Eu sou assim…

“Determinismo Genético”
Texto de autor desconhecido

Sempre que uma pessoa afirma, confiantemente, “eu sou assim”, note que ela está simplesmente procurando uma desculpa para um comportamento que ela própria sabe não ser o melhor. Quando faltam argumentos e uma razão real, objectiva e emocionalmente integrada, alguns somente repetem o velho e “seguro” chavão: “eu sou assim” e continuam a fazer as coisas da mesma forma. Isso é chamado de “crença no determinismo genético”.

Quem diz isso abdica de qualquer responsabilidade sobre si mesmo, jogando a culpa na genética ou nos deuses, como se a própria pessoa não tivesse meios de alterar sua vida. Existe um meio melhor: quem diz “eu sou assim”, faz de conta que não está pensando, faz de conta que não possui liberdade de escolha, faz de conta que há algo programado dentro dela, e que não existem meios de alterar essa programação. A quase totalidade das pessoas que insistem em dizer eu sou assim, tem receio de mudar e são complacentes com elas próprias, agindo como uma avestruz, colocando a cabeça em um buraco na areia.

Assim, nós nunca “somos” coisa alguma; sempre “estamos”. Estamos jovens, estamos sadios, estamos acordados, estamos educados, estamos esforçados, estamos atentos, estamos felizes e assim por diante. O que “está” pode ser mudado, mas o que “é” não pode! Há uma enorme diferença entre ser e estar. Quando dizemos que estamos sem dinheiro, estamos solitários, estamos tristes, estamos sem imaginação, estamos com problemas… deixamos claro para os outros, e para nós mesmos, que esta é uma condição transitória e que estamos trabalhando para mudar o quadro. Dizer: “eu estou acima do peso” é muito diferente de dizer “eu sou gordo”.

Quando usamos o verbo “ser”, definimos uma condição de vida que independe de nossa vontade. Sou do planeta Terra: é uma condição imutável. Estou na França: é uma condição transitória. Escute o que você diz para os outros e para si mesmo. Se você disser algo começando com a frase “eu sou assim mesmo”, verifique imediatamente se não está somente tentando explicar o inexplicável para seu próprio coração. Não tente se enganar, porque, no fundo, você vai saber que é uma afirmação falsa. Somente quem muda, sobrevive! E, somente Deus e você mesmo, pode mudar suas situações, que por si mesmas, são transitórias!

Foto do projectowww.fotoscontraluz.wordpress.com

O rito do eterno retorno

A meditação nos ensina que para expandirmos a consciência devemos manter nossa atenção focada, o maior tempo possível, num único ponto, seja ele uma imagem ou um som. Nossa mente, dispersa por natureza, e por isso mesmo ávida por novidades, fará de tudo para fugir desta estabilidade que para ela não parece nada agradável. O meditante deve estar muito convicto do que quer, para que quando as dispersões tentarem tirá-lo do foco inicial possa percebê-las rapidamente e retornar a fazer o que se propôs no início do exercício. Lembranças, falsas prioridades, preocupações e compromissos aparentemente inadiáveis, invadirão sua consciência com o objetivo de desviá-lo da busca de um bem-estar maior. Estando o tempo todo atento a esses truques da mente, ele não embarcará nas distrações e permanecerá mais tempo fazendo somente o que se determinou. O início de uma meditação é como um jogo de pega-pega no qual, a mente dispersa e foge e você quando percebe a traz de volta sem se deixar envolver com os pensamentos alheios. Vencida a primeira etapa, embarcamos numa experiência gratificante e enriquecedora.

