Para começar a meditar


Meditar não é coisa que se consiga da noite para dia. É uma prática que exige disciplina e perseverança. Na nossa cultura estamos o tempo todo voltados para o mundo externo. Crescemos com estímulos constantes à nossa volta: televisão, rádio, propaganda, internet, telemóvel… uma infindável poluição sonora e visual.

Procure tirar um momento todos os dias para praticar meditação.

Sente-se numa posição confortável. Não precisa ser necessariamente na posição de lótus, mas a coluna deve estar erecta. Feche os olhos, ou os deixe semicerrados. Respire pelo nariz. Não force a respiração, deixe-a fluir livremente. Concentre-se nela. Desligue-se do passado e do futuro, traga a atenção para o momento presente. Pronto! Meditar é simplesmente isso. Tão simples… mas tão profundamente

No início é difícil, a todo momento a mente dispara pensamentos. Até aprender a não  os seguir, a simplesmente deixá-los passar sem se identificar com eles, leva algum tempo. Comece com um minuto, aumente para cinco, depois para dez… e assim por diante.

 

Insatisfeitos Positivos

A insatisfação faz parte da natureza humana. Por buscar soluções para minimizá-la, a humanidade desenvolveu, ao longo de sua história, o avanço tecnológico que usufruímos hoje. Essa inquietude tem um lado negativo quando dispersa o indivíduo e o distancia dos seus objectivos, o que resulta em ansiedade e frustração.

Quando a insatisfação se direcciona para o aprimoramento, ela torna-se positiva. Ter em mente que, independentemente da condição actual, pode-se melhorar sempre. Com isso, estabelece-se uma meta, uma proposta de auto-superação e para triunfar é necessário focar – concentrar. Ter uma boa concentração depende de treino. Da mesma forma que os músculos se fortalecem com exercício físico, o cérebro desenvolve-se com técnicas de concentração e meditação.

Uma pesquisa feita pela Medical Harvard School , nos EUA, em conjunto com um instituto de neuroimagem na Alemanha e a Universidade de Massachussets comprovou que em apensas oito semanas de meditação ocorreram alterações no cérebro de praticantes adultos iniciantes. Houve um aumento da massa cinzenta em regiões relacionadas com aprendizagem, memória, empatia e stress. As conclusões foram feitas após comparações entre as ressonâncias magnéticas dos que praticaram a meditação e de um grupo que não fez as aulas.

A meditação originou-se na Índia, e foi desenvolvida pelos yogins há milénios. O termo técnico é dhyána e diferente do que significa em português, consiste em parar as ondas mentais, ou não pensar. Hoje faz parte da rotina de atletas, executivos, estudantes, a fim de melhorar o desempenho físico e cerebral.

Apesar de o tema ter um ar de mistério, a técnica é muito simples, mas precisa de treino diário para perceber um progresso efectivo. Na pesquisa citada acima, o grupo treinou 30 minutos por dia e obteve um resultado considerável. Sugere-se que o aumento seja gradual até conseguir alcançar esse tempo. Para sentir como funciona, escolha um local agradável, sente-se numa posição confortável, feche os olhos, e observe a respiração. No início dispersará muito, mas com a prática conseguirá reduzir consideravelmente a dispersão mental.
Quando dispersos estamos em devaneio, ou ausentes. Estar concentrado significa estar atento, alerta, ligado, presente.

Adaptado da Professora Rosângela de Castro
(Professora convidada do nosso próximo Intensivo de Yoga)

Na Casa do Yoga a meditação está incluída em cada prática e além disso todas as sextas juntamos um grupo para praticar.

Não pratique meditação

Não pratique meditação
Por Vernon Maraschin
Retirado da página do Autor

Desde a virada do ano, decidi que iria começar a treinar meditação com mais afinco. Como eu sempre fui muito distraído, esta parte técnica do Método DeRose sempre me escapava. Durante anos eu investi muito tempo da minha prática pessoal em técnicas respiratórias. Eu achava que elas poderiam se desenvolver naturalmente para uma concentração maior. Foi exatamente isso o que aconteceu e senti que era chegada a hora de investir mais na meditação.

Já faz dois meses desde que comecei. Nas primeiras duas semanas eu apenas me sentava ao lado da cama com as pernas cruzadas e treinava até os pés formigarem. Depois de 15 dias a disciplina estava tão gostosa que comecei a fazer o mesmo na parte da manhã também. Apesar de pouco tempo, muitos resultados positivos já começaram a aparecer. Me senti mais centrado, atento, produtivo e lúcido. Mas ao mesmo, alguns sintomas inesperados vieram à tona. Sensações que me fizeram pensar que, existem casos em que você não deve praticar a meditação.

