Brahmáchárya

De todos os preceitos, brahmáchárya é o menos compreendido e o mais temido pelos ocidentais. Muitas vezes traduzido como celibato, este preceito causa estragos nas mentes e vidas daqueles que interpretam brahmáchárya como um ato necessário de supressão sexual ou sublimação. Todas as tradições espirituais e religiões têm lutado com o dilema de como usar a energia sexual com sabedoria. Praticar brahmáchárya significa que usamos a nossa energia sexual para regenerar a nossa conexão com nosso ser espiritual. Isso também significa que nós não vamos usar essa energia de uma forma que possa prejudicar o outro. Não é preciso ser um génio para reconhecer que manipulando e usando outros sexualmente se cria uma série de maus sentimentos, como a dor, o ciúme, o apego, ressentimento e ódio. Este é um domínio da experiência humana que pode despertar o melhor e o pior nas pessoas, por isso, os antigos yogins faziam um grande esforço para observar e estudar esta forma particular de energia. Pode ser mais fácil de entender brahmáchárya se removermos a designação sexual e olharmos para ela apenas como uma energia. Brahmáchárya significa fundir a energia da pessoa com o todo. Enquanto a comunhão que podemos experimentar através de fazer amor com outro nos dá uma das mais claras experiências desse entrosamento de energias, esta experiência é para ser estendida como uma espécie de celebração omnidimensional de Eros em todos suas formas. Se nós conseguimos isso através do sentir a respiração que acaricia os nossos pulmões, através do orgasmo, ou através do celibato não é importante.

A queda da graça de inúmeros gurus que, embora advertindo os seus devotos para praticar o celibato, foram brutalmente abusados pelo seu próprio poder sexual é motivo para considerar mais profundamente a adequação de tal interpretação. Quando qualquer energia é sublimada ou suprimida, ela tem a tendência a sair pela culatra, expressando-se de forma negadores da vida. Isso não quer dizer que o celibato em si é uma prática doentia. Quando abraçada com alegria a contenção da energia sexual pode ser extremamente auto-nutritiva e revitalizante e, no mínimo, pode proporcionar uma oportunidade para aprender a usar essa energia com sabedoria. Quando o celibato é praticado desta forma, não faz sentido parar  de o fazer. Em última análise, não é uma questão de se usamos a nossa energia sexual, mas de como a usamos.

Ao olhar para o seu próprio relacionamento com a energia sexual, examine se as formas de expressar essa energia o trazem para mais perto ou mais longe do seu eu espiritual.

Tradução livre de um texto da Professora Donna Farhi

Unindo trabalho e vida particular num só rumo

A relação do trabalho com a vida particular é curiosa. A maioria das pessoas trabalha, tem sua vida pessoal, seus momentos de lazer, tudo isso de forma separada, isolando um momento do outro.

– Agora estou trabalhando.

– Agora vou para casa.

– Agora estou me divertindo.

– Agora vou meditar.

– Agora vou transar.

Um modelo de vida que reúna tudo isso, ao mesmo tempo, no mesmo lugar, com as mesmas pessoas, é o ideal?

É possível manter uma disciplina, um estilo, uma filosofia de vida, um trabalho, que seja doação, realização, prosperidade, felicidade, diversão, tesão, educação, transformação e evolução em um só tempo, em um só espaço?

É possível. Mas para isso temos duas barreiras imensas.

O paradigma… E o medo.

O paradigma é o modelo vigente, é o que todo o mundo faz e é como sempre foi feito. É “estude, tire boas notas, consiga um emprego seguro, garanta uma boa aposentadoria, case-se, tenha filhos, compre sua casa própria financiada, uma casa na praia, se possível, um carro novo, e passe suas noites e fins de semana bebendo e assistindo à televisão.”

Nesse paradigma, é quase inconcebível unir trabalho e prazer. No final do expediente você vai para casa, ver a novela das oito, e se um colega ou o chefe ligar para falar de trabalho, você diz “agora não, estou de folga”.

O medo, por sua vez, decorre do paradigma. “Se todo o mundo faz assim, eu não vou ser diferente”. “É muito arriscado, não é seguro”. O medo em si não é um problema. O medo é o que nos mantêm vivos e faz com que não ultrapassemos nossos limites, não nos joguemos na frente de um carro em alta velocidade para ouvir o barulho da freada. O problema é o excesso de medo, é o medo prévio, o medo como trava à evolução pessoal, profissional, afetiva… enfim, humana.

Chegamos mesmo ao cúmulo de ter medo de sentir medo!

Todos esses medos impedem que pequenas mudanças sejam implementadas em nossas vidas, e o somatório dessas pequenas mudanças poderia transformar a nossa existência, passando de um estado de miséria existencial para outro de graça biológica.

Pequenas mudanças comportamentais diárias produzem um efeito acumulativo muitas vezes imperceptível para quem connosco convive, e geram uma espiral ascendente de evolução e autoconhecimento.

E essas mudanças são possíveis!!! Para cada mudança desejada podemos aplicar determinadas técnicas biológicas que produzem metamorfoses internas muito profundas. Podemos afetar nosso sistema emocional com uma simples respiração profunda. Podemos interceder em nossa estrutura fisiológica realizando certos movimentos e permanecendo neles algum tempo. Podemos ampliar a percepção interna e externa mantendo o foco da atenção em um único pensamento.

Não é incrível que tenhamos guardados em nós mesmos um tesouro que pode mudar nossa própria existência, sem depender de nada nem ninguém? Esse tesouro consiste em uma filosofia antiquíssima extremamente completa que pode transformar o mundo.

E a partir disso, nosso cotidiano se transforma, de dentro para fora, e o trabalho se torna um prazer, uma ferramenta evolutiva para transformarmos nossa consciência e o universo que nos rodeia.

Enfim, conseguimos unir trabalho, satisfação, realização, alegria, contribuição social, relacionamento afetivo.

Engraçado, se não me engano unir, em sânscrito se diz como mesmo?

Ah, lembrei, uma palavrinha: Yôga.

Texto do Instrutor Rodrigo DeBona