Respira!

“Como as folhas que arejam a árvore e fornecem nutrientes para que seu crescimento seja saudável, também a respiração alimenta e areja as células, os nervos, os órgãos, a inteligência e a consciência do sistema humano. Quando estamos num ásana, só podemos entender plenamente o corpo se sincronizarmos a respiração com o movimento. Prána é energia. Ayama é criação, distribuição e manutenção. Pránáyáma é a ciência da respiração, que leva à criação, distribuição e manutenção da energia vital.” B.K.S. Iyengar

Vem aprender a respirar connosco!www.facebook.com-casadoyogabraga (1)

Pránáyáma, a disciplina da respiração

“O pránáyáma, a disciplina da respiração, é a “recusa” de respirar como o comum dos homens, isto é, de uma forma arrítmica. Eis como Patañjali define esta recusa: “O pránáyáma é a interrupção (viccheda) dos movimentos inspiratórios e expiratórios e consegue-se depois de realizado o ásana.” (Y.S., II, 49). Patañjali fala de “retenção”,  de suspensão da respiração. Todavia, o pránáyáma começa por ritmar a respiração o mais lentamente possível: é esse o seu objectivo inicial.
A respiração do homem profano é em geral arrítmica; varia quer segundo as circunstâncias, quer segundo a tensão psicomental. Tal irregularidade produz uma perigosa fluidez psíquica e, consequentemente, a instabilidade e a dispersão da atenção. Podemos tornar-nos atentos, se nos esforçarmos para isso. Mas o esforço, para o Yôga, é uma “exteriorização”. Trata-se pois de suprimir o esforço respiratório através do pránáyáma: ritmar a respiração deve tornar-se uma coisa automática, para que o yôgin possa esquecê-la.
Ao comentar o Yôga-Sútra, I, 34, Bhoja observa que “existe sempre uma ligação entre a respiração e os estados mentais”. Essa observação é importante. Ela é mais do que a constatação do facto de que, por exemplo, a respiração de um homem furioso é agitada, enquanto a respiração de um homem que se concentra é ritmada e se torna lenta por si própria. A relação entre o ritmo da respiração e os estados de consciência aos quais se refere Bhoja, e que fora sem sem dúvida observada e comprovada experimentalmente pelos yôgins desde os tempos mais remotos, serviu como instrumento de “unificação” da consciência. “

Mircea Eliade in Patãnjali e o Yôga

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Os ritmos respiratórios e os estados emocionais

Texto Daniel DeNardi, autor do Blog Assim falou De Nardi

Para quem não sabe, sou professor do Método DeRose e começarei a escrever alguns textos relacionados à prática deste método. Hoje falaremos dos ritmos respiratórios e suas funções.
A nossa respiração sofre grande interferência dos estados emocionais. A ansiedade por exemplo, produz uma respiração mais curta e acelerada, já um estado de serenidade produz uma respiração mais profunda e lenta. É inegável a relação entre padrões respiratórios e estados emocionais ou de consciência. O antigo povo drávida, que criou as técnicas usadas no Método, perceberam que se dominassem a respiração conseguiriam interferir nos estados de consciência e controlar melhor suas emoções.
Deixando as coisas mais práticas, quando por exemplo você exala o ar mais devagar você se recupera mais rápido, seja de um cansaço físico ou um stress emocional. Não é que você vai deixar de sentir cansaço ou mesmo de ter essa sensação emocional, mas o fato é que existe um desgaste tanto para o cansaço físico quanto emocional. Quando sentimos emoções pesadas, como ódio, medo, stress etc internamente liberamos uma grande quantidade de toxinas, que se liberadas em excesso se tornam prejudiciais à nossa saúde. Além disso, fisicamente, quanto mais rápido nos recuperamos de um cansaço, melhor.
Então o simples fato de conseguirmos controlar melhor a saída do ar, tomando consciência do movimento muscular envolvido na respiração e fazendo com que o ar saia mais devagar, podemos reduzir esse desgaste tanto no âmbito físico como emocional.
Os drávidas catalogaram diferentes proporções de ritmos respiratórios para gerar diferentes estados de consciência.
O ritmo é sempre descrito como uma proporção e sempre com a ordem Inspiração – Retenção com Ar – Expiração – Retenção sem ar. Quando escreve-se o número pode-se colocar qualquer valor desde que a proporção seja respeitada. Exemplo, ritmo 1-1-1-0. Você deve inspirar, reter o ar e expirar no mesmo tempo e não fará retenção sem ar. Portanto, se inspirar em 4 segundos vai manter a mesma proporção também nas demais fases que tem o número 1.
Os principais ritmos são:
1-1-1-1 – Nossa respiração é arrítmica por natureza e isso interfere também no fluxo inconstante dos nossos pensamentos. Disciplinar a respiração a manter uma cadência é disciplinar a mente a manter foco. O ritmo é algo que nossa mente não gosta. Ela prefere a distração. Veja por exemplo, quando você começa a batucar uma música. Em sua introdução é mais fácil manter o ritmo. Quando a voz entra entonando a melodia, se você não estiver muito concentrado naquilo irá se atrapalhar e perder a cadência. Concluindo, manter o mesmo tempo para todas as fases contribui para o foco mental e um estado de estabilidade.
1-2-1-2 – Esse ritmo é importante para dar ao corpo mais tempo de assimilação do oxigênio e energia que estão sendo captados na respiração. Dobrar o tempo das retenções produz, na retenção com ar essa assimilação e na retenção sem ar, um tempo para uma maior introspecção, pois é isso que a parada sem ar nos pulmões produz.
1-2-3-0 – Essa proporção amplia a saída do ar dos pulmões e isto como já foi explicado ajuda na recuperação do desgaste. Seja ele físico ou emocional.
1-4-2-0 – Esse é o ritmo mais avançado que existe daqueles que foram catalogados e testados por milhares de anos. Segundo as escrituras que descrevem tais técnicas, esta proporção é associada a estados meditativos e à expansão da consciência.
Respirar é viver, quem respira melhor vive melhor. Respirando com mais consciência você não estará apenas ampliando sua consciência corporal, mas também emocional e do fluxo dos seus pensamentos. Dominar ritmos respiratórios vai totalmente ao encontro desse propósito, pois a mente gosta de diversificação e manter uma cadência respiratória é disciplina-la para mais foco e produtividade.

