Tolerância

“Quando conhecemos pouca coisa, o pouco que conhecemos parece-nos verdade insofismável. À medida que vamos ampliando nossos horizontes, percebemos o quão enorme é a nossa ignorância e isso nos torna mais tolerantes” – DeRose

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Fonte: http://ryotiras.com/

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O velho sábio

“Certa manhã, fui tirar leite da nossa búfalo que pastava solta perto das margens do rio. Caminhando pelo campo com os pés descalços na relva molhada pelo orvalho da noite, tão absorvido estava que passei pelo animal e segui em frente. Pouco adiante, encontrei um velho sábio sentado olhando para as águas que seguiam, sempre iguais, montanha abaixo. Cumprimentei-o e perguntei o que estava observando. O ancião me disse que estava observando seus pensamentos. Sentei-me ao seu lado e, como uma criança, sem nada questionar, comecei a fazer o mesmo. Passaram-se várias horas e lá estávamos os dois, lado a lado, sem dizer palavra, porém entendendo-nos perfeitamente bem.

Até que, em dado momento, o ancião virou-se para mim e começou a falar.

– O que observou?
– Meus pensamentos.
– Gostou?
– Sim.
– De que natureza eram?
– De todos os tipos. Pensei nas águas obedientes, que seguem fazendo as ondas no mesmo lugar, apesar de serem sempre outras. Depois pensei na nossa vida, que também é assim. Somos sempre outras e outras pessoas a nascer, crescer, trabalhar, casar… mas seguimos fazendo as mesmas coisas, sem que ninguém nos obrigue a isso. Daí, pensei nas nossas ovelhas, cabras e vacas, que também seguem fazendo as mesmas coisas desde que nascem até que morrem. E seus descendentes, continuam fazendo as mesmas coisas. Qual o sentido disso tudo?
– Você se fez essa pergunta?
– Fiz.
– E qual foi a resposta?
– Não obtive resposta, pois meu pensamento seguiu os pássaros e mudou continuamente. Mas gostei da experiência.
– Então, volte amanhã e vamos contemplar o rio juntos outra vez.

Assim o fiz. Durante muito tempo retornei e sentei-me ao lado do ancião. Era uma relação de amor. Desde a primeira vez que o vi, senti um carinho arrebatador por aquele Mestre. Olhava-o com admiração gratuita, pois ainda não o conhecia suficientemente bem. Não sabia o universo de sapiência que ele tinha para me transmitir. Era, simplesmente, amor desinteressado, à primeira vista.

Quase sempre ficamos calados por muito tempo. Geralmente, no final ele me fazia algumas perguntas. Depois de uns quantos meses notei que suas perguntas eram o que me permitia tomar consciência de quão profundo havia ido na viagem interior.”

DeRose, em Eu me lembro

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O sol

Conheça um pedacinho do livro Eu me lembro… do Professor DeRose, que narra uma cultura naturalista, uma sociedade matriarcal e sensorial. Um mundo sem disputas, onde o amor e espontaneidade são vividos em sua forma mais pura.

“Quando o sol se punha, todos parávamos o que estivéssemos fazendo e ficávamos em pequenos agrupamentos observando o crepúsculo. As famílias se reuniam, as crianças se encarapitavam nos ombros dos mais velhos ou no colo dos pais. Os casais se acolhiam e acariciavam.

Essa era a “hora de fazer as pazes”, se alguém ainda estava ressentido com alguma coisa; era também a hora da recitar poesias, quase sempre compostas de improviso, ali mesmo. Sempre foi muito fácil para o nosso povo compor poemas de amor, ao pôr-do-sol, pois os rostos ficavam docemente iluminados pelo alaranjado do sol poente.

Não tínhamos noção do que era aquele disco luminoso no céu, mas sabíamos que era lindo e que devíamos a ele a nossa vida, a luz que nos iluminava, o calor que nos aquecia no inverno. Não imaginávamos que fosse alguma divindade e sim um fenômeno natural como o raio, o trovão ou a chuva, e o reverenciávamos com um grande respeito e afeto.”