Não pratique meditação se você empurra os compromissos com a barriga. O hábito de procrastinar é fatal durante o treinamento da meditação. Estes veios abertos, as responsabilidades do dia-a-dia surgem como disperssões mentais que implodem o exercício.
Não pratique meditação se você varre a sujeira emocional para debaixo do tapete. Todos nós nos conhecemos muito bem. A ponto mesmo de sabermos exatamente de nossos pontos fracos e faltas de caráter. Uma prática de meditação verdadeira irá escancarar estas nossas características menos boas e nos impelir a transformá-las.

Não pratique meditação se você não estiver aberto às mudanças. Toda expansão de consciência resulta inevitavelmente em uma transformação pessoal. Se não pretende mudar hábitos, aprimorar comportamentos, questionar conceitos pré-estabelecidos, melhor deixar esse treinamento mais para a frente.
Não pratique meditação se você não quer assumir as rédeas da sua vida. Vitimização e autoconhecimento não combinam. Não existe espaço para justificativas, lamentações e dúvidas. Sentado sozinho e no escuro é impossível apontar o dedo para fora de si mesmo.

Não pratique meditação se você fuma, bebe, come carnes ou usa drogas. A prática diária da concentração mental irá ativar poderosamente as energias internas do corpo. Se o sistema estiver esclerosado, a energia não irá fluir como deve. O resultado disso será imprevisível. Na melhor das hipóteses o exercício se mostrará totalmente inócuo, representando uma enorme perda de tempo.

Programa 31 dias de Meditação

 

31 dias meditação 3

Datas:
Inicio a 19 de Abril
Fim a 19 de Maio
Sessões Terças e Sextas às 20h

Destinatários:
– quem nunca praticou meditação ou tem pouca experiência

Programa:
Duas sessões por semana com duração se uma hora. (Inclui algumas noções teóricas, prática de meditação e algum tempo para dúvidas/questões, além de um pequeno caderno com exercícios.)
Pretende-se que nos restantes dias da semana o praticante faça as suas práticas de meditação em casa seguindo as instruções que vão sendo dadas nas sessões semanais.

Teoria:
O que é a meditação
Mitos sobre a Meditação
A natureza da mente

Meditação passo a passo
Estabelecer uma prática diária
Posição física, tempo para praticar, escolher um horário, estabelecer um espaço.
Cultivar a meditação ao longo do dia

Superar os obstáculos
O passado, o presente, o futuro, as memórias, os sonhos.

A importância da estabilidade
Alguns Mestres famosos
Benefícios da meditação
Os vários tipos de Meditação

Informações & Inscrições:
escola@yogabraga.com
938321482 ou 962779039
ou visitando-nos de segunda a sexta, das 11h às 13 e das 15h às 20h

Porquê praticar meditação?

“Se nos observarmos com atenção é fácil vermos que somos uma mistura de luz e de sombra, de qualidades e de defeitos. Um dos principais obstáculos que enfrentamos é uma convicção profunda e muitas vezes inconsciente de que nascemos da forma que somos e não podemos fazer nada para alterar isso. Com esta atitude, subestimamos significativamente a nossa capacidade de mudança.

A nossa mente pode ser a nossa melhor amiga ou a nossa pior inimiga. O objectivo da meditação é transformar a mente. Perdemos uma grande quantidade de tempo consumidos por pensamentos dolorosos, atormentados pela ansiedade ou a raiva. Seria um alívio, se pudéssemos dominar a nossa mente até ao ponto onde poderíamos estar livres dessas emoções perturbadoras.

Facilmente se aceita a noção de que passamos anos a aprender a andar, ler e escrever, ou a adquirir competências profissionais. Passamos horas a praticar exercício físico, com o objectivo de ficarmos em forma. Fazemos isso porque acreditamos que esses esforços nos trazem benefícios a longo prazo. Trabalhar com a mente segue a mesma lógica. Isso não vai acontecer apenas por se desejar. A meditação é uma prática que faz com que seja possível cultivar e desenvolver certas qualidades humanas básicas positivas, da mesma maneira que outras formas de treino tornam possível adquirir qualquer outra competência. O objectivo da meditação não é desligar a mente ou anestesiá-la, mas torná-la livre, lúcida e equilibrada.

