Ásana – a técnica corporal do Yôga

Quando observamos fotos de ásanas, vemos corpos que se moldam em formas generosas, flexibilidade extraordinária, uma força incrível e que às vezes parece desafiar a gravidade. Quando estudamos um pouco de teoria percebemos que esses ásanas têm nomes em sânscrito, que nos parecem tão difíceis de pronunciar como a sua execução. Muitas vezes os novatos afastam qualquer hipótese de beneficiar da prática do Yôga, por não estabelecerem qualquer hipótese de aproximação entre o seu corpo real e os corpos que vêm nas fotos. No entanto, nós instrutores, sabemos que qualquer corpo, qualquer constituição, desde que em boas condições de saúde, pode beneficiar da prática de Yôga, e em particular da prática de ásana.

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A prática do ásana é ferramenta fundamental para o individuo contemporâneo encontrar um caminho de se conectar com o seu corpo e com o seu Ser.

A diferença entre a prática de ásana e o exercício físico é de que na execução de um ásana a atenção da mente é dirigida exclusivamente para dentro do corpo. Durante um ásana procuramos explorar a atitude interior, que é composta por localização da consciência, mentalização e bháva, além de uma profunda atenção sobre a respiração.

Consequentemente, ao fim de algum tempo de prática, unimos mente e corpo o que nos leva a uma sensação mais completa de quem somos. A execução perfeita do ásana em si, não é o último objectivo, mas sim a exploração do território interior do corpo. Então a prática das técnicas corporais torna-se um longo caminho de descoberta interior.

E é por isso que na Casa do Yôga, além das aulas regulares oferecemos aos nossos alunos um conjunto da actividades que potenciam o desenvolvimento de cada praticante nas técnicas corporais (treino de força e flexibilidade, treino de força para musculares, treino para desenvolvimento abdominal e lombar, treino para flexibilidade de pernas e ancas etc.), para que cada um possa explorar profundamente o seu corpo e através dele o seu potencial interior.

As nossas actividades: Treino de força & flexibilidade

Cada técnica corporal conta-nos uma história de superação dos nossos limites, dos nossos medos e de ganho de conhecimento sobre o nosso corpo e mente. A cada prática somos levados a perceber o que está a acontecer no agora, e até que ponto temos controle sobre isso. O equilíbrio consiste em transformar o que está ao nosso alcance e aceitar o que não podemos mudar.

Todas as sextas, às 19h, Treino de força & flexibilidade na Casa do Yôga

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Alongamento, flexibilidade e musculação

Flexibilidade x Musculação

É verdade que quanto mais musculado, com menos flexibilidade você fica? Isso é apenas uma meia verdade.

Primeiro, vamos entender o que é a flexibilidade. Muita gente confunde alongamento muscular com flexibilidade. Ocorre que esta compreende uma série de fatores dos quais os músculos são só uma parte.

É geralmente aceito que o músculo muito alongado perde em força e que o músculo muito forte perde em alongamento. Contudo, se você souber trabalhar o seu corpo, vai obter músculos fortes e bem alongados, simultaneamente. Um bom exemplo disso é a ginástica olímpica.

O Yôga possui uma divisão de técnicas que desenvolvem a musculatura de forma extremamente harmoniosa, conferindo domínio até de músculos considerados involuntários, o que contribui para uma performance superior em qualquer desporto, dança ou luta. E ainda garante uma proverbial flexibilidade articular e muscular, obtidas mediante a eliminação de tensões localizadas, a conscientização de grupos musculares e as permanências maiores no ponto culminante de solicitação.

Se você não quiser experimentar o Yôga por ter alguma espécie de preconceito, lembre-se de que muitos desportistas não estão tendo reserva alguma e vieram aliar o Yôga ao desporto. Então, mesmo que você não pratique Yôga, terá a oportunidade de confirmar a superioridade de quem pratica…ao competir com ele!

Alongamento muscular

Sabe-se que o alongamento ou streching é, nada mais, nada menos, que um segmento do Yôga denominado ásana (pronuncia-se ássana). Por isso, quem detém o melhor know-how de alongamento são os Instrutores de Yôga.

Desenvolvemos no Yôga um método de alongamento a frio que é muito mais eficiente a ainda nos garante duas coisas com as quais todo o desportista sonha:

1. proteção quase infalível contra distenções (mesmo praticando despoto sem o aquecimento prévio);

2. o desportista não sai de forma quando precisa interromper os treinos (dependendo do desporto, pode manter o atleta relativamente em forma até durante anos sem treinar).