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Meditação VIII

 Medite na mensagem ” O Templo da paz está dentro de ti”. 

O Templo da Paz está dentro de ti. De nada adianta buscá-lo lá fora. Em teu coração jaz o recanto somente acessível a ti próprio e ao qual ninguém poderá penetrar. O nome desse Templo é Anáhata e ele constitui o teu refúgio indestrutível. A ele deves recolher tua mente pela manhã e à noite, a fim de manter o caminho aberto e livre de erva daninha. Nele deves penetrar em busca de ti próprio duas vezes por dia para cuidar do asseio de teu Templo Interior.

Imagina que tão logo cerres os olhos, teu coração se torna luminoso como um Sol e nele penetra a tua consciência, como se fora o recinto de um Templo material. Visualiza um aposento acolhedor e suave, banhado numa luz azul celeste diáfana e numa temperatura amena. A Harmonia das Esferas se faz ouvir na forma de melodia tranqüila e celestial. Coloca ao Oriente uma chama votiva na qual hás de incinerar teus momentos de amargura em holocausto de tolerância à Chispa Divina que habita em ti.

DeRose

Sádhana

Venha! Embarque e usufrua ao máximo de tudo de bom que a principal ferramenta do Swásthya Yôga  pode trazer à sua existência.

Encontre o melhor lugar para desenvolver a sua prática. Crie disponibilidade interior para essa vivência e sintonize. Sinta brotar de suas mãos, através do gesto reflexológico que executa, o acolhimento dessa filosofia milenar. Permita-se a receber, por cada poro do seu corpo, qualidade de vida e bem-estar.
Agora, expanda essa vitalidade e vontade, transmitindo-as ao local que o(a) acolhe, ao grupo com o qual partilha essa experiência, ao instrutor que ministra a prática e a todos os mestres e discípulos que permitiram que os ensinamentos dessa cultura ancestral chegassem até você. Sinta-se grato pelas pessoas que você tem junto de si e pela vivência que experimenta. Seja grato e alegre pela Vida, em si.
Exteriorize essa alegria por meio da vocalização de sons e ultra-sons que visam a desobstruir os meridianos por onde circula a energia vital em seu organismo. Interiorize-se com a vocalização do som universal mais poderoso: ÔM.
Agora, sinta o oxigénio fluir por suas narinas. Estabilize sua respiração com um ritmo coordenado, transformando-a numa dança fluida que percorre cada célula do seu ser, sob a forma de estrelas de energia que potencializam a vitalidade de cada partícula que forma você. Observe, a esta altura, as subtis alterações em sua frequência cardíaca e em seus estados de consciência.
Execute com a devida consciência a purificação das mucosas, percebendo como é possível sentir, de dentro para fora, o trabalho de limpeza que se processa em você. 
 Que tal? Sente-se bem? Pois isso é só o início.
Trabalhe agora seus corpos físicos, mental e emocionais através da técnica orgânica. Sinta os vórtices de energia que se interconectam por meio de linhas de força que existem em seu corpo, mentalizando que cada músculo, artéria e tendão são seus cúmplices nos objectivos que o seu corpo se propõe atingir. Após tomar consciência da satisfação proporcionada por cada conquista sua, supere-se, dando o seu melhor (não só no sádhana, mas também e principalmente na vida).
Maravilha! Agora, descontraia e deixe que o corpo assimile, até na intimidade das suas células, tudo aquilo que, depois de filtrado, pretende guardar consigo.
Por fim, aquiete a sua mente, estabilize a sua consciência, e sinta desabrochar a sua flor de lótus. Uma flor cujas pétalas expandem auto-suficiência, saúde, bem-estar, conforto e satisfação. 
 Abra os olhos, sorria para a vida e lance as suas pétalas em direcção ao sol.
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Boa Viagem!
 SwáSthya!
Cláudia Dutra – Sádhaka da Unidade Savassi – Belo Horizonte

A revolução silenciosa

Hoje partilhamos um texto do Prof. Joris Marengo

Significado superlativo do termo Yôga

A palavra Yôga é um termo sânscrito, uma língua morta como o latim. É importante ressaltar que os indianos pouco conhecem o sânscrito, assim como os italianos não sabem nada da sua língua mater. O vocábulo tem como radical a palavra yug, que significa unir:

Esta união se faz em três níveis:

Consigo mesmo: existe uma unidade, uma cola, que integra corpo, mente e emoções, mas que devido ao modelo de educação, crenças e paradigmas que assimilamos, não é percebida.O Yôga desvela a unidade entre esses vários aspectos que constituem o ser humano. Com o decorrer da prática, ele produz uma potencialização da interconectividade dos três aspectos acima no praticante. Esta amplificação psicofísica é mais bem percebida pelas pessoas que convivem com ele, do que pelo próprio. Afloram habilidades naturais, porém incomuns. Ou seja, faz parte do acervo de características humanas, mas a maioria de nós não estimula o seu florescimento: reflexos físicos e mentais muito mais rápidos, a intuição, aumento da capacidade imunológica, potentíssima concentração, disciplina natural dos instintos e outras mais.

Com os demais seres vivos: a cola que surge pela prática, dissolve e remodela visões padronizadas da realidade e suas interpretações. Com isso, o yôgin, que é como se denomina o praticante, escolhe novos paradigmas, mais inteligentes, influenciados por um código de ética milenar. Ao reconstruir a maneira de relacionar-se com os estímulos vindos do exterior e a forma de como eles interferem e modificam a sua vida interior, emocional e mental, o yôginacessa novos canais de conectividade com os seres humanos, mamíferos e outros milhares de formas de vida que coabitam conosco o mesmo planeta. É fundamental alertar que estas percepções não têm nenhuma conotação mística. São fenômenos neurológicos absolutamente naturais, acessíveis a qualquer um que pratique um Yôga autêntico, decorrente das alterações neuro-químio-psico-fisológicas promovidas pela práxis disciplinada.

Com o universo: a continuidade da prática acaba por produzir uma expansão desta percepção de unidade, da cola, incluindo o praticante, a realidade que o cerca, objetiva e subjetiva e finalmente, uma experiência neurológica de expansão da consciência denominada pelos yôgis de samádhi ou hiperconsciência, definido como o mais elevado estado de autoconhecimento possível aos macacos nús.

Um escalonamento da consciência

O que é a consciência? Nada melhor do que olhar o que o dicionário Houaiss tem para nos dizer sobre o significado da palavra: “faculdade por meio da qual o ser humano se apercebe daquilo que se passa dentro dele ou em seu exterior; a capacidade de conhecer a si mesmo de modo imediato e integral, estabelecendo dessa maneira uma evidência irrefutável de sua própria existência e, por extensão, da realidade do mundo exterior”.

A consciência, conforme definida acima, só é experimentada pelo mamífero humano. Porém, o seu surgimento na nossa espécie ainda é fonte de especulação. No seu delicioso livro O Gene Egoísta, o autor Richard Dawkins faz uma reflexão no mínimo curiosa: “ … a evolução na capacidade de simular parece ter culminado na consciência subjetiva. Porque isso aconteceu é para mim o mais profundo mistério com o qual se defronta a Biologia moderna…. Talvez a consciência se origine quando a simulação que o cérebro humano faz do mundo se torna tão complexa que precisa incluir um modelo de si mesma…”.

O Yôga há milênios escalonou a consciência em:

  • Hiper ou megaconsciência, que compõe o mais refinado, potente e expandido estado de percepção já experimentado por qualquer ser vivo. É a meta, a aspiração de todo yôgin;
  • Supraconsciência, meditação ou intuição linear, que proporciona ao yôgin, insightscom dimensão, provocados pelo fenômeno da supressão dos pensamentos;
  • Mental, composto pelos recursos da memória, raciocínio, capacidade de julgamento, associações de idéias e palavra, característicos do macaco humano;
  • Emocional, estado de consciência típico dos demais mamíferos e que ainda domina a cena comportamental do Homem. Poderíamos dizer que somos um animal residualmente instintivo, intensamente emotivo e primitivamente mental. A prática do Sistema DeRose altera para além do mental estas concentrações consciênciais, conduzindo o macaco predador para muito acolá dos patamares da normalidade condicionada.
  • Físico, que abarca toda a realidade tangível, auditiva, visível, gustativa e olfativa, ou seja, o patamar material, denso e sensitivo.

