Desapego

Uma frase sobre desapego me veio à cabeça recentemente, dita há muito tempo pelo Daniel DeNardi, instrutor do Método DeRose e editor do excelente blog Assim falou DeNardi. Não me lembro com exatidão as suas palavras, mas foi algo mais ou menos assim: a felicidade não está no amanhã ou no ontem, está no aqui e agora, dentro de você.

Está idéia vinha martelando até que folheando o Yôga Sútra de Pátañjalí, com a tradução do escritor DeRose, deparei-me com a seguinte frase:

“Quando se observa a não possessividade, compreende-se o sentido da vida.”

Ler isso me fez refletir bastante sobre o meu comportamento e obtive o seguinte entendimento.

Temos uma tendência a projetar a nossa felicidade sobre mudanças, objetos, pessoas, etc… Sempre ouvimos algo como: quando eu tiver aquele emprego, quando eu conquistar aquela garota, quando eu comprar aquele apartamento, e por aí vai; mas cada uma dessas coisas vão chegando e novamente a felicidade é lançada a frente. Assim, sem perceber, vamos nos tornando apegados a tudo.

Exercer o desapego é ser feliz por si só. Devemos, é claro, sempre desejar a melhoria, querer um bom apartamento, um bom relacionamento e tudo mais, mas sabendo que a sua felicidade não depende disso. Depende apenas de você querer ou não ser feliz…

Por isso, seja feliz! Pelo menos foi isso que eu escolhi para ser o meu atual sentido da vida.

desapego

Texto do Instrutor Marcelo Hirota do Método DeRose Vila Madalena

Coreografia

Coreografia da Instrutora Adélia Loureiro – Método DeRose
Lançamento do livro Mensagens com o escritor DeRose, no dia 10 de Novembro 2012, no centro empresarial Lionesa, no Porto

A coreografia é uma forma de execução muito ancestral. Consiste numa prática contínua, principalmente de técnicas orgânicas e gestos, que dá fundamental importância às passagens entre as técnicas.

Mantenha-se focado

Imagine uma pessoa que quisesse achar água e ficasse dispersando tempo e trabalho a cavar vários poços ao mesmo tempo ao invés de se concentrar num só. A cada buraquinho recém começado, interrompesse para ir cavar outro e depois voltasse para o primeiro; trocasse de novo para experimentar um terceiro e assim sucessivamente. Após perder muito tempo e desperdiçar muito trabalho, provavelmente abandonaria todas as tentativas, desanimado, declarando que definitivamente não adianta cavar, pois supõe que nenhum deles dará água. Contudo, é provável que todos dessem água (de diferentes qualidades e com diferentes profundidades), desde que o inconstante tivesse se concentrado num só poço.

Do livro “Tratado de Yôga”, DeRose, Afrontamento

Ego: eliminá-lo ou educá-lo?

Hoje partilhamos um  texto do Mestre DeRose  muito esclarecedor a respeito de como lidamos com o Ego.

Quando alguém nos desagrada, a atitude mais primária é querer livrar-nos da pessoa, ao invés de administrar o relacionamento e torná-lo produtivo. Quando um animal é indomável, a solução primitiva é castrá-lo. Assim fazem os Vêdánta-Brahmácháryas com o ego.
Nossa estirpe, 4.000 anos mais antiga, tem outra opinião. Nós entendemos que o ego é uma ferramenta importante do ente humano. Não queremos acabar com o ego, ao contrário, nosso método de trabalho atua no sentido de reforçar o ego para poder utilizar sua colossal força de realização.
Sem ego não há criatividade, combatividade, arte ou beleza. E mais: a maioria dos que declaram que o ego é isto, que o ego é aquilo, são hipócritas porque manifestam muito mais ego que os outros; frustrados por não conseguir eliminá-lo; ou mal intencionados por utilizar esse argumento para manipular seus seguidores.
Anular o ego seria como castrar um animal de montaria e depois utilizá-lo, caminhando cabisbaixo, sem libido. Trabalhar o ego equivale a domar e montar um cavalo andaluz inteiro, fogoso, orgulhoso, com sua cabeça erguida e suas passadas viris. Você é o Púrusha, sua montaria é o ego. Você prefere montar um pangaré derrotado ou um elegante garanhão?
Castrar o ego seria fácil demais. Domá-lo, isso sim é uma empreitada que requer coragem e muita disciplina. Eliminar o ego corresponde à covardia e fuga perante o perigo. Adestrá-lo denota coragem e disposição para a luta.
O SwáSthya  quer que você não seja castrado. O SwáSthya reforça sua libido e o seu ego. Em seguida, canaliza essa força resultante para fins construtivos. Ter ego não é o problema. Tê-lo deseducado, selvagem, incivilizado, criador de casos e de conflitos com as outras pessoas, esse é o grande inconveniente. Basta não nos esquecermos de que devemos mandar nele e não o contrário.
Portanto, no lugar de envidar esforços para destruir, vamos investir em algo construtivo. Nada de destruir o ego. Vamos cultivá-lo, com disciplina e a noção realista de que precisamos dele para a nossa realização pessoal, profissional e evolutiva.
Já está na hora de sabermos converter energias negativas em positivas, como no quadro abaixo:
POSITIVO (utilize:) NEGATIVO (no lugar de:)
Amor Paixão
Zelo Ciúme
Erotismo Luxúria
Raiva Ódio
Orgulho Vaidade
Ambição Cobiça
Admiração Inveja
Precaução Medo
Agressividade Violência
Sinceridade Franqueza (crudeza)
Prosperidade Opulência
Diplomacia Hipocrisia
Liberdade Anarquia
Disciplina Repressão
Sugestão Crítica
Colaboração Reclamação
Sim, a coluna da esquerda apresenta alguns sentimentos que nossa cultura judaico-cristã considera depreciativamente. Contudo, a  raiva constrói. A  agressividade educada conduz à vitória. Dessa forma, eliminando o ego, o erotismo, a raiva, o orgulho, a ambição, a agressividade, todos os tratores do sucesso são igualmente eliminados.
No SwáSthya não queremos lidar com fracassados. Queremos gente forte, com um ego poderoso, mas educado.
Este texto foi retirado do livro Origens do Yôga Antigo, DeRose, Afrotamento