a tua prática

 

Bhastriká

Bhastriká em sânscrito significa fole. O nome provém da comparação entre o movimento do abdómen durante a respiração acelerada e o de um fole funcionando.

Esse respiratório ocupa um lugar muito importante nas práticas de Yôga. Produz uma oxigenação muito mais intensa que todos os outros, limpa os pulmões e as vias respiratórias e é altamente energizante e revitalizante. Por isso elimina o cansaço e a depressão em poucos instantes.

Sentando e com as costas bem eretas, faça por alguns instantes a respiração abdominal. Aos poucos comece a acelerar o ritmo, contraindo rápido o abdómen a cada exalação. Isso deve produzir um ruído alto e forte. A inspiração acontece espontaneamente, quando o diafragma e o ventre se expandem.

Ao expirar, o diafragma se eleva e o musculo do reto abdominal contrai-se com rapidez.

Ao inspirar, o abdomen projeta-se para fora. Ao exalar se contrai com vigor.

Você pode fazer vários ciclos desse respiratório, contando o número de exalações. No início serão algumas dezenas, que você irá progressivamente aumentar até chegar na casa das centenas.

É aconselhável fazer uma retenção com os pulmões cheios combinado com bandha no final de cada ciclo de bhastriká. Durante as primeiras vezes que o fizer, a fim de fortalecer e treinar a sua capacidade vital, sugerimos que você faça kúmbhaka* juntamente com o jihvá bandha* (contração da língua no céu da boca).

Quando começar a fazer retenções prolongadas utilize o jalándhara bandha* (contração do queixo no tórax) combinado com múla bandha*.

Preste atenção para não contrair a musculatura do rosto nem movimentar os ombros. Esta técnica pode ser feita na posição sentada ou deitada, mas nunca em pé.

Esta técnica fortalece a parede abdominal, aumenta a circulação sanguínea e tonifica o sistema nervoso. Normaliza as funções dos aparelhos digestivos e excretor. Oxigena todo o organismo, revitaliza os tecidos e aquece o corpo”.

Fonte: Respiração total – Professora Ro de Castro

darth+veda+does+ujhayi

     cartoon: Samadhi Pants

Mindful breathing

You don´t have to do anything very special,
you just become aware
of the fact that you are breathing in…
…breathing in,
I know I am breathing in…
…and breathing out,
I know I am breathing out…
…and I enjoy my in breath,
I enjoy my out breath…
and suddenly I find that I am truly alive, truly present,
and this everyone can do and it make a big difference.
Our true home is life,
and life is in the presente moment,
is the here and the now,
that is the address of true life.
So mindful breathing can bring us back to our true home,
to life, and we should be able to do it in our daily life.

Thich Nhat Hanh
Mestre Zen, Activista pela paz

Desafio nº4 – Respirar bem para viver melhor

Desafios para fazer de 2014 um ano fantástico
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Aprender a respirar melhor é o que fazemos nas primeiras práticas de SwáSthya Yôga. E logo aí percebemos os incríveis efeitos que técnicas muito simples trazem ao nosso corpo, às nossas emoções e à nossa mente.

Respirar bem é fundamental no desporto, principalmente no surf, mergulho, natação, artes marciais, atletismo e outros, pois amplia a capacidade pulmonar  e proporciona mais consciência corporal e melhor capacidade de resposta a todas as exigências físicas.  Também no canto e no teatro uma respiração bem aplicada proporciona uma voz clara, limpa e bem projectada. Para estudantes, executivos e criativos é fundamental saber respirar correctamente para gerir melhor o stress, as emoções e principalmente para que a mente trabalhe com mais clareza, foco e energia.

Exercício simples para quem está a iniciar a prática de Yôga ou para quem nunca praticou – respiração abdominal ou diafragmática (adhama pránáyáma)

Deite-se de costas no chão e coloque as palmas das mãos na região abdominal.

Opção 1 – uttara shavásana, deitar de costas no chão com as pernas estendidas

Opção 2 – swára shavásana, deitar de costas no chão com as pernas flexionadas, os joelhos junto e os pés afastados

Respire sempre pelas narinas, tanto na inspiração quanto na expiração.

Agora expire e recolha o abdómen, esvazie completamente os pulmões principalmente a parte baixa. A seguir inspire e projecte o abdómen para fora. Continue a respirar assim, ao inspirar projecte o abdómen para fora, ao expirar recolha-o. Faça o exercício por vários minutos e se possível mais que uma vez por dia.

Quando sentir que já dominou a respiração abdominal, experimente fazê-la com o ritmo mais lento que conseguir, prolongue ao máximo o tempo da inspiração e da expiração. Depois experimente praticar a respiração abdominal sentado, em pé e a caminhar.

Esta técnica respiratória elimina a ansiedade, promove a boa disposição e aumenta a concentração e a força de vontade.

