Surya Namaskar – Saudação ao sol

Imagem

Anúncios

Yôga e transformação

Na Casa do Yôga ensinamos um Yôga antigo para pessoas que vivem num mundo moderno. Aqui os seus valores e crenças são respeitados. Ninguém é obrigado a converter-se ou a abandonar  as suas crenças. Não tens que te tornar vegetariano, nem tens que abandonar as coisas de que gostas. Aqui ensinamos que a verdadeira transformação acontece dentro de ti, com as ferramentas de que já dispões!

A nossa prática é forte, dinâmica, criativa  e transformadora!

De onde vêm as transformações que o Yôga proporciona? Se eu colocar o pé na cabeça ou a testa no chão, a minha vida melhora?

As mudanças não acontecem pela flexibilidade, força ou permanência numa técnica corporal. Afinal qualquer dançarino, ginasta ou acrobata faz essas coisas. Não é a técnica em si que me transforma, mas a abordagem, a maneira como utilizo o meu tempo e a minha mente durante a prática de Yôga. Aquelas técnicas que me são difíceis, às vezes um pouco desconfortáveis e até desafiadoras ajudam-me a perceber quem eu sou, como eu reajo às dificuldades, para onde vai a minha atenção etc..

A transformação não vem do facto de colocar o pé na cabeça ou a testa no chão, vem sim da nova atitude emocional perante as dificuldades e os problemas.

O súrya namaskar

Súrya namaskar significa literalmente saudação ao sol. Compreende uma sequência de 12 técnicas corporais.

Há milhares de anos, no vale do Indo, surgiu uma série de movimentos com o objectivo de saudar o sol. O Sol é  fonte de luz, de calor e da vida no nosso planeta, sem o sol a vida não seria possível. O sol possibilita-nos a capacidade de visão e o conhecimento rápido e directo de toda a manifestação, por essa razão, na tradição Indiana a luz, o fogo e o sol são símbolos de sabedoria e do conhecimento da nossa essência.

Pratique o súrya namaskar com os olhos fechados, e imagine um sol nascente diante de si. Sinta a carícia dos raios solares na sua pele, e mentalize a captação de prána (bioenergia) na cor alaranjada através da pele.

Preste atenção à sua respiração, e execute cada movimento segundo a regra da respiração: movimentos para cima são feitos com inspiração, para baixo com expiração.

As posições 4 e 9 são realizadas uma vez para cada lado, dentro da mesma sequência.

Procure primeiro, aprender a sequência com um Instrutor, para que depois a possa executar correctamente sozinho em casa.

A prática regular de Saudação ao Sol oferece uma série de benefícios para todas as partes do corpo. Estas técnicas corporais de Yôga são poderosas e têm  um impacto positivo sobre o corpo.

Boas práticas!

O Yôga e o corpo

UM POUCO DE HISTÓRIA

 

