Desafio 30 dias: alcance as suas metas, crie novos hábitos!

Setembro está a chegar e é uma altura do ano muito parecida com o ano novo. E porquê? Por que no final das férias é muito comum criarmos uma lista de objectivos a atingir na nova época.

Faça a sua lista e experimente colocar o seu desafio em prática por 30 dias, como sugere Matt Cutts, que sua palestra Ted Talk,  propõe um método simples de estabelecer novos objetivos e alcançar metas a que chamou: desafio 30 dias.

 

Petição por presença: esteja apenas aqui comigo

Morgan Day Cecil, professora de Yoga, criou um projecto chamado #justbewherewihtme.

“O projeto foi criado para ajudar cada um de nós a reinvestir parte daquele precioso tempo e atenção que normalmente gastamos nas redes sociais para outras partes da vida – especificamente para as pessoas e projectos que fazem o nosso coração vibrar. Respire fundo e acalme-se. Ouça profundamente. Consegues ouvir isto? Alguém (uma criança, uma esposa, talvez um velho amigo) ou algo (um projecto criativo, uma nova aventura, a vida lá fora) pode estar a sussurrar, esteja apenas aqui comigo.” Morgan Day Cecil

Para saber mais sobre o projecto, visitem o site da autora.

Petição Por Presença: Apenas esteja aqui comigo

Assinado: A Lua. As estrelas. O verão. A sua chávena de café ainda quente. A sua filha. O seu filho. O seu amor. O seu coração. A erva verde. As flores selvagens. As águas em que tanto quereres nadar. A cor amarela. A cor azul. O seu poema favorito. O seu cobertor favorito. O vento no seu cabelo. As ondas do mar. O ar da montanha. O seu pai. A sua mãe. A chuva. O sorvete. A manteiga que derrete com o alho na frigideira. O senhor da mercearia com olhos tristes e gentis. Os cartões postais que esperam para serem enviados. O esquilo da cidade. O esquilo do país. Júpiter. O álbum de fotos. O rosário da sua avó. A sua música favorita. Papel e caneta. O seu melhor amigo. O dinheiro na sua carteira. O garfo na sua mão. Pincéis e tintas. A postura do cachorro. A cor turqueza. O quase invisível tom de rosa. Deus. O horizonte. A terra sob os seus pés.O seu projeto de paixão. A sombra de uma árvore gigante. Este momento, aqui e agora. Os seus ossos. A sua gargalhada de doer. A sua respiração. A sua respiração. A sua respiração.

Higiene Emocional

Aprendemos a cuidar da nossa higiene física. Tomamos banho todos os dias, escovamos os dentes, vestimos roupas limpas e por aí vai. São hábitos que incorporamos.

Mas e a higiene emocional, como anda a sua? Tem se preocupado com ela?

Guy Winch é psicólogo e autor do livro “Como Curar As Suas Feridas Emocionais”, e procura ensinar os seus leitores a melhorar a sua “higiene emocional”, ou seja, a cuidar da forma como as suas emoções actuam e o seu impacto no resto do corpo. Através de muita pesquisa e da vivência com seus pacientes, Winch desenvolveu uma série de orientações que actuam como um verdadeiro kit de primeiros socorros psicológico:

1. A sua saúde mental também precisa de atenção

2. Pratique higiene emocional como se fosse higiene pessoal

3. Proteja a sua autoestima

4. Evite ruminar eventos passados negativos

5. Interrompa pensamentos negativos

Evolui

Algumas constatações evolutivas que já deves ter vivido mas ainda não tiveste consciência.

1- O outro não existe para te agradar.

2- Ninguém é culpado pelo que estás a sentir. És tu que optas pelos sentimentos que tens neste momento.

3- A arte de viver sem expectativas e, sim, com perspectiva é a chave para não se frustrar.

4- Cura em ti o vício da necessidade de aprovação do outro. Só assim, poderás desfrutar da ousadia e confiança natural do seu espírito.

5 – Tu não tens controle de nada, por mais que acredites que tenhas. Lembra-te, daqui a pouco a Terra irá reivindicar o teu corpo e deixarás este planeta para ingressar numa nova fase de existência. Abre mão do controle, só assim terás domínio sobre ti mesmo e sobre a tua vida. Controle é um reflexo do medo, domínio é um reflexo do estado de ausência absoluta de tensão interna.

6- Não te deformes nem te descaracterizes para tentar “caber” no espaço apertado do pensamento que o outro tem em relação a ti. Isso não vai dar certo. Quando tu te deformas para agradar a alguém, a tua luz apaga-se e és apenas tu que ficas no escuro e te sentes perdido.