Exercício para praticantes de Yôga  – Sama vritti pránáyáma (respiração completa com ritmo 1-1-1)

Para os praticantes de Yôga que já dominam a respiração completa, sugiro o sama vritti pránáyáma. Mesmo para aqueles que já têm alguns anos de prática, este é um excelente pránáyáma para realizar no dia-a-dia.

O sama vritti consiste em executar respiração completa com ritmo (1-1-1), isto é, deverá inspirar num tempo, reter o ar nos pulmões no mesmo tempo e expirar também no mesmo tempo.

Sente-se em qualquer posição confortável com as costas erectas e as mãos em jñana mudrá. Feche os olhos e inicie o exercício.

Se já for praticante adiantado, poderá acrescentar japa (respetição mental do mantra ÔM) para ajudar na contagem do tempo.

Procure praticar o exercício por vários minutos, e sempre que possível mais do que uma vez por dia.

O sama vritti pránáyáma fortalece o sistema nervoso e favorece as faculdades intelectuais.

***

Para que possa entender melhor o impacto que a respiração pode ter na nossa vida, partilho os links para uma palestra de Alan Watkins, um reconhecido perito em liderança e desempenho humano, especialista em neurociência.

No primeiro vídeo ele aborda os vários níveis que influenciam os nossos resultados e mostra como tudo começa no corpo até chegar aos comportamentos observáveis. No segundo vídeo demonstra como a respiração é uma ferramenta eficaz para alterar a fisiologia e consequentemente alterar os nossos resultados.

Para saber mais sobre respiração:
Tratado de Yôga, Mestre DeRose, Edições Afrontamento
Respiração Total, Rôsangela de Castro, Edições Uni-Yôga
Pránáyáma, a dinâmica da respiração, André Van Lysebeth, Centro do Livro Brasileiro
A ciência do Pránáyáma, Shivánanda, Editora Pensamento

A respiração alternada e as suas propridades

O RESPIRATÓRIO ALTERNADO E SUAS PROPRIEDADES

Não é por acaso que este é considerado um dos principais respiratórios do repertório yôgi. Entendamos como a respiração alternada contribui para que o praticante melhore dois dos mais importantes processos para alcançar a meta do Yôga:

1) Estabilização da consciência;

2) Ampliação da energia sexual.

Para evoluir no samyama, técnica que engloba dháraná, dhyána e samádhi, é necessário que o sádhaka aprenda a aquietar seus pensamentos, focando-se em um único ponto. O nadí shôdhana contribui para isto, pois ao fazer inspirações e expirações lentas, conforme a descrição do exercício sugere, o praticante começará a estabilizar suas emoções e posteriormente reduzirá suas dispersões mentais. O meu monitor Charles Maciel, sempre brinca com o gesto característico do nadí shôdhana, quando alguém fica nervoso ou está agitado demais. Se além da respiração lenta associarmos um ritmo, potencializaremos a concentração. O ser humano é arrítmico por natureza e por isso, tem tanta dificuldade de permanecer focado em qualquer coisa que faça por muito tempo. Respiramos de maneira instável, nos movimentamos o tempo todo e se não somos treinados, não conseguimos nem mesmo batucar o ritmo de uma música simples até o final dela. Quando passamos a manter um tempo pré-determinado em cada fase da respiração, rompemos com essa tendência dispersiva e passamos a cadenciar nosso tempo biológico, o que contribui e muito para a estabilidade mental.

Com relação à ampliação da energia sexual, vale a pena ressaltar que o primeiro granthi, brahmá granthi, válvula de proteção que mantém a energia da kundaliní retida no múládhára chakra é relacionado ao corpo físico, tanto o denso como o energético. Somente quando este corpo encontra-se em perfeito funcionamento é que a válvula abre permitindo que a kundaliní dê seus primeiros passos pelo canal central, sushumná nadí, desenvolvendo os chakras e as potencialidades humanas. Mas para que isso aconteça, é necessário que os meridianos por onde toda a energia biológica irá percorrer dentro de nós estejam totalmente limpos. O próprio nome do respiratório, nadí shôdhana, já indica uma atuação neste sentido, uma vez que shôdhana se traduz por purificação. Também contribui para a ampliação da energia sexual a mentalização que normalmente é feita neste pránáyáma, na qual direcionamos o prána captado através de ida e pingalá – dois dos principais meridianos de energia do nosso corpo – até à base da coluna. Ao conduzirmos o prána para lá, estamos levando o alimento da kundaliní, aumentando a pressão na caldeira de energia que se situa nessa região, favorecendo a ascensão da energia ígnea pelo canal central, sushumná, até o sahásrara chakra, eclodindo numa experiência meditativa.

O nadí shôdhana sozinho não é capaz de conduzir o praticante à meta do Yôga, mas executado dentro da prática ortodoxa do SwáSthya Yôga desenvolverá os dois processos essenciais que citamos no início do texto: a supressão da instabilidade da consciência e a ampliação da energia sexual. A estabilidade será imprescindível para que se atinja o estado de dhyána, mas este só evoluirá até o samádhi se a kundaliní estiver bem desenvolvida.

Estes dois trabalhos simultâneos já seriam suficientes para nos dedicarmos com muito afinco a este respiratório, mas ele vai além disso. Ao alternarmos as narinas, sempre com os pulmões cheios e jamais com os pulmões vazios, conforme nos ensina o Mestre DeRose no CD da Prática Básica, estamos desenvolvendo as duas polaridades que possuímos; a masculina e a feminina, o emocional e o mental, a sensibilidade e a agressividade, fazendo com que depois de anos de prática, ampliemos nossa consciência para além do mundo do julgamento, do certo e errado, do claro e escuro. Somente quando sairmos da parcialidade poderemos vivenciar nosso verdadeiro Eu, uma vez que o púrusha não julga, ele simplesmente É.