Graças ao perfeito domínio técnico deste know-how, temos treinado muitos desportistas, dançarinos e lutadores, com resultados bastante animadores. Se você quiser conhecer o método ou se você não acredita que funcione, aceite o convite de vir praticar um pouco de Yôga e dê adeus ao fantasma da distensão…

Existe sensação melhor do que olhar-se no espelho e gostar do que se vê?

Por Daniel De Nardi

Estar bem com seu corpo é estar bem consigo mesmo. Por isto, a constatação de que tudo está ótimo gera tanto prazer. Mas chegar a este estágio não é tão simples quanto prometem aquelas dietas de 7 dias que são vendidas na TV. A boa relação com nosso corpo é algo que envolve diferentes aspectos do nosso comportamento que vão desde a alimentação até uma boa administração do nosso emocional.

Os antigos sábios hindus sabiam que tudo o que sentimos reflete-se no corpo. Se há ansiedade, esta sensação invariavelmente tornar-se-á visível, seja por uma aceleração cardíaca ou por um simples tamborilar incessante, ou ainda – Quem já não sentiu as costas travarem após uma discussão?

Sendo assim eles criaram um conjunto de técnicas orgânicas chamado de ásana e que hoje faz parte do Método DeRose. O ásana amplia a auto-observação do praticante para que ele possa a partir de uma percepção mais profunda do seu corpo aprimorar também o seu emocional. Faz-se o caminho inverso, no qual, uma vez que o corpo tenha sido afetado pelo emocional utiliza-se a consciência corporal para dissolver as emoções mais densas.

Todos nós devemos observar mais nosso corpo, tanto externa quanto internamente e procurar aprender cada vez mais com os sinais que este perfeito sistema envia o tempo todo para nós. De uma estreita relação com o corpo e com as sensações nele geradas depende a quantidade e qualidade da nossa vida.

Ásana, tensão muscular e energia viva

Ao praticarmos ásana, os procedimentos orgânicos do Yôga, este nos desvela o quadro completo dos nossos limites musculares e articulares.

Muitos de nós, principalmente quando iniciantes, nos assustamos com as limitações reveladas.

Daí a importância de refletirmos um pouco sobre as tensões, suas origens, desenvolvimento e reeducação.

O fenómeno da tensão muscular

Os músculos têm uma grande capacidade contrátil. Todo e qualquer estímulo captado pelos sentidos (visão, audição, tato, olfato e gustação) sempre produzem uma reação contrátil na musculatura. Quando interpretamos este sinal como uma ameaça à nossa integridade, seja ela imaginária ou real, nossa rede muscular se retrai, construindo um escudo defensivo com o intuito de diminuir o impacto da intimidação sobre as áreas vitais.

Uma vez que a ameaça deixe de existir, os músculos retornam ao seu ponto de repouso, contração parcial ou tônus muscular que é a situação ideal em que o músculo permanece para iniciar uma contração imediatamente depois de receber um sinal dos centros nervosos. Em uma condição de relaxamento completo (sem tônus), o músculo levaria muito tempo para reagir ao estímulo, colocando em risco a vida.

Porém, quando um determinado ameaço se repete por um longo tempo (meses ou anos), como medida preventiva e defensiva, o tônus muscular aumenta, deformando-se, deixando os feixes e fibras retraídos, endurecidos e os músculos perdem a capacidade de retornar ao nível de repouso ou contração parcial.

Desta forma, deterioramos nossa flexibilidade, o suprimento sangüíneo para os músculos, os reflexos, a percepção sensorial, aumentando o acúmulo de produtos tóxicos nas células e predispondo a rede muscular à fadiga e a dor.

A origem das ameaças

A enorme maioria das tensões musculares crônicas tem sua origem no medo, emoção básica, instintiva e vital na evolução dos mamíferos. É um sentimento que tem como função fazer uma leitura do ambiente em que o ser vivo encontra-se, buscando identificar ameaças reais ou imaginárias.

No Homem, esta emoção é cultivada e treinada através da educação, sistema desenvolvido pelo Homo Sappiens para condicionar e aprimorar seus filhotes as regras e normas.

Existem pessoas que se sentem permanentemente acuadas, em oposição a outras que expressam confiança e coragem. Muitos fatores influenciam neste comportamento: época, local, valores familiares, etnia etc. além de aspectos genéticos.

O importante é que estes aspectos moldam a maneira como cada um de nós interpreta os eventos do cotidiano. Se os vemos como ameaças, estaremos mais contraídos. Se os entendemos apenas como parte do nosso treinamento pelo aprimoramento contínuo, nos sentiremos mais descontraídos.