7- Não acredites no que os outros te dizem, por mais romântico e poético que possa ser. O que importa são as atitudes e não as palavras.

8 – Abandona o orgulho e o delírio de acreditar que tudo vai ser como tu queres.

9 – Tudo é passageiro. De perto a vida é uma tragédia, de longe é uma comédia. Daqui a pouco vais rir de todos os dramas que criaste. Pois tudo passa.

10 – Tu és responsável por tudo que está a acontecer na tua vida. Os teus pensamentos e sentimentos predominantes irão formatar a tua realidade; quer tu queiras, quer não. Portanto, se quiseres mudar a tua realidade, muda os teus pensamentos e sentimentos.

11- Carência emocional não é a necessidade de receber e, sim, de se dar. Só tu poderás suprir tuas necessidades emocionais. Projectá-las em alguém é o mesmo que pedir para que alguém se alimente para saciar a tua fome.

12 – Vive com simplicidade e com mais realidade. Só assim, quem realmente és, vai surgir de verdade. Ri mais e não leves tudo tão a sério. Afinal de contas, a essência da vida é descobrir-se e desfrutar desta maravilhosa aventura chamada evolução.

Adaptado de um texto da Autoria de Horácio Frazão.

Maturidade Espiritual

Mestre, o que é veneno?
– Qualquer coisa além do que precisamos é veneno. Pode ser poder, preguiça, comida, ego, ambição, medo, raiva, ou o que for.
Mestre, o que é o medo?
– Não aceitação da incerteza. Se aceitamos a incerteza, ela se torna aventura.
Mestre, o que é a inveja?
– Não aceitação do bem no outro. Se aceitamos o bem, torna-se inspiração.
Mestre, o que é raiva?
– Não aceitação do que está além do nosso controle. Se aceitamos, torna-se tolerância.
Mestre, o que é ódio?
– Não aceitação das pessoas como elas são. Se aceitamos incondicionalmente, então torna-se amor.

Mestre, o que é maturidade espiritual?
1. É quando paras de tentar mudar os outros e te concentras em mudar a ti mesmo.
2. É quando aceitas as pessoas como elas são.
3. É quando entendes que todos estão certos na sua própria perspectiva.
4. É quando aprendes a “deixar ir”.
5. É quando és capaz de não ter “expectativas” num relacionamento, e te doas pelo bem de te doares.
6. É quando entendes que o que fazes, fazes para a sua própria paz.
7. É quando paras de provar para o mundo, o quão inteligente és.
8. É quando não buscas a aprovação dos outros.
9. É quando paras de te comparar com os outros.
10. É quando estás em paz contigo mesmo.
11. Maturidade espiritual é quando és capaz de distinguir entre “precisar ” e “querer” e és capaz de deixar ir o teu querer.
E por último, mas mais significativo!
12. Ganha maturidade espiritual quando paras de anexar “felicidade” em coisas materiais!

A fórmula da felicidade

E se a felicidade tiver uma fórmula?
Parece redutor, mas é também desafiante. Eduardo Punset, escritor e divulgador científico espanhol dedicou-se a esse objectivo. Para tal reuniu-se com alguns dos mais prestigiados cientistas no campo da felicidade. O resultado desses encontros é “Viagem à Felicidade”, um livro que nos dá conta das novas chaves chaves científicas no caminho do bem-estar emocional.

O que é a felicidade?
Segundo Eduardo Punset é uma das emoções básicas e universais do ser humano e uma das protagonistas da nossa vida emocional. Como todas as emoções básicas e universais, é efémera por isso não nos podemos dar ao luxo de não a procurar.

Factores redutores de bem-estar (R)
O medo é o principal obstáculo da felicidade, mas há outros como convicções que assimilamos teoricamente. “Desaprender a maior parte das coisas que nos ensinaram é mais importante do que aprender”, refere o autor.

Carga hereditária (C)
Algumas características, fruto da herança genética, podem afectar os mecanismos do bem-estar. Neste caso, “a única coisa que se pode fazer é ter consciência da sua presença”, diz. O envelhecimento e o stress estão também incluídos nesta variável.

Factores Significativos (E,M, B e P)
E de emoção. Qualquer projecto ou tarefa que nos propomos fazer deverá ser realizado com emoção.
M de manutenção. Para sermos mais felizes devemos dedicar-nos às pequenas coisas do dia-a-dia; dar mais importância ao trabalho desenvolvido do que ao resultado final.
B de prazer na busca. Na busca e na expectativa radica a felicidade.
P de relações pessoais. A nossa felicidade depende em grande parte das relações que desenvolvemos com os outros.

