é o tempo, que nos faz mais sábios à medida que passa através de nós. É gostoso imaginar-me imóvel e que os eventos atravessam-me. E na medida em que transpassam meu corpo, vão gastando-o devagar, mas inexoravelmente, e por isso envelheço.

O tempo só existe para quem morre. Para todos nós ele é finito. A consciência da inevitabilidade da morte é apavorante, mas também é um presente, alertando-nos para a importância da qualidade das nossas escolhas.

Afinal as escolhas constroem o nosso destino.

Tenho muitas lembranças, agora. Por isso tenho saudades. Assim, escolhi, já faz algum tempo, perdoar sempre. Não me permito mais preencher meu tempo, tão curto e precioso, com rancor. Só os Deuses podem guardar sentimentos assim, pois são eternos. Para nós, entes finitos, é mais inteligente escolher sentir amor e compaixão. Não de uma forma piegas ou santificada, mas humana, e talvez, canina. Rsrsrs

Olho para a Bíja e desfruto de cada momento que estou com ela.Provavelmente morrerá antes de mim. É tão curta a vida de uma cachorrinha… Aproveitarei todo o tempo que nos resta para amá-la.

Saudades tomam meu coração, hoje em dia, com mais freqüência do que eu gostaria. Não que a vida seja ruim. Em verdade, nunca esteve tão boa. É só que foram tantos os momentos lindos. Tanto amor. Tanto riso. Tantos amigos. E o bacana, é que sempre as lembranças trazem consigo uma trilha sonora, que fica na minha cabeça.

É louco saber que estou me despedindo da vida, bem devagar. Talvez dure mais quarenta anos, mas ainda assim, cada dia, é um dia a menos.

Um amigo me falou, uma vez, que viver é saltar de um precipício. Alguns se jogam, parecendo ansiosos de esborrachar-se no fundo do despenhadeiro. Outros resolvem fazer uma escalada descendente, fazendo muita força. E alguns, descem de pára-quedas, bem devagarzinho.

A gente é quem escolhe.

Professor Joris Marengo
http://blogdojojo.com