Ao longo dos últimos 10 anos, uma série de programas de investigação científica têm sido dirigidos para documentar os efeitos de longo prazo da prática de meditação no cérebro e no comportamento. Esta pesquisa tem demonstrado que é possível fazer progressos significativos no desenvolvimento de qualidades como a atenção, o equilíbrio emocional, o altruísmo e a paz interior. Outros estudos têm demonstrado os benefícios da meditação com uma prática de apenas 20 minutos por dia durante um período de oito semanas. Essas vantagens incluem uma redução na ansiedade e na tendência para a depressão e raiva, bem como o fortalecimento do sistema imunológico e um aumento do bem-estar geral.

Praticar meditação pode permitir que os nossos dias desenvolvam uma nova “fragrância”. Os seus efeitos podem permear a nossa visão e a abordagem das coisas que fazemos, bem como as nossas relações com as pessoas ao redor. A meditação permite-nos experimentar a vida com mais serenidade, estando mais abertos a tudo o que acontece e encarando o futuro com confiança. Essa transformação permite-nos actuar de forma mais eficaz no mundo em que vivemos e contribuir para a construção de uma sociedade mais sábia, altruísta e com mais amor.”

Matthieu Ricard

Matthieu Ricard – Sobre a Meditação

Jean-François Revel – Indo um pouco além das metáforas, que mecanismo é esse exactamente?

Matthieu Ricard – Para o podermos começar a ver em acção, primeiro precisamos de tentar parar o fluxo de pensamentos que nos inunda, ainda que apenas por um instante. Sem prolongarmos pensamentos passados e sem convidarmos pensamentos futuros, simplesmente permanecemos, ainda mesmo que fugazmente, atentos ao momento presente, livres de quaisquer pensamentos discursivos.

Pouco a pouco, conseguimos tornarmo-nos melhores a ficarmos um pouco mais naquele estado de atenção. Enquanto existirem ondas num lago, as suas águas não serão nítidas. Mas se as ondas pararem, a lama desce para o fundo do lago e a nitidez cristalina da água regressa. Da mesma forma, quando os pensamentos discursivos acalmam, a mente torna-se mais clara e é mais fácil descobrirmos a sua verdadeira natureza.

Depois torna-se necessário examinarmos a natureza destes pensamentos discursivos. Para o fazer, podemos até deliberadamente fazer despertar algumas emoções fortes em nós, talvez pensando em alguém que nos magoou, ou ao contrário, em alguém que desperta o nosso desejo. Deixamos essa emoção aparecer no campo da nossa consciência, e depois “tratamo-la” com a nossa percepção interna, alternando entre uma investigação analítica e uma contemplação pura. No início, essa emoção domina-nos e faz-nos obcecar nela. Regressa constantemente. Mas continuemos a examiná-la cuidadosamente. De onde é que ela obtém a sua aparente força? Ela não tem qualquer capacidade intrínseca para magoar, como algumas criaturas de carne e osso. Onde é que ela estava antes de ter aparecido? Quando ela aparece na nossa mente, tem alguma característica – uma localização, uma forma, uma côr? E quando ela deixa o espaço da nossa consciência, vai para algum sítio? Quanto mais a investigamos, mais aquele pensamento que nos parecia tão forte nos escapa; é impossível apanhá-lo ou identificá-lo.

Atingimos um estado de “não encontrado”, em que nos detemos nalguns instantes de contemplação. Isto é o que é normalmente é chamado de: “reconhecer o vazio dos pensamentos”. É um estado de simplicidade interior, de atenção nítida, despida de quaisquer conceitos. Quando entendemos que os pensamentos são apenas uma manifestação desse estado de consciência ou simplicidade interior, eles perdem a sua aparente solidez. Eventualmente, depois de um período extenso de prática persistente, o processo de libertação torna-se natural e assim que novos pensamentos surgem eles dissolvem-se a si mesmos, não mais perturbando ou dominando a nossa mente. Eles passam a demorar tanto tempo a aparecer como a desaparecer, como desenhos feitos na superfície da água com um dedo da nossa mão…

Jean-François Revel – O que me surpreende em toda essa forma de pensar é que tudo é descrito como se a realidade do mundo exterior, as coisas que nós fazemos, os outros seres humanos e o peso da circunstâncias não existissem de todo. Certamente existem momentos em que perigos reais genuinamente nos ameaçam. Ter medo dessas ameaças, ou querer livrarmo-nos delas e portanto ter uma atitude activamente hostil contra a nossa ameaça, quando a nossa vida está em perigo por exemplo, não é algo com que se possa lidar simplesmente gerindo os nossos pensamentos! A resposta correcta é tomar um qualquer tipo de acção exterior.