Insatisfeitos Positivos

A insatisfação faz parte da natureza humana. Por buscar soluções para minimizá-la, a humanidade desenvolveu, ao longo de sua história, o avanço tecnológico que usufruímos hoje. Essa inquietude tem um lado negativo quando dispersa o indivíduo e o distancia dos seus objectivos, o que resulta em ansiedade e frustração.

Quando a insatisfação se direcciona para o aprimoramento, ela torna-se positiva. Ter em mente que, independentemente da condição actual, pode-se melhorar sempre. Com isso, estabelece-se uma meta, uma proposta de auto-superação e para triunfar é necessário focar – concentrar. Ter uma boa concentração depende de treino. Da mesma forma que os músculos se fortalecem com exercício físico, o cérebro desenvolve-se com técnicas de concentração e meditação.

Uma pesquisa feita pela Medical Harvard School , nos EUA, em conjunto com um instituto de neuroimagem na Alemanha e a Universidade de Massachussets comprovou que em apensas oito semanas de meditação ocorreram alterações no cérebro de praticantes adultos iniciantes. Houve um aumento da massa cinzenta em regiões relacionadas com aprendizagem, memória, empatia e stress. As conclusões foram feitas após comparações entre as ressonâncias magnéticas dos que praticaram a meditação e de um grupo que não fez as aulas.

A meditação originou-se na Índia, e foi desenvolvida pelos yogins há milénios. O termo técnico é dhyána e diferente do que significa em português, consiste em parar as ondas mentais, ou não pensar. Hoje faz parte da rotina de atletas, executivos, estudantes, a fim de melhorar o desempenho físico e cerebral.

Apesar de o tema ter um ar de mistério, a técnica é muito simples, mas precisa de treino diário para perceber um progresso efectivo. Na pesquisa citada acima, o grupo treinou 30 minutos por dia e obteve um resultado considerável. Sugere-se que o aumento seja gradual até conseguir alcançar esse tempo. Para sentir como funciona, escolha um local agradável, sente-se numa posição confortável, feche os olhos, e observe a respiração. No início dispersará muito, mas com a prática conseguirá reduzir consideravelmente a dispersão mental.
Quando dispersos estamos em devaneio, ou ausentes. Estar concentrado significa estar atento, alerta, ligado, presente.

Adaptado da Professora Rosângela de Castro
(Professora convidada do nosso próximo Intensivo de Yoga)

Na Casa do Yoga a meditação está incluída em cada prática e além disso todas as sextas juntamos um grupo para praticar.

Tao Porchon-Lynch

Aos 98 anos, Tao Porchon-Lynch inspira pessoas de todo o mundo com a sua história de vida. Ela é a professora de Yoga mais velha do mundo e faz disso uma verdadeira lição por onde passa: “Tudo é possível, nada é impossível. Quando acordar todos os dias pela manhã, diga: ‘Este será o melhor dia da minha vida”. E será!”, diz.

A revista Marie Claire publicou um artigo sobre ela:

http://revistamarieclaire.globo.com/Noticias/noticia/2017/01/aos-98-anos-ela-e-instrutora-de-ioga-e-otima-conselheira-de-vida.html

A Casa de Hóspedes

Este ser humano é uma casa de hóspedes.
Todas as manhãs, uma nova chegada.

Uma alegria, uma depressão, uma maldade,
uma consciência momentânea,
com visitantes inesperados.

Dá-lhes as boas-vindas e acolhe-as a todas!
Ainda que sejam uma multidão de penas,
que varrem com violência a tua casa
esvaziando-a de todos os teus móveis,

ainda assim, faz as honras a cada hóspede.
Eles podem estar a preparar-te
para um novo prazer.

A tristeza, a vergonha, a malícia,
recebe-as à porta com um sorriso,
e convida-as a entrar.

Mostra-te agradecido por quem chega,
pois cada visita foi enviada
como um guia do além.

Rumi

Este  poema do mestre sufi Rumi, transmite uma mensagem importante em relação à forma como nos devemos relacionar com as nossas emoções negativas.

Diz-me o que pensas e te direi o que te tornarás.

Se não me engano, foi a TV Cultura que há alguns anos exibiu uma matéria sobre pensamento positivo, formatação de arquétipos ou qualquer tema correlato.