Texto do Instrutor Daniel De Nardi, Método DeRose Itaim

O incenso

O incenso não é um artefato místico e sim um recurso natural que nos auxilia a atingir certos fins, variáveis conforme os perfumes e demais elementos constituintes das ervas, resina etc., cujas moléculas se desprendem com a queima e evolam,permitindo imediata absorção pela membrana pituitária.

Os perfumes influenciam o emocional, a mente e até o corpo, e a reposta é imediata, tão rápida quanto uma injeção na veia. Por exemplo:

  • se você sente um cheiro nauseabundo, o seu estômago embrulha na hora;
  • se você sente um um perfume sensual, as glândulas sexuais começam a segregar hormônios imediatamente;
  • se você sente uma fragrância devocional, é logo arrebatado para estados de consciência que nenhum outro recurso conseguiria desencadear.

Assim, os antigos descobriram que os olores doces eram ótimos para se usar nos mosteiros, pois reduzem o apetite e predispõem ao jejum. Chegaram também à conclusão de que a inalação dos aromas ou dos vapores de certas ervas tinhas influência positiva numa série de enfermidades. Quem ignora o efeito do eucalipto no combate às gripes? E quem contestaria o efeito das inalações feitas com ervas, como é o caso da eficaz buchinha-do-norte contra sinusites?

Tudo começou quando passaram a queimar ervas e resinas em locais fechados para manter o ambiente agradável e notaram a ocorrência de efeitos nas pessoas que inalavam suas exalações, variáveis conforme o produto usado. A partir daí, foi só uma questão de tempo para catalogar os resultados. Desde então, passaram-se 5000 anos.

Hoje o incenso tem três aplicações distintas. A primeira é a de perfumar. A segunda, são os efeitos sobre as pessoas que o aspiram. A terceira, é a purificação de ambientes. Um bom incenso deve ter tudo isso.

É interessante observar que a própria palavra perfume provém do latim per fumum, pela fumaça, fazendo referência à forma pela qual se usava o perfume na antiguidade, ou seja, incensando, queimando ervas e resinas aromáticas.

No nosso caso, a principal finalidade de utilizar o incenso, além do prazer olfativo, é estimular os exercícios respiratórios .Você já notou que quando sente um perfume agradável, a tendência natural é fazer respirações profundas?

A segunda finalidade é a que deu origem a uma divisão da medicina, denominada osmoterapia, ou, modernamente, aromaterapia. Ela procura proporcionar efeitos medicinais. Não trabalhamos com terapia, logo, essa parte é absorvida sob o aspecto da profilaxia.

A terceira finalidade é a que estuda as consequências do uso de incenso sobre o meio ambiente, no que diz respeito a duas perspectivas. Uma é não poluí-lo, evitando a queima de substâncias prejudiciais à saúde de seres humanos, animais e vegetais, ou à camada de ozônio.

A outra perspectiva dos efeitos sobre o meio ambiente é a que estuda os benefícios obtidos, tais como purificar o ar, reduzir a proliferação de fungos, repelir insetos e até mesmo melhorar a atmosfera psíquica. Atualmente, estão sendo desenvolvidas pesquisas a fim de comprovar a teoria de que a fumaça do incenso contém elementos que neutralizam os da fumaça do cigarro. De qualquer forma, já é hábito corrente de muitos não-fumantes acender um incenso toda vez que alguém acende um cigarro. Pelo menos, melhora o odor.

Extraído do livro Tratado de Yôga, Mestre DeRose, Afrontamento.

Aprenda a respirar

A vida começa com a primeira inspiração e se prolonga até a última exalação.

O alento é a vida, que flui com tal naturalidade que são poucos os momentos em que percebemos o seu valor. No entanto, se compararmos os elementos vitais para a existência, este vai ocupar o primeiro lugar: sem alimento consegue-se subsistir durante várias semanas, sem água alguns dias, mas, sem ar, morremos em poucos minutos.

Respirar é viver, respirar bem implica viver melhor, respirar com plenitude significa existir plenamente. Acontece que a maioria das pessoas respira de forma superficial e insuficiente, utilizando apenas uma ínfima parte da capacidade pulmonar.

É uma forma bastante precária de respirar e viver, se considerarmos o potencial que temos para desenvolver.

A cada estado emocional corresponde um ritmo respiratório. Uma cadência ritmada demonstra satisfação, segurança, serenidade. A respiração curta e rápida denota ansiedade, insegurança ou medo. Aprendendo a manipular o ritmo respiratório, conseguiremos sutilizar as emoções, o que irá interferir positivamente nas relações afetivas, no desempenho profissional e na qualidade de vida. Porém, os respiratórios do Yôga vão muito além, pois através deles tomamos consciência de que a energia vital que compõe nosso corpo é a mesma que configura e movimenta o universo, mostrando-nos outra dimensão de nós mesmos.

O pránáyáma é um excelente aliado para os esportes, especialmente mergulho, surf, natação, alpinismo, artes marciais, atletismo e outros, por ampliar incrivelmente a capacidade pulmonar e outorgar maior resistência, mais consciência corporal e respostas rápidas a todas as exigências físicas. Também para o canto, teatro ou qualquer outra atividade na qual seja imprescindível uma voz clara, limpa e melodiosa, predicados que dependem de uma respiração bem aplicada; e ainda para melhorar a qualidade de vida, amenizando o stress advindo do ritmo alucinante dos grandes centros urbanos.