Matthieu Ricard – Numa dada situação, podemos reagir de várias formas, de acordo com o nosso estado interior. As acções nascem dos nossos pensamentos. Portanto precisamos de aprender a nos  libertarmos das nossas emoções…

Jean-François Revel – Sim, mas esses são casos muito marginais…

Matthieu Ricard – … para depois podermos usar essa mestria da mente no calor do momento. Normalmente usamos a expressão “alguém se controlou a si próprio” ou “perdeu completamente o controlo de si próprio”. Neste caso, o que estamos a discutir é sobre como tornar esse controlo mais total, mais estável, com a ajuda do conhecimento da natureza da nossa mente. Não significa de forma alguma agir de uma maneira apática ou indiferente, enquanto um assassino  mata uma família à frente dos nossos olhos. Significa apenas fazer o mínimo necessária para neutralizar o adversário sem nos deixarmos invadir pelo ódio, ou matando o agressor possuídos por um estado de mente dominado por um sentimento de vingança.

A mestria da mente é por isso fundamental.

Do Livro ” O Monge e o filósofo” de Jean François Revel e Matthieu Ricard

Yôga is...an everyday practice to be your (3)

21 Motivos para meditar

21

Reforça a sua saúde

1 – Aumenta a função imunológica
2 – Diminui a dor
3 – Diminui a inflamação a nível celular
4- Melhora a saúde do seu coração

Aumenta a sua felicidade

5 – Aumenta as emoções positivas
6 – Diminui a depressão
7 – Diminui a ansiedade
8 – Diminui o stress

Reforça a sua Vida Social

Pensa que a meditação é uma actividade solitária? Pode ser (a menos que medite num grupo), mas esta prática realmente aumenta o seu sentido de conexão com os outros:

9 – Aumenta a conexão social e inteligência emocional
10 – Permite elevar os níveis da sua compaixão
11 – Diminui o sentimento de solidão

Aumenta o seu Auto-Controlo

12 – Melhora a sua capacidade de regular as suas emoções
13 – Melhora a sua capacidade de introspecção

Altera o seu Cérebro (para melhor)

14 – Aumenta a massa cinzenta
15 – Aumentos de volume em áreas relacionadas com a Regulação Emocional, Emoções Positivas e Auto-Controlo
16 – Aumenta a espessura cortical em áreas relacionadas com a atenção

Aumenta a sua Produtividade (sim, não fazendo nada)

17 – Aumenta o seu foco e a sua atenção
18 – Melhora a sua capacidade de multitarefa
19 – Melhora a sua memória
20 – Melhora a sua capacidade de ser criativo e pensar “fora da caixa”
21. Torna-o mais Sábio
Não no sentido intelectual, mas permite-lhe ter perspetiva: Ao observar a sua mente, percebe que não tem que ser escravo dela. Percebe que faz birras, fica mal-humorado, ciumento, feliz e triste, mas que não tem que se identificar com esses estados mentais. A meditação é simplesmente um processo de higiene mental: limpar o lixo, ajustar os seus talentos, e entrar em contato consigo mesmo. Pense nisso, toma banho todos os dias para limpar o seu corpo, faz, provavelmente, algum tipo de atividade física, mas já o que faz com a sua mente? Para além de a sobrecarregar com milhares de estímulos diariamente?

Como consequência da prática meditativa vai sentir-se mais calmo, sereno, com a forte possibilidade de ver as coisas com maior perspetiva. “A qualidade da nossa vida depende da qualidade da nossa mente”, escreve Sri Sri Ravi Shankar.

Via Sociedade Portuguesa de Meditação & Bem Estar
Artigo completa aqui: http://www.spm-be.pt/2015/05/21-razoes-cientificamente-validadas.html

As nossas Actividades: Meditação

Todas as sextas |18h30 | Meditação

Meditação para principiantes

Procura um sítio calmo, onde nada te perturbe.
Senta-te confortavelmente, com as costas direitas, e as mãos descansadas sobre os joelhos. Fecha os olhos.