Ao fim e ao cabo, o que vale não é a realidade, mas como cada um de nós a entende.

O custo energético das tensões musculares

Músculos com hipertonia (contração muscular) exigem uma demanda continuada de energia para manterem-se retraídos. Nada mais é do que energia mal canalizada. Ela permanece contida, estagnada e direcionada para a manutenção de um escudo ou couraça muscular, com o objetivo de defender-nos. O mais trágico é que 90% das ameaças existem apenas no nosso imaginário, sem encontrar ressonância na realidade objetiva.

Como nossa energia é finita, nos sentimos continuamente fatigados e com uma sensação perene de impotência física, emocional e mental.

Acumulamos anos de vida com o foco voltado exclusivamente para o trabalho, a necessidade de reconhecimento, segurança e conforto. São décadas de um life-style com tendência para a ansiedade, a dispersão e a falta de comunicação intra-corporal.  Como conseqüência deste modelo, nossos músculos intercostais, extensores da coluna vertebral, os músculos anteriores e posteriores das coxas, da nuca, costas, faces, braços e outros, sem distinção, sentem uma falta crônica de repouso, de uma tonicidade saudável, descontraída e confortável. Este quadro afeta a respiração, a flexibilidade, a concentração, o sono, o humor, conduzindo-nos para uma vida de baixa qualidade, sem percepção de valor e prioridade.

O ásana e o conceito de energia viva

Mas apesar deste quadro desanimador, padronizado e consumido pela maioria da população, existe luz no fim do túnel: o ásana, procedimento orgânico e parte integrante dos componentes técnicos do nosso Método.

Também é definido como técnica psicofísica, pelo aporte mental incluído na performance dos mais de 2000 ásanas sistematizados pelo Sistema de reeducação integral. O desempenho físico é apenas a porta de entrada da efetivação do exercício. Uma vez que o corpo ajuste-se a posição, inicia-se a verdadeira prática, através da aplicação da localização da consciência, respiração coordenada e mentalizações.

Alem de todas estas, uma das características mais marcantes do ásana é a permanência, em oposição ao modelo ocidental de fazer-se movimentos corporais com repetição.

Quando o praticante permanece no ásana, este atua profundamente sobre os fusos musculares, receptores dentro da célula muscular, responsável pelo tônus e proteção contra riscos de distensão. A permanência, aliada à atenção localizada, respiração coordenada e mentalizações, possibilitam ao ásana comunicar-se com o fuso muscular, o estimulando a diminuir seu controle defensivo sobre os músculos. Assim, feixes e fibras musculares diminuem os níveis de contratura, alongando-se.

Quando as fibras estendem-se, todo o volume de energia aglutinado para manter a retração muscular por anos a fio, é progressivamente liberado, transformando-se em energia viva. Portanto, quanto maior for a assiduidade às práticas, mais rápida e maior é o montante de energia liberada.

Quando combinamos tempo e freqüência no treinamento dos ásanas, associados aos demais feixes de técnicas da aula característica do Método, o resultado é um indivíduo convivendo com um coeficiente de força e energia para muito além da normalidade.

Para encerrar, deixemos para o leitor imaginar sobre que áreas deseja aplicar este poder extra, natural, oriundo da liberação de forças físicas e psíquicas e as conseqüências positivas desta canalização.

Extraído de blogdojojo.com/

Ásana não é ginástica!

Ásana é técnica corporal, sim, mas não exclusivamente corporal. Nada a ver com ginástica, nem com Educação Física. As origens são diferentes, as propostas são diferentes e a metodologia é diferente. Por isso, em Yôga não precisamos de muitas coisas que são fundamentais na Educação Física como, por exemplo, o aquecimento muscular. Em Yôga Antigo não utilizamos o aquecimento muscular antes dos ásanas.

Por economia de palavras, as pessoas costumam referir-se ao ásana exclusivamente pelo seu prisma corporal. Contudo, a técnica não merece o nome de ásana, a menos que incorpore outros elementos.

Se for exercício físico não é Yôga. Ásana tem que ter três factores:

1. Procedimento orgânico (posição)

2. Respiração coordenada

3. Atitude interior

O procedimento orgânico precisa ser:

  1. estável;
  2. confortável;
  3. estético;
A respiração coordenada precisa ser:
  1. consciente;
  2. profunda;
  3. pausada (ritmada);
A atitude interior precisa ter:
  1. localização da consciência no corpo;
  2. mentalização de imagens, cores e sons;
  3. bháva (profundo sentimento, ou reverência);