Lembro-me dela até hoje, pois dentre outras coisas, demonstrava um estudo feito com homens e mulheres de diversas áreas e isso, prendeu minha atenção. Era baseado em um exercício que consistia no poder de imaginação e não dispersão de algumas pessoas. Eles tinham que fechar os olhos e visualizar um enorme salão no qual se encontravam várias pessoas conhecidas, como o chefe e colegas do trabalho, parentes, amigos, ex-namorados (as) e afins. Em seguida, se imaginavam atravessando o salão carregando diversos copos cheios d’água dispostos em uma travessa. Executavam isso mentalmente por alguns instantes, abriam os olhos e iniciavam a breve narração do que havia ocorrido nas profundezas de sua imaginação.

E para nossa confirmação de que como o ser humano ainda está anos-luz de conseguir controlar o que pensa, os relatos foram até engraçados. A maioria não conseguiu completar a travessia intacta. Durante o trajeto, imaginaram-se tropeçando em tapetes, derrubando os copos em cima do chefe, escorregando, e conseqüentemente sendo motivo de chacota para todo o resto do virtual público.

Significativa a percepção da demasiada importância que eles e nós, de uma forma geral, damos à opinião das outras pessoas, pois, no meu entender, foi essa a razão básica para os acontecimentos acidentais deste exercício. Assisti este documentário uma única vez, e infelizmente nunca mais tive a oportunidade de revê-lo. No entanto, desde então, ele é freqüentemente citado nos meus cursos de mentalização, pois ilustra claramente o que chamo de auto-sabotagem em primeiro grau.

Desde criança leio que devemos nos atentar aos pensamentos, pois eles se transformam em palavras, as quais por sua vez tornam-se ações que viram hábitos, e estes, controlarão nosso destino. Por isso, se lá em cima, no primeiro escalão, na nascente da primavera dos pensamentos, recebemos a ordenação errada ou confusa, todo o resto do processo será prejudicado.

No famoso livro A Arte da Guerra, o general Sun-Tzu escreve: “Se as ordens do comando não forem bastante claras, se não forem totalmente compreendidas, então a culpa é do general” Trazendo isso para o tema deste artigo, se a informação que provém do corpo mental não for clara, os soldados das ações e do acaso, talvez não concluam da forma que o “chefe” havia previsto.
Se você lidera alguma coisa, sabe muito bem do que estou falando.

“Os pensamentos são como pedras: constroem, soterram e matam”.
Mestre DeRose

É de fundamental importância que reeduquemos e treinemos nossa mente para que atue em parceria conosco e não contra. Não obstante, isso exige muita perseverança, treino e disciplina, pois, como disse certa vez, um mestre de Yôga hindu: “A conquista dos pensamentos é mais difícil que a conquista do
mundo pelas armas”. E eu, meu amigo, possa atestar que isso é a mais pura verdade.

Agora, preste atenção ao que existe em sua volta; quase tudo que vê, foi inicialmente pensado por alguém. E com o ambiente a sua volta não foi diferente, desde sua construção física, até projetos e ações estratégicas, tudo foi elaborado prévia e mentalmente por alguém. Primeiro formatamos o plano mental, para
depois concretizarmos na dimensão material.

Proponho, aqui e agora, um exercício para rápida averiguação do que tem refletido a sua mente. É uma forma de mapeamento das vibrações mentais. Pode até ser feito neste exato momento por você. Feche os olhos por alguns instantes e deixe sua mente vagar, sem que tente manipular os próprios pensamentos, ou em outras palavras, escolhê-los. Não interfira, seja simplesmente um mero espectador daquilo que brota nos sulcos de seu sub-consciente e inconsciente.

À medida que as ondulações mentais brotam do “nada”, você deve catalogá-las com definições de positivo, negativo ou indiferente, de acordo com sua interpretação. Repito, é relevante a sua não interferência para a obtenção daquilo que deseja obter como resultado. Deixe fluir, como folha seca ao vento, e vá contando quantos positivos, negativos e indiferentes são gerados. Após alguns instantes que podem ser segundos ou minutos (fica a sua escolha), abra os olhos e cheque a contagem.

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No caso dos positivos terem chegado à frente, parabéns, é sinal que há um “otimismo” em algum lugar desta complexidade toda. No caso da indiferença ter vencido, vale uma observação investigativa: será que é algo próximo da equanimidade ou será que provêm da falta de perspectivas ou até mesmo, de ambição positiva? E se a produção de negativos foi maior, recomendo uma atenção especial às suas futuras flutuações psíquicas, para que lentamente, vá descobrindo as raízes desses moldes pensativos.