Concentra-te no ritmo da tua respiração, observa o movimento do teu abdómen. Sente o ar a fluir através das narinas. Percebe as mudanças subtis no teu corpo. Começa a dirigir a tua atenção para aquele pequeno instante que existe entre a inspiração e a expiração, a pausa entre inspirar e expirar e o hiato entre expirar e inspirar.

Manté-te muito atento à tua respiração. Se surgirem pensamentos, não julgues, mas também não resistas. Não os alimentes, deixa-os ir.

Através da respiração, tenta criar um espaço maior entre cada pensamento. Fica aí o tempo te apetecer.

Meditação e redução do stress

“Meditar é mais repousante do que dormir. Uma pessoa em estado de meditação consome seis vezes menos oxigênio do que quando está dormindo. Mas os efeitos para o cérebro vão mais longe: pessoas que meditam todos os dias há mais de dez anos têm uma diminuição na produção de adrenalina e cortisol, hormonas associados a distúrbios como ansiedade, deficit de atenção e hiperatividade e stress. E experimentam um aumento na produção de endorfinas, ligadas à sensação de felicidade. A mudança na produção de hormonas foi observada por pesquisadores do Davis Center for Mind and Brain da Universidade da Califórnia. Eles analisaram o nível de adrenalina, cortisol e endorfinas antes e depois de um grupo de voluntários meditar. E comprovaram que, quanto mais profundo o estado de relaxamento, menor a produção de hormonas do stress.

Este efeito positivo não dura apenas enquanto a pessoa está meditando. Um estudo conduzido pelo Wake Forest Baptist Medical Center, na Carolina do Norte, colocou 15 voluntários para aprender a meditar em quatro aulas de 20 minutos cada. A atividade cerebral foi examinada antes e depois das sessões. Em todos os pesquisados, foi observada uma redução na atividade da amígdala, região do cérebro responsável por regular as emoções. E os níveis de ansiedade caíram 39%.

Para quem já está stressado, a meditação funciona como um remédio. Foi o que os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos descobriram ao analisar 28 enfermeiras do hospital da Universidade do Novo México, 22 delas com sintomas de stress pós-traumático. A metade que realizou duas sessões por semana de alongamento e meditação viram os níveis de cortisol baixar 67%. A outra metade continuou com os mesmos níveis.
Resultados parecidos foram observados entre refugiados do Congo, que tiveram que deixar suas terras para escapar da guerra. O grupo que meditou ao longo de um mês viu os sintomas de stress pós-traumático reduzir três vezes mais do que as pessoas que não meditaram – índices parecidos aos já observados entre veteranos americanos das guerras do Vietname e do Iraque.”
Shivasha

Duração subjectiva do tempo

A prática constante da técnica de meditação nos permite ter um estado mais expandido de consciência. Desta forma, com uma consciência mais expandida produzimos aquela sensação de que o tempo dura mais. Comece a observar e aplicar do seu cotidiano, nos momentos mais agradáveis, tente fazer com que eles durem mais tempo, e da mesma forma faça o inverso nos momentos menos bons.

Se o tempo for distorcido para mais, provavelmente será mesmo meditação.

Como assim, tempo distorcido para mais ou para menos? Bem, o tempo está na quarta dimensão, mas essa dimensão é o emocional. Quanto tempo duram dez segundos? Seu impulso é olhar nos ponteiros do seu relógio analógico e responder, com pena de quem tiver perguntado, que dez segundos duram aquele tempo físico. Mas esse não é o tempo real. O tempo real (dentro do que se pode considerar real neste reino de ilusão) é aquele do qual nós temos consciência. Senão, vejamos:
a) Quanto tempo duram dez segundos se você só dispuser de dez segundos para rever a pessoa amada que estava um ano morando noutro continente? Só dez segundos e ela se vai outra vez. Um nada!
b) Quanto tempo duram dez segundos com a broca primitiva de um dentista aplicada sobre o nervo exposto do seu dente inflamado? Uma eternidade!