Pois essa fuga da profundidade também acontece no nosso dia-a-dia. Seja na leitura de um livro que nunca conseguimos terminar, enquanto eu escrevo e reescrevo este texto, ou num bate-papo que ao começar a ganhar profundidade alguém se atravessa e pergunta “O que vamos fazer hoje à noite?” Conta-se que quando Sartre e sua turma de filósofos existencialistas invadiam o Café D`Flore para conversar, eles dividiam-se em duplas para que conseguissem realizar conversas à deux mais significativas. Pois estas escapadas do foco principal acontecem muitas vezes quando estamos construindo um empreendimento que demande ações repetidas por um longo período de tempo. Não agrada à nossa mente ir muito fundo nas questões, ela prefere a superficialidade por onde pode transitar com mais rapidez e manter atualizado o seu insaciável desejo de diversificação.

Quase sempre quando traçamos um plano, sabemos exatamente o que devemos fazer para chegar onde queremos. Não obstante, basta aparecer a primeira oportunidade… e escapamos do trilho, cedendo à tentação da dispersão. É o eterno dilema do regime que começa somente na segunda-feira e que se rompe imediatamente no convite para jantar fora. Questão muito bem explicada pelo ensinamento que diz que o bom hábito é bastante árduo de se adquirir, mas simples de deixar. Já o vício se caracteriza por ser fácil de começar e difícil de parar. Quanto mais conscientes estivermos destas fugas e mais gana tivermos para realizar nossos objetivos, mais rapidamente conseguiremos retornar a fazer o que nos propusemos e mais tempo conseguiremos manter a execução das ações imprescindíveis.

 

Por isso, o maior obstáculo para realizarmos o que desejamos não está no mercado, nem nas pessoas que fazem parte da nossa equipe ou ainda na estratégia que montamos. Mesmo que se tenha todos esses fatores funcionando perfeitamente, não chegaremos a lugar algum se não tivermos tenacidade na manutenção das ações. Não somente para realizar um objetivo importante, mas também para se alimentar bem, praticar esportes, estudar, enfim, para manter disciplina em qualquer ação, teremos que estar alertas o tempo todo para quando dispersarmos, retornarmos ao que sabemos que é importante o mais rapidamente possível. É o rito do eterno retorno com o qual entende-se que realizar é muito mais voltar a fazer o que se propôs do que inventar coisas novas.

Num segundo momento da meditação compreendemos que a consciência deve permanecer bastante tempo envolvida em algo que seja externo a nós para depois se libertar. Nosso ego, através dos pensamentos, tentará trazê-la de volta para a prisão da individualidade, restringindo-a. No entanto, ela não pertence ao ego, mas é parte do todo. E entendemos isto quando não permanecermos apenas com nossos pensamentos e percepções personalizadas. Tal como ocorre na meditação, é preciso que a consciência se prenda em algo fora de nós mesmos para depois termos uma percepção mais abrangente de realidade.

Assim como a consciência pode ser confundida com o ego, muito embora não o seja, e precisa se expandir para libertar-se, uma idéia que fique somente com você, será restrita e não produzirá riqueza interna ou externa. As idéias podem parecer nossas, e algumas pessoas se apegam a elas como se fossem apenas suas mesmo, não compartilhando-as com ninguém. No entanto, elas pertencem ao inconsciente coletivo e se você captou uma que gosta, deve concretizá-la. Somente quando fazemos “nossas” idéias permanecerem fora de nós e serem concretizadas em um produto ou projeto é que conseguimos expandir nossa atuação e tomar o mundo.

Texto do Instrutor Daniel De Nardi

http://www.assimfaloudenardi.com

O poder dos paradigmas

O enigma dos biscoitos

Uma mulher, que acabou de comprar uma xícara de café e cinco biscoitos de chocolate, sentou-se em uma mesa em frente à loja de biscoitos, defronte a um homem desconhecido que estava sentado na mesma mesa. Depois de provar o café, ela tirou um biscoito do pacote.
Assim que ela começou a comer, o homem pegou o pacote e tirou um biscoito. Paralisada de raiva, silêncio e descrença, ela comeu o primeiro biscoito e pensou no que fazer depois.
Será que imaginou o que ela tem certeza que viu? Ele teria coragem de fazer isso novamente?