A meu ver, o Yôga que surgiu há alguns milênios, está vários passos à frente da humanidade, no que se refere à evolução do indivíduo. O conhecimento tecnológico avança por um lado, mas continuamos ignorantes por outro. Ignorantes de nós mesmos. Os sábios da antiguidade, os rishis, nos deixaram uma herança muito valiosa, fruto da auto-observação e do autoconhecimento. A riqueza do Yôga impressiona. São milhares de técnicas orgânicas para aprimorar o corpo e a saúde, dezenas de exercícios respiratórios, técnicas de descontração, desintoxicação e fortalecimento dos órgãos internos, centenas de mantras, inúmeros exercícios de meditação.

A RESPIRAÇÃO DO SWÁSTHYA

O nome técnico da respiração do Yôga é pránáyáma. A palavra pránáyáma deriva de dois termos sânscritos: prána, que significa alento, força vital, respiração, energia, vitalidade; e áyáma, expressão que significa extensão, intensidade, propagação, dimensão. Pránáyáma, então, é o processo através do qual expande-se e intensifica-se o fluxo da energia no interior do corpo.

Em outra acepção, esta palavra estaria formada pelos vocábulos prána, designando a energia vital e yáma, que significa controle, domínio, retenção, pausa. Pode traduzir-se também como domínio não se faz no sentido de limiar a respiração, mas expandi-la, a fim de lograr juntamente com isto a elevação da consciência.

Pránáyáma é a expansão da bioenergia através de respiratório. Uma vez que a respiração esteja perfeitamente regulada, poderemos facilmente controlar os processos conscientes, já que respiração, mente e emoções interagem mutuamente. A respiração é o único ato vital inconsciente que podemos ter acesso e controle de imediato. Através dela temos condições de mergulhar nas profundezas do nosso inconsciente e torná-lo consciente. Dessa forma abrimos o livro interno e ganhamos condições de ler os registros mais íntimos. Através deste autoconhecimento seguramos as rédeas da transformação e conduzimos nossa evolução.

Em todos os textos de Yôga que chegaram até nós, o prána aparece sempre associado à força vital, energia e poder, porém, é preciso destacar que este tempo possui dois aspectos: cósmico e o individual.

Todo o universo é composto em sua essência de prána. O átomo é a menor partícula da matéria e este é formado por energia. Então tudo o que existe é energia. Tudo o que existe é prána.
O prána cósmico abrange todas as formas de energia existentes: a contida nas partículas atômicas e as forças elementais da Natureza (luz, calor, magnetismo, eletricidade, gravidade).

No plano humano, prána é o substrato energético que forma o nosso corpo tangível, regulador de todas as funções orgânicas e físicas. O volume de prána que circula dentro do corpo determina o grau de vitalidade de cada indivíduo. Os órgãos de absorção do prána são: pele, língua, nariz e alvéolos. Extraímos essa bioenergia do sol, dos alimentos que ingerimos, da água que bebemos e do ar que respiramos. Ele circula no corpo pelas nádis, canais da fisiologia sutil.

Pode-se ver o prána facilmente em dias de sol e céu limpo. Deitado ou sentado ao ar livre, fixe o olhar no infinito, respire tranquilamente e mantenha a mente alerta. Poucos minutos depois você começará a ver minúsculos pontos de luz brilhantes e transparentes, que refletem o azul do céu. Utilize sempre esta imagem ao visualizar a absorção do prána. O ar que respiramos é ar material. Através do domínio desse ar material conseguimos controlar o prána ou ar sutil. É sobre essa relação entre o ar denso e o ar sutil que versa o pránáyáma.

O prána como energia manifestada biologicamente é um conceito essencial dentro do Yôga. Através do desenvolvimento e controle dessa força atingimos os estados de consciência relativos à unificação do ser, indispensáveis para alcançarmos o samyama, as etapas finais de meditação do Yôga.

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O domínio e a expansão do prána no corpo do praticante começam pela execução de determinados exercícios que consistem em dar à respiração um ritmo diferente daquele que caracteriza o estado de vigília, visando a fazer com que ela flua ora de forma lenta e profunda, ora acelerada e vigorosa, de acordo com o efeito desejado.

A razão disto é que existe uma relação muito estreita entre ritmos respiratórios e estados de consciência. Esta afirmação vai muito além da simples comprovação de que, por exemplo, a respiração de uma pessoa que está fazendo um esforço para concentrar-se diminui o seu ritmo naturalmente, enquanto que alguém submetido a uma situação limite respira de forma superficial e agitada.

Através do pránáyáma, prolongando cada vez mais a inspiração, a expiração e as retenções, o yôgin pode penetrar em todas as modalidades de consciência. O praticante (sádhaka), mantendo a continuidade da sua atenção, vivencia os estados próprios do sono e do sonho sem renunciar à sua lucidez e logra a concentração e a unificação dos seus pensamentos no quarto estado, o que lhe dará acesso à meditação contemplativa (dhyána) e, posteriormente, ao estado de hiperlucidez (samádhi). Porém, como veremos, o objetivo imediato do pránáyáma é bem mais despretensioso.

Resumindo, podemos afirmar que o pránáyáma é a disciplina através da qual o praticante procura plasmar o próprio organismo com a totalidade das forças e poderes do universo.

Texto extraído da Revista Yôga Review

Bandhas, nauli, pránáyama e kundaliní

A teoria sem a prática vira ‘verbalismo’, assim como a prática sem teoria, vira activismo. No entanto, quando se une a prática com a teoria tem-se a práxis, a acção criadora e modificadora da realidade.

Paulo Freire

Uma aula sobre bandhas, nauli, pránáyáma e kundaliní!