Em 1975 encontrei-me em Bogotá com Swámi Satyánanda. Conversando, descontraidamente, contou-me uma peripécia de quando era ainda um discípulo iniciante de Shivánanda. No Shivánanda Ashram havia um toque de recolher às 21 horas. A partir desse horário as luzes deviam ser apagadas e ninguém mais conversava. Cada qual fazia sua meditação durante uns dez minutos e logo ia dormir, pois a alvorada era às 4 da manhã. Num certo dia, Satyánanda fez seus dez minutos de meditação e quando abriu os olhos… já era dia! Correu para contar o ocorrido ao seu Mestre, supondo tratar-se de um sinal positivo, de algum progresso espiritual efetivo. Este, além de não dar a mínima importância ao fato ainda proibiu-o de continuar praticando meditação. Ao contrário, conferiu-lhe trabalhos braçais e funções fisicamente desagradáveis. O discípulo Satyánanda interpretou isso como uma punição. Só muito mais tarde é que compreendeu. Ao perder a noção do tempo, sua consciência havia-se contraído ao invés de expandir-se. Isso não é meditação. Ao lhe comandar trabalhos braçais e funções desagradáveis a fim de derivar sua atenção para longe daquele canal não-salutar, o Mestre trouxe-o de volta ao chão e salvou-o de consolidar estados patológicos.

Conclusão:
Se você medita dez minutos e isso se lhe afigura como três horas, sua consciência se expandiu. Você teve a consciência de três horas de percepções, elaborações, aprendizado e lucidez em apenas dez minutos.
Em contrapartida, se você “meditar” durante horas e perder a noção do tempo, se nessas horas só tiver percebido alguns minutos, sua consciência se contraiu, você não teve consciência de todo esse tempo: teve um branco, um lapso de consciência. Então, não meditou. Talvez tenha entrado em auto-hipnose. Não é isso o que queremos.

Se for meditação legítima, sua ampliação da consciência é de tal forma que, num singelo piscar de olhos, você pode passar por uma vivência de muitos minutos e até horas de superconsciência. No início deste capítulo utilizamos a frase “chamamos a esse fenômeno intuição linear, quando conseguimos manter a intuição fluindo voluntariamente por um segundo inteiro – ou mais”. Um segundo de meditação proporciona um manancial de conhecimento, comparável a muitas bibliotecas. Não se trata de algumas horas de leitura, mas algumas horas de superconsciência.

Texto extraído do livro Meditação e Autoconhecimento, DeRose
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O alimento da mente

“O alimento da mente é a variedade. Ela pede por diversão, distração, dispersão, digressão. Por isso, em propaganda, a proposta de novidade, vende mais. Por isso, quando estamos estudando ou trabalhando há muito tempo, nossa mente pede uma pausa na qual possa distrair-se com outra coisa. E se lhe concedermos esse intervalo, ela funcionará muito melhor ao retornar à funções das quais anteriormente estava saturada.
A técnica da meditação consiste em manter a mente concentrada num só objecto, sem lhe proporcionar a variedade, novidade, diversão. Com isso, o combustível vai-se escasseando e, num dado momento, a mente pára.
(…)
Da mesma forma que não conseguimos ver o fundo de um lago cuja superfície esteja turbulenta, uma pessoa não pode conhecer o fundo de si mesma se sua mente estiver agitada, instável.”

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in Meditação e Autoconhecimento, DeRose

Os limites da sabedoria

Antes de iniciarmos essa reflexão vamos esclarecer alguns pontos. Há grandes diferenças entre o que o Ocidente e o outro lado do mundo entende por sabedoria. Do lado de cá, a sabedoria está normalmente atrelada à capacidade de associações, ao movimento mental e a algo estritamente especulativo. Desde o jardim de infância nos ensinam que devemos sempre pensar, refletir e que isso é realmente essencial. Entretanto, esta atitude que nos foi imposta pode tornar-se limitadora à percepção mais profunda do mundo. Se pensarmos em termos de inteligiencia emocional, a satisfação dos desejos também é limitante e muitas vezes têm um grande fundo de condicionamento. Cito o escritor brasileiro, DeRose “há duas formas de comprovarmos a inutilidade dos prazeres: a primeira é renunciando a eles; a segunda, gozando-os.” A satisfação dos sentidos realmente traz uma realização, mas passageira e que termina assim que as sensações reduzem sua intensidade. Se nos detivermos nisto estaremos eternamente correndo atrás de algo que venha de fora para dentro e não chegaremos ao ponto de gerarmos a felicidade como um estado de consciência, algo que independa das situações externas. Esse tipo de sensação é um estado de inabalável bem-estar.

Para os orientais o único conhecimento que interessa é aquele que nos proporcione autoconhecimento. Para eles, o que importa de conhecimento é aquilo que nos conduza à felicidade permanente e à descoberta daquilo que realmente somos. A filosofia oriental é muitas vezes criticada no Ocidente por oferecer uma salvação para essas situações, mas que culpa tem ela de servir para alguma coisa enquanto o pensamento filosófico ocidental é em grande parte inútil.