A proposta deste texto é falar sobre a parte corporal do Yôga, o ásana. O Yôga é uma filosofia de vida que tem como objetivo o autoconhecimento. Para alcançar essa meta, o Yôga dispõe de uma variedade de técnicas que vão desde exercícios com as mãos (mudrás) até meditação (samyama), podemos também citar os respiratórios (pranáyámás), vocalização de sons e ultra-sons (mantras) e a técnica corporal (ásana), a qual iremos abordar. Cada uma dessas técnicas atua em diferentes áreas do ser humano a fim de que ele possa ampliar sua capacidade de auto observação e ganhar mais energia vital para realizar seus objetivos.
O Yôga possui mais de 5000 anos. Surgiu no noroeste da Índia numa região chamada hoje de Vale do Indo. A civilização que habitou esse lugar passou praticamente despercebida pela História e só foi revelada ao mundo no final do século XIX, quando o arqueólogo inglês Alexander Cunningham começou a investigar umas ruÍnas em 1873. Por acaso, ele observou que funcionários de uma ferrovia estavam buscando tijolos em um terreno baldio para calçar os trilhos dos trens. Perguntou de onde eles estavam tirando aqueles tijolos e descobriu uma cidade inteira abaixo da terra. Depois disso, vários outros sítios arqueológicos foram sendo descobertos próximo a essa região, tais como Mohenjo-Dharo, Harrapa, Lothal etc.
Pois foi nessa civilização extremamente avançada, que nasceu o Yôga. Alexander desvendou cidades planejadas com ruas construídas respeitando a direção dos ventos, casas de dois andares para os habitantes e locais de administração pública bastante simples (diferente das construções suntuosas da época como Egito e Mesopotâmia). Haviam grandes banhos públicos onde os habitantes se refrescavam nos dias de calor escaldante. Além disso, os esgotos eram fechados e ainda funcionavam quando ele testou. Encontrou também materiais cirúrgicos avançados, brinquedos de crianças com cabelo implantado, enfim uma civilização que primava pelo bem estar do povo e não apenas dos superiores hierárquicos como acontece até os dias de hoje.
Em Harrapa e Mohenjo Dharo, foram encontrados desenhos de pessoas meditando o que deixou clara a existência do Yôga nesta população.
Essa preocupação com o bem-estar, já mostra uma característica muito importante do ásana.
Quando o yôgin começa a fazer uma posição é muito importante que ele se sinta bem executando-a, pois no Yôga valoriza-se a permanência e é muito difícil permanecer muito tempo se você não está se sentindo bem na posição. Da permanência longa depende a evolução na execução, ganhando-se alongamento, força e flexibilidade e também a ampliação a capacidade de auto-observação já citada como um dos objetivos da prática.
Mencionei também os respiratórios (pránáyámas) que podem ser praticados a parte, em qualquer posição sentada, ou dentro do ásana. A respiração é uma das ferramentas mais importantes do Yôga. Com ela, consegue-se atuar na melhor administração do emocional e na redução do desgaste, seja este físico ou por uma situação de stress. O princípio disso é que assim como o nosso emocional influencia a respiração, podemos fazer o caminho inverso e a partir da respiração também influenciar o emocional. Não significa que você vai parar de sentir ou que nunca ficará cansado, mas o fato é que sempre quando sentimos um stress muito grande ou um cansaço forte o corpo fica se desgastando para se recuperar. Liberando diversas substâncias, nem sempre saudáveis para as células. Essa recuperação poderá ser mais rápida a medida que se controla o processo respiratório. Dentro do ásana a respiração vai contribuir nesses dois sentidos, diminuindo o desgaste físico e permitindo um mergulho maior para dentro de si a medida que se executa a posição.
Além disso, pode-se aplicar vocalizações (mantras), meditações em alguma parte do corpo (samyama) e mentalizações. Tudo isso, amplia a vivência e os efeitos de cada posição.
O QUE AS ANTIGAS ESCRITURAS HINDUS DIZEM DO ÁSANA
Que fique bem claro: não se trata em absoluto de convidar os doutos europeus a praticar Yôga (o que aliás é menos fácil do que dão a entender certos amadores), nem de propor às diversas disciplinas ocidentais que aplique métodos do Yôga ou adotem sua ideologia.
Uma possibilidade que nos parece bem mais fecunda é estudar o mais atentamente possível os resultados obtidos por tais métodos de investigação da psique.
Assim, abre-se ao pesquisador europeu toda uma experiência imemorial referente ao comportamento humano em geral.
Seria imprudência não se tirar proveito disso.
Mircea Eliade, Yôga Imortalidade e liberdade.

Os antigos sábios hindus gostavam de começar suas explanações definindo o que entendiam pelo assunto que iriam abordar. Seguindo seu exemplo, vou começar pela definição de Yôga mais clássica que existe, feita por Pátañjali um importante mestre que viveu na Índia no século III A.C. Pátãnjali tem uma importância muito grande dentro da história desta filosofia pois ele foi o primeiro a escrever um livro falando somente desta prática, o famoso Yôga Sútra. Este livro é escrito em aforismos, frases concisas repletas de conhecimento, começando desta forma.
I – 1 Agora o conhecimento do Yôga
I – 2 Yôga é a supressão da instabilidade da consciência
Então para o Yôga o importante é reduzir todas as formas de instabilidade, sejam elas físicas, emocionais ou mentais para que a consciência em sua forma mais limpa possa ser vislumbrada. Esse processo vai sendo conquistado de diferentes formas, os yôgins aprendem a direcionar sua atenção ora para um som (mantras) ora para a respiração (pránáyáma), ora para uma única imagem (samyama) ou para o corpo (ásana) e neste último ponto que começa o nosso trabalho.
O corpo é portanto, uma importante ferramenta para que o yôga atinja sua meta.
leia o resto aqui: Assim falou De Nardi