Neste link:

http://www.youtube.com/watch?v=cGcbee94LGE&feature=share&list=PL9F4862A851C59DA0

 

Respirar é viver

Outro dia assisti uma entrevista com o ator Johnny Deep e entre uma pergunta e outra lhe foi perguntado qual era um dos maiores prazeres que tinha na vida e para minha surpresa e provavelmente da grande maioria, ele respondeu: respirar!

De fato, respirar é, ou pelo menos deveria ser um dos grandes prazeres de nossa existência.
Mas o que grande parte da humanidade faz? Aperta o botão do respirador automático e seja o que Shiva quiser!

Diariamente somos bombardeados por informações e propagandas que apelam de forma tão impiedosa à nossa visão e ao nosso paladar que acabamos dando extrema atenção a eles, sobrecarregando-os em detrimento de outros como a respiração; nos alimentamos em demasia e de forma errada e mesmo assim não paramos de dar atenção ao paladar.

E a respiração, que também é alimento? Por que não damos atenção a ela? Poderíamos passar dias sem comer e beber, porém poucos minutos sem respirar.

Talvez o olfato seja o sentido que mais receba nosso desprezo. Percebendo este pormenor, os Mestres da antiguidade incluíram na prática do Yôga o uso do incenso, que dentre outras coisas, faz com que prestemos mais atenção à respiração, pois respiração yôgi é intrinsicamente ligada à participação da consciência.

Além de viver e sonhar, há algo mais importante: despertar.
Antônio Machado

Para melhorar isso, comece dando atenção em como se senta, seja diante de sua mesa de trabalho, nas poltronas dos aviões ou nas cadeiras dos restaurantes. Sim, eu sei que grande parte dos assentos são mal projetados mas faça o melhor que puder com aquilo que tiver em mãos.

Ao se posicionar fisicamente de forma errada, além de toda uma gama de problemas que talvez só venham a se manifestar anos depois, você pode principalmente prejudicar o trabalho do diafragma, músculo fundamental no processo respiratório.

Uma respiração deficiente, praticada por 90% da população mundial (impressionante o número de pessoas que vêm nos procurar e que não possuem a mínima noção de como se deva respirar), tem resultados muitas vezes catastróficos que vão desde uma má oclusão dentária, passando por distúrbios no ciclo menstrual, até à qualidade do sono e da digestão.

Um exemplo é a falta de oxigenação ideal do sangue que pode comprometer a clareza mental. Cérebro não oxigenado apropriadamente torna turva a mente, imergindo-a em uma barafunda de dispersões, fazendo com que o seu dono perca o foco e a concentração.

Saúde não é tudo, mas tudo não é nada sem a saúde.
Schopenhauer

Porque será que quando uma pessoa está descontrolada, costuma-se dizer a ela para respirar?

Ensinamos a muita gente técnicas específicas de respiração que auxiliam no controle de seu campo de emoções, fazem a ligação do inconsciente com o consciente além de melhorar o funcionamento geral do organismo, amenizando eventuais desconfortos provenientes do sedentarismo que se aloja por entre grande parte dos seres humanos.

O próprio ato de respirar de forma abdominal promove um sutil massageamento de seu principal músculo, o coração, além de ativar o metabolismo e purificar o sangue.

Estou certo de que enquanto lê esse artigo, está respirando pelas narinas, não é?

Fique atento a não inspirar pela boca, principalmente se já se acostumou com isso. Nariz não foi feito para apoiar os óculos e sim para filtrar, aquecer e umedecer o ar. A ideia é que você “mastigue” o ar.

A vida só é plena quando nos tornamos conscientes de tudo que está submerso no inconsciente.
Carl Gustav Jung

Respire antes de tomar qualquer decisão. Mas não de qualquer forma. Respire bem, profundo, sem pressa e extremamente consciente da limpeza que se processa em seu organismo em todos os níveis. Isso lhe trará valiosa percepção da situação a ser revelada. Aliás, respire dessa forma sempre: ao se alimentar, praticar esportes, descansar, ler etc. Esse detalhe aumentará seu prazer e bem-estar em cada momento de sua existência.

Pode parecer bobagem, porém, suas roupas podem também atrapalhar o trabalho de oxigenação de sua estrutura física. Ternos e calças muito apertadas prejudicam o bom funcionamento de sua “máquina”.

Quando possível, troque a qualidade do ar que respira. Vá às montanhas ou praia.
Não sei o que é pior: “beber” o ar das grandes metrópoles ou estar tão acostumado a isso que não se percebe mais que existe diferença na qualidade do ar de um lugar para outro.

E por fim, percebamos como nosso ritmo respiratório está intimamente ligado às nossas emoções e as turbulências de nossa mente (note o estado de sua respiração enquanto se concentra na leitura deste texto). Da mesma forma que o seu estado emocional e/ou mental influencia na sua respiração, o caminho inverso também é verdadeiro.

Portanto faça da sua respiração a sua aliada, cuide dela com carinho, faça dela um de seus grandes prazeres, pois respirar é vida que se transforma em arte nas mãos alquímicas de quem o sabe fazê-lo.

E lembre-se do velho ditado: “O que contam, não são os momentos nos quais você respira e sim aqueles que lhe tiram o fôlego”.

Professor Fábio Euksuzian

Porque às vezes, na vida é preciso parar e respirar…

Conscientização da respiração

Esta técnica é muito simples, porém uma das mais importantes entre todas. Quando mais tempo você puder se dedicar a ela, melhor. Pode-se fazer por 10, 15, 20, 30 minutos ou enquanto for agradável. Primeiro leia toda a sequência e depois execute-a na ordem sugerida. Dedique alguns instantes a cada etapa.