Chegamos a um momento histórico no qual a especulação mental está chegando ao limite de desenvolvimento, não há mais espaço para descobertas nos planos mentais do autoconhecimento. Na verdade, isto já pôde ter se esgotado há muito tempo, quando Sócrates após ter pensado muito, mas muito mesmo sobre os mecanismos que regem nossas vidas concluiu “só sei que nada sei”. Neste ponto ele mostrou que o pensamento só consegue chegar a um determinado ponto e que depois disso não há alternativa para evoluir que não seja perceber outros planos de consciência. O povo Indiano já sabia disso há muito tempo e desenvolveu técnicas, como as do Yôga Antigo para descobrir até onde poderiam ir os planos da consciência.

A intuição certamente será um dos pontos para o qual vamos evoluir. Ela está o tempo todo conosco, tentando de certa forma nos tornar mais lúcidos. Porém, essa maldita ferramenta chamada mente que fomos forçados a usar ininterruptamente não deixa que ela apareça e a obstrui. Veja o exemplo de duas pessoas, uma mais humilde e outra altamente intelectualizada que tiveram um click antes de subir na viagem de ônibus. O humilde, por não usar tanto o mental, sabe que por qualquer motivo não deve seguir viagem e realmente não o faz, já “o sábio intelectual” calcula que a probabilidade de ele morrer no ônibus é muito pequena, pois apenas duas pessoas em cada um milhão que passam pelas rodovias morrem e além do mais a empresa que ele esta viajando é muito segura e… lá se vão mais pensamentos bloqueando o flash de intuição ou de percepção mais aguçada que ele teve. Não obstante, o ônibus bate todos os passageiros morrem se salvando apenas o único que ouviu seu sentido interno e ficou na rodoviária.

Isso não deve ser interpretado como uma apologia a não se desenvolver o intelecto, mas sim de não elevá-lo ao patamar máximo do ser humano, pois a mente é falha e rude se comparada, por exemplo, ao plano da intuição. O que ocorre é que não conhecemos possibilidades de nos vermos por dentro, mais internamente do que a mente permite. No entanto, prezado leitor, existe sim essa alternativa e ela está ao alcance de todos através de uma meditação bem executada.

Estamos no momento de tentarmos ver a realidade sobre uma óptica menos superficial e penetrarmos na essência da existência assim como desejou Sartre e muitos filósofos ocidentais. A profundeza de tudo está por trás do mental, está além e acima dele. Deixemos de nos preocupar apenas com as análises, associações e especulações e tentemos durante alguns instantes simplesmente contemplar aquilo que nos rodeia , seja a arte, a pessoa que amamos ou uma grande obra arquitetônica. Faça a experiência, não pense. Assim entenderá o que Fernando Pessoa queria dizer quando falou “há bastante metafísica em não pensar em nada.”

cc3a9rebroPor Daniel De Nardi no blog http://assimfaloudenardi.blogspot.pt/

O velho sábio

“Certa manhã, fui tirar leite da nossa búfalo que pastava solta perto das margens do rio. Caminhando pelo campo com os pés descalços na relva molhada pelo orvalho da noite, tão absorvido estava que passei pelo animal e segui em frente. Pouco adiante, encontrei um velho sábio sentado olhando para as águas que seguiam, sempre iguais, montanha abaixo. Cumprimentei-o e perguntei o que estava observando. O ancião me disse que estava observando seus pensamentos. Sentei-me ao seu lado e, como uma criança, sem nada questionar, comecei a fazer o mesmo. Passaram-se várias horas e lá estávamos os dois, lado a lado, sem dizer palavra, porém entendendo-nos perfeitamente bem.

Até que, em dado momento, o ancião virou-se para mim e começou a falar.