Nossa intenção, ao apresentar este escalonamento, não é o de induzir o Leitorcrer nesta disposição consciencial, mas tão somente o de lhe oferecer uma opção evolutiva puramente biológica e que lhe oportunizará agregar novas habilidades competitivas, como por exemplo, a intuição.

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Leia outros artigos do autor aqui: Blog do JoJó

Ego: eliminá-lo ou educá-lo?

Hoje partilhamos um  texto do Mestre DeRose  muito esclarecedor a respeito de como lidamos com o Ego.

Quando alguém nos desagrada, a atitude mais primária é querer livrar-nos da pessoa, ao invés de administrar o relacionamento e torná-lo produtivo. Quando um animal é indomável, a solução primitiva é castrá-lo. Assim fazem os Vêdánta-Brahmácháryas com o ego.
Nossa estirpe, 4.000 anos mais antiga, tem outra opinião. Nós entendemos que o ego é uma ferramenta importante do ente humano. Não queremos acabar com o ego, ao contrário, nosso método de trabalho atua no sentido de reforçar o ego para poder utilizar sua colossal força de realização.
Sem ego não há criatividade, combatividade, arte ou beleza. E mais: a maioria dos que declaram que o ego é isto, que o ego é aquilo, são hipócritas porque manifestam muito mais ego que os outros; frustrados por não conseguir eliminá-lo; ou mal intencionados por utilizar esse argumento para manipular seus seguidores.
Anular o ego seria como castrar um animal de montaria e depois utilizá-lo, caminhando cabisbaixo, sem libido. Trabalhar o ego equivale a domar e montar um cavalo andaluz inteiro, fogoso, orgulhoso, com sua cabeça erguida e suas passadas viris. Você é o Púrusha, sua montaria é o ego. Você prefere montar um pangaré derrotado ou um elegante garanhão?
Castrar o ego seria fácil demais. Domá-lo, isso sim é uma empreitada que requer coragem e muita disciplina. Eliminar o ego corresponde à covardia e fuga perante o perigo. Adestrá-lo denota coragem e disposição para a luta.
O SwáSthya  quer que você não seja castrado. O SwáSthya reforça sua libido e o seu ego. Em seguida, canaliza essa força resultante para fins construtivos. Ter ego não é o problema. Tê-lo deseducado, selvagem, incivilizado, criador de casos e de conflitos com as outras pessoas, esse é o grande inconveniente. Basta não nos esquecermos de que devemos mandar nele e não o contrário.
Portanto, no lugar de envidar esforços para destruir, vamos investir em algo construtivo. Nada de destruir o ego. Vamos cultivá-lo, com disciplina e a noção realista de que precisamos dele para a nossa realização pessoal, profissional e evolutiva.
Já está na hora de sabermos converter energias negativas em positivas, como no quadro abaixo:
POSITIVO (utilize:) NEGATIVO (no lugar de:)
Amor Paixão
Zelo Ciúme
Erotismo Luxúria
Raiva Ódio
Orgulho Vaidade
Ambição Cobiça
Admiração Inveja
Precaução Medo
Agressividade Violência
Sinceridade Franqueza (crudeza)
Prosperidade Opulência
Diplomacia Hipocrisia
Liberdade Anarquia
Disciplina Repressão
Sugestão Crítica
Colaboração Reclamação
Sim, a coluna da esquerda apresenta alguns sentimentos que nossa cultura judaico-cristã considera depreciativamente. Contudo, a  raiva constrói. A  agressividade educada conduz à vitória. Dessa forma, eliminando o ego, o erotismo, a raiva, o orgulho, a ambição, a agressividade, todos os tratores do sucesso são igualmente eliminados.
No SwáSthya não queremos lidar com fracassados. Queremos gente forte, com um ego poderoso, mas educado.
Este texto foi retirado do livro Origens do Yôga Antigo, DeRose, Afrotamento