Sente-se confortavelmente com a coluna erecta.

Feche os olhos. Acomode todo o seu corpo e procure permanecer imóvel.

Deixe a respiração espontânea e apenas observe-a.

Preste atenção às suas narinas. Deixe-as descontraídas e perceba o ar entrando e saindo por elas. Sinta a temperatura do ar.

Capte os diverso aromas à sua volta. Procure distinguir um do outro.

Agora junto com o ar mergulhe dentro de você. Deixe sua consciência penetrar em seus pulmões. Perceba o leve toque do ar nos condutos respiratórios. Esteja presenta na sua respiração como se, neste momento, não existisse nada além dela.

Conscientize-se do prána alimentando todo o corpo.

Mantenha esta consciência em todos os respiratórios que executar daqui por diante.

Perceba o quanto é gostoso respirar.

Do livro Respiração Total, da Prof. Rosângela de Castro

Respiração e emoção

Um corpo saudável e forte necessita de alguns cuidados. Há um tripé fundamental para uma saúde significativa e uma qualidade de vida razoável: boa alimentação, actividade física moderada e felicidade.

Hoje vamos trabalhar com a alimentação. Mas o nosso assunto não é respiração? Pois bem, o corpo humano é alimentado de energia biológica que, no Yôga, chamamos de prána. Essa bioenergia é que movimenta. Um indivíduo com uma quantidade significativa de prána terá uma boa saúde, será activo, realizador e aproveitará a vida numa dimensão superior. Nós retiramos a bioenergia, prána, do sol, dos alimentos, da água e do ar. Portanto, boa alimentação, do ponto de vista de Yôga, significa ingerir alimentos bons para o organismo, beber água em quantidade e qualidade excelentes e respirar ar puro e de forma que o organismo possa maximizar a absorção de bioenergia. A qualidade do ar não está ao nosso alcance imediato, pois a vida das grandes metrópoles implica numa certa dose de poluição do ar. Entretanto, a respiração adequada de forma a absorver a maior quantidade de bioenergia está disponível para qualquer um. São as técnicas respiratórias do Yôga que chamamos de pránáyáma. Ao quebramos a palavra, temos prána cujo significado é alento, força vital, energia, vitalidade; e áyáma cujo significado é expansão, intensidade. Ou seja, pránáyáma é a expansão da bioenergia através de técnicas respiratórias. Por outro lado, a respiração é um processo consciente e inconsciente ao mesmo tempo. Respiramos vinte e quatro horas por dia sem que percebamos, porém podemos influir no ritmo respiratório. Portanto, a respiração é um elo de ligação entre as funções conscientes e inconscientes do ser humano. Cada estado emocional possui um ritmo respiratório característico. Se estivermos dormindo, a respiração é abdominal e lenta. Se estivermos agitados, stressados, a respiração é superficial e torácica. Se estivermos em estado de vigília, a respiração tenderá a ser completa. Nesses estados emocionais, o ritmo respiratório é ajustado inconscientemente. Certas características da personalidade humana manifesta-se também na respiração. Pessoas tímidas ou medrosas tendem a ter uma respiração superficial. Elas não conseguem expor-se ao ambiente e interagir com ele de forma ampla. Ou seja, há um padrão normal de respiração para cada indivíduo dependendo das características pessoaisToda a tensão emocional é materializada, no plano físico, com uma contracção muscular. Estados duradouros de tensão emocional reflectem-se em estados duradouros de contracção muscular. Reich denominou esse fenómeno de couraça do carácter. Quanto maior a tensão emocional, maior é a couraça do carácter e mais superficial será a respiração.Entretanto, os efeitos da emoção na respiração podem-se notar, de maneira mais intensa, por ocasião de um facto especial. O encontro, por exemplo, com uma grande paixão. O coração acelera, o rosto esquenta, as mãos e os pés gelam e a respiração fica acelerada. Características semelhantes acontecem com um grande susto ou uma situação muito stressante. Os estados emocionais afectam a respiração e o contrário também é verdadeiro: a respiração afecta as emoções. Essa é uma chave fundamental. Se a timidez leva a uma respiração superficial e eu desejo vencer a timidez, posso utilizar uma respiração profunda. Portanto, uma das maneiras de administrar as emoções é a utilização de técnicas respiratórias.

Se as emoções se processam a nível inconsciente e provocam uma respiração determinada, a respiração consciente em determinado ritmo, leva a estados emocionais compatíveis. Entretanto, a respiração afecta não só as emoções, mas também os estados mentais. O fluxo do pensamento é determinado também pelo fluxo respiratório. Ou seja, respirar correctamente produz diversos efeitos: há aumento significativo da bioenergia; as emoções são facilmente administradas; e a mente fica serena.  O Yôga possui as retenções com ar e sem ar. Se as emoções e a mente são vinculadas ao fluxo respiratório, se pararmos de respirar temporariamente, nas retenções com ar ou sem ar, o fluxo das emoções e do pensamento também param. Quando isso acontece, estados superiores de consciência manifestam-se. São os respiratórios do Yôga (pránáyámas) que trabalham ritmo com retenções com ar e sem ar.

Outro respiratório muito utilizado no Yôga é a respiração do sopro rápido que leva a uma hiper-oxigenação do sangue. Quando bombeamos muito oxigénio no sangue, há oxigénio nos músculos. Com isso, há uma descontracção generalizada. Se as tensões emocionais levam a contracções musculares, a hiper-oxigenação leva ao relaxamento generalizado dos músculos e, como consequência, relaxamento das tensões emocionais.
As técnicas que aumentam a taxa de oxigénio no sangue também estimulam a kundaliní e os chakras, pois aumentam a energia biológica. Com o estímulo dos chakras o indivíduo adquire saúde excelente e desenvolve os poderes interiores. Com o estímulo da kundaliní, o indivíduo atinge estados superiores de consciência e o conhecimento completo de si mesmo e da natureza.