Finalmente quando a curiosidade passou, ela pegou um segundo biscoito no pacote.
Confiante, o homem também foi e pegou outro biscoito, estampando um enorme sorriso no rosto enquanto comia. Somente a sua certeza de um autocontrole impecável a impediu de protestar contra esse ladrão de biscoitos. Afinal, a arrogância deste homem era extraordinária, e ele não parecia um mendigo, vestido de terno e gravata.
Já que havia apenas um biscoito sobrando, ela engoliu o seu segundo biscoito e novamente foi ao pacote. Mas ele foi mais rápido. Com um sorriso radiante, e ainda nenhuma palavra, ele quebrou ao meio o biscoito que sobrava e ofereceu-lhe a metade. Em total descontentamento, um olhar de indignação começou a se formar, ela então se levantou, pegou sua grande bolsa e foi rapidamente em direção ao carro. No carro ela até deixou escapar uma pequena ofensa de seus lábios, enquanto procurava as chaves na bolsa.
Seus dedos acharam, ao lado das chaves, seu pacote de biscoitos fechado!

Instrutor Fretta

retirado daqui: http://www.metododerose.org/blogdoderose/

Essa mulher sofreu uma mudança abrupta na visão de seu próprio comportamento, como uma extensão ao seu equívoco na situação dos biscoitos. Seu paradígma, neste caso, a levou a uma série de julgamentos errôneos.

Instr. Fretta

Isto também passa

Há uma parábola hindu de um rei que chamou um sábio e lhe pediu um ensinamento que servisse para todas as ocasiões. O sábio lhe disse: “Isto também passa.” O maharája ficou insatisfeito. Perguntou que raio de sabedoria era aquela. O sábio lhe disse: “Quando Vossa Majestade estiver em um bom momento, vitorioso, feliz, poderoso, fique atento porque esse status quo não durará para sempre. Diga ‘isto também passa’ e, assim, Vossa Majestade tratará com mais equidade os que forem seus súditos, ministros, amigos e inimigos, preparando a estrutura para quando a maré mudar. O mundo evolui em ondas. Um dia está em cima, no outro está embaixo. Quando estiver por baixo, tendo perdido batalhas, sofrido revezes, enfermidades, traições, diga ‘isto também passa’ e verá que o sofrimento será bem atenuado. Basta esperar que ‘isto também passa’.”

daqui: http://www.metododerose.org/blogdoderose/amigos/mes-serj/

Bibliografia indicada para Estudo e Documentação

Antes de se ter algum tipo de relação profissional com livros, não de descobre quão ruim é a maioria  deles.

George Orwell

 

Resista heroicamente à tentação de ler qualquer coisa, só por tratar-se de Yôga ou de alguma matéria supostamente semelhante. Melhor é reler várias vezes um bom livro do que ler vários livros novos que sejam desaconselháveis. E , convenhamos, com uma bibliografia tão boa e extensa, você não tem necessidade de sair gastando o seu tempo e dinheiro com livros que poderão prejudicar a sua cultura, mas também a sua saúde mental. Consulte o capítulo sobre Égregora no Tratado de Yôga.

Procure ler principalmente as obras abaixo, mais ou menos nesta ordem, dependendo da disponibilidade das editoras. Com esta base sólida de boas obras, depois poderá ler qualquer coisa, pois já terá desenvolvido o senso crítico. Note que um bom número dos livros recomendados são de autores, de outras linhas de Yôga e até de temas que não tratam de Yôga.