Bem, trocando isso em miúdos para sua família, é necessário que as mentes de todo o material humano, desde os pais até os filhos, transitem com maior frequência e naturalidade dentro
de moldes qualificados para a obtenção do sucesso do que quer que se deseje. No entanto, não vamos confundir com a batida e muitas vezes tão mal exposta idéia de que é só pensar positivamente e tudo dará certo. Essa atitude interior é de extrema importância, mas não possuirá grande força se não estiver inserida dentro de uma grande teia de conceitos, compreensões e, sobretudo, ações.

De pouco adianta, ficar somente na ideação de algo positivo sem realmente colocar suas ferramentas de ação em prol daquilo que foi arquitetado nos recônditos de sua cabeça pensante.

Texto do Professor Fábio Euksuzian originalmente publicado na edição 23 da Revista Vegetarianos.

O cesto e a água

Num velho mosteiro chinês, o discípulo acerca-se do mestre e pergunta:

– Por que devemos ler, estudar, considerar e refletir sobre a sabedoria se nós não conseguimos memorizar tudo e, com o tempo, acabamos por esquecer? Somos obrigados, constantemente, a relembrar o que já não está nas nossas memórias.

O mestre ficou uns instantes em silêncio, fitando o horizonte e depois ordenou ao discípulo:

– Pegue naquele cesto de junco, desça até o riacho, encha o cesto de água e traga-o até aqui.

O discípulo olhou para o cesto sujo e achou muito estranha a ordem do mestre, mas mesmo assim obedeceu.

Pegou o cesto, desceu os cem degraus da escadaria do mosteiro até ao riacho, encheu o cesto de água e começou a subir de volta. Como o cesto era todo cheio de furos, a água foi escorrendo e quando chegou até o mestre já não restava mais nada.

O mestre perguntou-lhe:

– Então, meu filho, o que  aprendeste?

O discípulo olhou para o cesto vazio e disse jocosamente:

– Aprendi que cesto de junco não segura água.

O mestre ordenou-lhe que repetisse o mesmo processo.

Quando o discípulo retornou com o cesto vazio outra vez, o mestre fez a mesma pergunta:

– Então, meu filho, o que aprendeste?

O discípulo respondeu com um certo sarcasmo:

– Que cesto furado não segura água!

O mestre, então, continuou a pedir ao  discípulo que repetisse a tarefa.

Depois da décima vez, o discípulo estava desesperadamente exausto de tanto descer e subir as escadarias. Porém, quando o mestre lhe perguntou de novo:

– Então, meu filho, e agora, o que aprendeste?

O discípulo, olhou para dentro do cesto e percebeu admirado:

– O cesto está limpo!

Apesar de não segurar a água, a repetição constante de encher o cesto acabou por lavá-lo e deixá-lo limpo.

O mestre, por fim, concluiu:

– Não importa que não consigas memorizar todos os ensinamentos adquiridos ao longo de tua vida. No processo de te conectares diversas vezes à sabedoria a tua mente e o teu coração vão se depurando. Inúmeros preconceitos se abrandam; a intolerância cede lugar à lucidez; a destrutividade, à criatividade; a oposição e competição gratuitas e infundadas, à cooperação … Nesse processo, o homem vai sendo continuadamente tocado pela sabedoria, vai se “limpando” dos seus aspectos grotescos e sombrios e torna-se verdadeiramente humano!

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O Vaso

Certo dia, num mosteiro zen-budista, com a morte do guardião foi preciso encontrar um substituto. O grande Mestre convocou então todos os discípulos para determinar quem seria o novo sentinela. O Mestre, com muita tranquilidade, disse:

–  Assumirá o posto o primeiro monge que resolver o problema que vou apresentar.

Então, ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala onde estavam reunidos e, em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo e disse apenas:

– Aqui está o problema!

Todos ficaram a olhar a cena. O vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro. O que representaria? O que fazer? Qual o enigma?

Nesse instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e … ZAPT … destruiu tudo, com um só golpe. Tão logo o discípulo retornou a seu lugar, o Mestre disse:

–  Tu serás o novo Guardião do Castelo.

Moral da História: Não importa qual o problema. Nem que seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado. Um problema é um problema. Mesmo que se trate de uma mulher sensacional, um homem maravilhoso ou um grande amor que se acabou. Por mais lindo que seja ou, tenha sido, se não existir mais sentido para ele na sua vida, tem que ser suprimido.

Muitas pessoas carregam a vida inteira o peso de coisas que foram importantes no passado, mas que hoje somente ocupam um espaço inútil nos seus corações e mentes. Espaço esse indispensável para recriar a vida. Existe um provérbio oriental que diz: “Para beberes vinho numa taça cheia de chá é necessário primeiro deitar o chá fora, para então, beber o vinho.”

Ou seja, para aprender o novo, é essencial desaprender o velho.

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