Veja que tanto as técnicas que aumentam significativamente o oxigénio do sangue, bem como os respiratórios ritmados com retenções com ar ou sem ar são úteis para o ser humano. Para utilizar de maneira eficaz, o praticante deverá procurar um instrutor de Yôga formado para trabalhar os dois elementos de forma segura e eficaz. Isso por que, as grandes retenções com ar e, mesmo as não tão longas retenções sem ar, reduzem significativamente o oxigénio do sangue. Se isso não for bem dosado, poderá provocar consequências não agradáveis. Portanto, não se aventure por conta e risco, se não estiver seguro do que está fazendo. Nessa matéria, somente ensinaremos técnicas seguras.
Os resultados aparecem de imediato? Quando você faz uma prática de respiratórios e faz respirações profundas, você altera os estados emocionais e mentais. É só parar de fazer o respiratório (pránáyáma) e a respiração volta a ser a mesma. A razão é simples: se você respirou de forma incorrecta por vinte e dois anos, não é em uma prática que esse ritmo é restabelecido.
Mas o caminho é esse. Você respira bem durante a prática. Com a repetição da prática, aos poucos, a sua respiração correta cada vez mais passa a fazer parte da sua vida. É bom frisar que não há magia. O resultado depende da prática constante, contínua e frequente.

Para o desenvolvimento adequado das técnicas respiratórias, o correto é você encontrar um instrutor de Yôga formado. Porém, há técnicas simples que podem ser executadas sem qualquer risco e excelentes resultados.
O livro Tratado de Yôga do Mestre De Rose, internacionalmente reconhecido por ter resgatado o Yôga Antigo do inconsciente colectivo, relaciona cinquenta e oito técnicas respiratórias diferentes. Entre elas temos respiratórios para activar os chakras e a kundaliní. Esses respiratórios são para praticantes avançados.
Uma técnica simples, porém muito eficiente, é a respiração completa. Conhecido como rája pránáyáma. Sente-se numa posição firme e confortável. Inspire projectando o abdómen para fora, continue inspirando expandindo as constelas para os lados e dilatando a parte mais alta do tórax. Retenha o ar nos pulmões por alguns instantes. Expire soltando a parte alta, depois a média e finalmente a parte baixa dos pulmões. Faça essa respiração por dez minutos e vá aumentado o tempo aos poucos. Qualquer técnica respiratória tem de ser gostosa. Não pode produzir cansaço nem desconforto. A face deve manter-se serena e os batimentos cardíacos não podem acelerar.Outra técnica interessante é executar o respiratório ritmado enquanto caminha. Você inspira em quatro passos. Retém o ar nos pulmões cheios por quatro passos. Expira nos outros quatro passos. Repita o ciclo enquanto caminha. Você pode ajustar o ritmo ao seu organismo. Se quatro for algo que leve ao desconforto ou falta de ar, você inspira em três passos, retém em três e expira em três. Ou seja, você pode aumentar ou diminuir o tempo de acordo com o seu ritmo biológico. Não poderá haver cansaço, falta de ar ou desconforto. Lembre-se sempre de respeitar o seu corpo. Não o agrida.

O antara kúmbhaka é um excelente respiratório. Sentado numa posição firme e confortável, você inspira expandindo o abdômen, as costelas e o alto do
tórax em quatro segundos. Retém com os pulmões cheios contando oito segundos. Expira primeiro a parte alta, depois a média e finalmente a baixa em quatro segundos. É o respiratório ritmado. A proporção aqui ensinada é 1:2:1 (inspiração: retenção com ar: expiração), ou seja, o tempo de retenção com ar é o dobro da inspiração e o tempo da expiração é igual ao da inspiração. Outro ritmo interessante, porém mais avançado, é 1:4:2. Nesse caso, a retenção com ar é quatro vezes o tempo da inspiração e a expiração é o dobro do tempo da inspiração. Assim, por exemplo, se você inspira em quatro segundos, a retenção com ar é em dezasseis segundos e a expiração é em oito segundos. Nessa técnica, não há retenção sem ar. As retenções sem ar não devem ser feitas, sem o acompanhamento de um instrutor de Yôga formado.

O ritmo na respiração produz efeitos fantásticos. Um ritmo suave, cadenciado e fluido deixará as suas emoções e a sua mente, suave, cadenciada e fluida. A respiração ritmada detona qualquer stress. Porém, o ritmo deve ser suave. Não deverá haver ruído e a respiração deverá ser, nesses casos acima, sempre nasais. Ou seja, o ritmo deve ser suave como uma pluma solta ao vento. Não poderá haver cansaço, transpiração, aceleração cardíaca ou desconforto. Qualquer desses sinais significa que você está exagerando na prática. Reduza o tempo de prática ou o ritmo dos respiratórios.
Além dos ritmos aqui ensinados, temos vários outros. Há as contracções de glândulas e plexos – as bandas, as mentalizações e as canalizações energéticas. Para isso, faz-se necessária a bibliografia especializada.
Uma excelente possibilidade é a prática orientada por CD. Há a Prática Básica do Mestre De Rose que ensina os fundamentos de dezasseis respiratórios diferentes. O livro Pránáyáma do André Van Lysebeth, Presidente da Federação Belga de Yôga, é também um livro recomendado.

Texto do Professor Clélio Berti