Shiva Natarajásana

Shiva Natarajásana é o nome de uma das posições de equilíbrio mais estéticas do nosso acervo de procedimentos orgânicos. É a posição que faz alusão à estátua de Natarája. Apesar de inspirada na estátua, copiar a escultura ao fazer o ásana, pode induzir a alguns erros. Para corrigi-los, devemos ficar atentos a uma série de detalhes.

A posição dos pés deve obedecer a referência da foto acima. O pé que toca o chão deve ficar de lado (ou a 45 graus) em relação ao espectador. Jamais de frente. O pé elevado fica fletido e com os dedos tensionados para cima. Trata-se de uma exceção pois nos demais ásanas esse pé deve ficar estendido.

Os joelhos devem ficam bem afastados um do outro. Para isso, a perna elevada deve ser projetada para fora, com esse joelho bem alto. Em longas permanências, esta perna elevada começa a se cansar e vai caindo aos poucos. Uma boa execução deve ter o joelho da perna base bem flexionado e o outro bem elevado.

Os braços devem ficar sempre voltados para o lado oposto da perna elevada, como que a proteger o flanco. Os punhos se tocam e o abhaya mudrá deve ser executado com firmeza. Tanto o mudrá quanto o ásana devem ser feitos de acordo com o ângulo mais didático para apresentações e fotos. Nos treinamentos de Shiva Natarája nyása, o treinamento de movimentação deste ásana é considerado como a principal execução.

Abhaya mudrá

Abhaya – 1. Ausência de medo; 2. sentimento de segurança.

Coincidentemente ou não, apesar da ordenação alfabética, o primeiro selo é também um dos mais importantes para o nosso estudo. O abhaya mudrá é o gesto mostrado por Shiva em seu aspecto Natarája. Existem muitas associações, técnicas e histórias a serem contadas por conta disso.

Com as duas mãos bem espalmadas e mantendo os polegares colados às mãos, una os punhos com a palma da mão de cima e a as costas da mão de baixo voltadas para frente. Os dedos das mãos de baixo devem estar apontados para o chão, alongando bem o punho. Ao executá-lo, não centralize as mãos com o corpo. O gesto fica ligeiramente deslocado para o lado da mão de cima e você pode alternar a posição das mãos para encontrar a posição que lhe confira o melhor encaixe.

Sua reflexologia está associada ao ato de dissipar o medo, como o próprio nome do mudrá indica. Dessa forma, é um gesto muito ligado ao sentimento de proteção. Também pode representar o início de algo, o começo da prática de Yôga.

Sua execução pode ser feita com movimento. Nesse caso, a mão deixada por baixo deve descrever movimentos laterais, deslizando-se de um lado para o outro, da esquerda para direita e da direita para esquerda, retornando ao encaixe do gesto. A mão de cima faz um movimento da frente para trás e de trás para frente. A mão de baixo ganha o significa do de estar como que a remover obstáculos diante do yôgin e a mão de cima expõe o simbolismo de afastar o medo.

Sequência de imagens mostrando o movimento das mãos.

Note que todas as vezes em que as mãos se afastam uma da outra, existe uma expansão da caixa torácica. Associe a ela então o ato de inspirar. Como existe também uma pequena contração da mesma área quando as mãos se aproximam, aproveite para expirar. Combinando essa sutil movimentação das mãos com o movimento respiratório, podemos facilmente sentir no tato das mãos a criação de um campo magnético, desencadeado pela vivência deste gesto.

Do Blog Gesto Ancestral do Instrutor Vernon Maraschin