– O que observou?
– Meus pensamentos.
– Gostou?
– Sim.
– De que natureza eram?
– De todos os tipos. Pensei nas águas obedientes, que seguem fazendo as ondas no mesmo lugar, apesar de serem sempre outras. Depois pensei na nossa vida, que também é assim. Somos sempre outras e outras pessoas a nascer, crescer, trabalhar, casar… mas seguimos fazendo as mesmas coisas, sem que ninguém nos obrigue a isso. Daí, pensei nas nossas ovelhas, cabras e vacas, que também seguem fazendo as mesmas coisas desde que nascem até que morrem. E seus descendentes, continuam fazendo as mesmas coisas. Qual o sentido disso tudo?
– Você se fez essa pergunta?
– Fiz.
– E qual foi a resposta?
– Não obtive resposta, pois meu pensamento seguiu os pássaros e mudou continuamente. Mas gostei da experiência.
– Então, volte amanhã e vamos contemplar o rio juntos outra vez.

Assim o fiz. Durante muito tempo retornei e sentei-me ao lado do ancião. Era uma relação de amor. Desde a primeira vez que o vi, senti um carinho arrebatador por aquele Mestre. Olhava-o com admiração gratuita, pois ainda não o conhecia suficientemente bem. Não sabia o universo de sapiência que ele tinha para me transmitir. Era, simplesmente, amor desinteressado, à primeira vista.

Quase sempre ficamos calados por muito tempo. Geralmente, no final ele me fazia algumas perguntas. Depois de uns quantos meses notei que suas perguntas eram o que me permitia tomar consciência de quão profundo havia ido na viagem interior.”

DeRose, em Eu me lembro

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Japamálá

O que é um japamálá?

A palavra japa significa repetição. Também se refere a uma prática que consiste na repetição verbal ou mental de um mantraA palavra málá significa corrente ou cordão. Assim, japamálá  é um cordão de repetição, usado na prática de mantras como um contador para que o praticante não se perca.

O japamálá tem normalmente 108 contas de rudráksha ou outra semente.

No Yôga e no Hinduísmo o número 108 tem um significado especial. O número 1 representa o praticante, o oito, a prática (que é constituída por oito partes); e o zero é o círculo do Absoluto, Infinito.

Para quem gosta de malabarismos matemáticos é interessante notar que este número tem algumas propriedades interessantes. Por exemplo, quando se  multiplica 1 elevado a ele mesmo por 2 elevado à 2ª e por 3 elevado à 3ª o resultado é 1 x 4 x 27 = 108. O alfabeto sânscrito possui 54 letras ou fonemas masculinos e 54 que são chamados femininos, resultando em 108 fonemas. O número nove é considerado um número sagrado para os Hindus, 1 + 0 + 8 = 9. Na astronomia o raio do sol é 108 vezes maior que o raio da terra.

RudrakshaJapaMala

Meditação

Certamente já ouviu falar sobre meditação, uma técnica que tem conquistado cada vez mais adeptos em todo o mundo.

Muitos empresários afirmam que a prática da meditação os deixa mais focados e com menos stress. Desportistas praticam meditação como forma de  fortalecer a capacidade de concentração nas competições. Artistas buscam esta técnica milenar como forma de desenvolver a criatividade e a intuição.

Para experimentar os benefícios da meditação, é necessária a prática regular. Apenas alguns minutos todos os dias são suficientes. Uma vez integrada na rotina diária, a meditação  torna-se a melhor parte do seu dia!

Queres começar a meditar?

Amanhã acorda um pouco mais cedo, senta-te confortavelmente, marca 10 minutos no cronómetro, fecha os olhos e concentra-te na tua respiração. Observa a tua respiração. Sempre que surgirem pensamentos volta à respiração. É normal os pensamentos surgirem, por isso não te incomodes com eles. Volta à respiração sempre que acontecer. Pratica todos os dias, se possível mais do que uma vez por dia. Vais ver que apenas um mês de prática regular já produz óptimos resultados. 

A relação entre o Surf e a Meditaçao

Um excelente texto do Instrutor Lucas DeNardi!

Para explicar essa relação é necessário entender o que é a meditação e em qual momento o surfista poderia, surfando uma porção dinâmica do oceano, com cores, movimento e som ao seu redor, atingir tal objetivo.

A meditação ou dhyána, em sânscrito, é uma técnica do acervo do Yôga utilizada para designar tanto o exercício de meditação, quanto o estado de consciência obtido com essa ferramenta. O exercício em si é bastante simples: consiste em concentrar-se e não pensar em nada, não analisar o objeto da concentração, mas simplesmente pousar a mente nele até que ela se infiltre no objeto, conforme ensina o renomado escritor DeRose no livro Tratado de Yôga. Assim, estaríamos aptos a perceber a essência do objeto observado e, com o tempo de prática, a essência de nós mesmos, alcançando o autoconhecimento.

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