01. DeRose, Tratado de Yôga, Afrontamento

02. DeRose, Quando é preciso ser forte, Afrontamento.

03. DeRose, Tudo o que você nunca quis saber sobre Yôga, L&PM.

04. DeRose, Programa do Curso Básico de Yôga, Uni-Yôga.

05. DeRose, Boas Maneiras, Egrégora

06. DeRose, Eu me lembro…, Afrontamento.

07. DeRose, Encontro com o Mestre, Afrontamento

08. DeRose, Sútras – máximas de lucidez e êxtase, Afrontamento.

09. DeRose, Alimentação vegetariana: chega de abobrinha!

10. DeRose, Origens do Yôga Antigo, Afrontamento.

11. DeRose, Alternativas de relacionamento afetivo, Afrontamento.

12. DeRose, Tantra, a sexualidade sacralizada, Uni-Yôga.

13. DeRose, Yôga Sútra de Pátañjali, Uni-Yôga.

14. DeRose, Mensagens do Yôga, Egrégora.

15. DeRose, Karma e dharma – transforme a sua vida, Egrégora.

16. DeRose, Chakras e kundaliní, Afrontamento.

17. DeRose, A regulamentação dos profissionais de Yôga, Uni-Yôga.

18. De Bona, A parábola do croissant, edição do autor.

19. Barcesat, Yael, Complementatión Pedagogica, edição da autora.

20. Santos, Sérgio, Yôga, Sámkhya e Tantra, Uni-Yôga.

21. Santos, Sérgio, A força da gratidão, Uni-Yôga

22. Silva, Lucila, Léxico de Yôga Antigo, edição da autora

23. Flores, Anahí, Coreografias, Uni-Yôga.

24. Flores, Melina, 108 Famílias de ásanas, edição da autora.

25. Melo, Ricardo e Caio, O poder do Mantra.

26. Marengo, Joris, 50 Aulas práticas de SwáSthya Yôga, futuramente, Nobel.

27. Castro, Rosângela, Gourmet vegetariano, futuramente, Nobel.

28. Caramella, Edgardo, La dieta del Yôga, Kier, Buenos Aires.

29. Michaël, T. O Yôga, Zahar Editores.

30. Time-Life, Índia Antiga, Abril Coleções.

31. Shivánanda. Hatha Yôga, Editorial Kier.

32. Shivánanda. Pránáyáma, Pensamento.

33. Shivánanda. Kundaliní Yôga, Editorial Kier.

34. Shivánanda. Tantra Yôga, Nada Yôga e Kriyá Yôga, Editorial Kier.

35. Shivánanda. Autobiografia, Pensamento.

36. Shivánanda. Japa Yôga, Edição do Shivánanda Ashram.

37. Bernard, T. El Camino Práctico del Yôga.

38. Eliade, M. Pátañjali y el Yôga, Editora Paidós.

39. Eliade, M. Técnicas del Yôga, Cia. Fabril Editora.

40. Eliade, M. Yôga, imortalidade e liberdade, Editora Palas Athena.

41.. Purôhit Swámi, Aphorisms of Yôga, Faber & Faber (Londres e Boston).

42. Kastberger, F. Léxico de Filosofía Hindú, Editorial Kier.

43. Van Lysebeth. Tantra, o Culto da Feminilidade, Summus Editorial.

44. Blay, A. Tantra Yôga, Iberia

45. Woodroffe, J. Principios del Tantra, Editorial Kier.

46. Woodroffe, J. Shaktí y Shakta, Editorial Kier.

47. Avalon, A. El Poder Serpentino, Editorial Kier.

48. Gôswámi. Laya Yôga.

49. Monier-Williams. Sanskrit-English Dictionary, Oriental Publishers.

50. Feuerstein, G. A tradição do Yôga, Pensamento

 

Diz-me o que lês e dir-te-ei quem és – isto é verdade. Mas eu te conhecerei melhor se me disseres o que relês!
François Mauriac, Nobel de Literatura de 1952

Uma lenda oriental

Conta uma popular lenda do Oriente, que um jovem chegou à beira de um oásis junto a um povoado e aproximando-se de um ancião perguntou-lhe:
– Que tipo de pessoas vivem neste lugar ?
– Que tipo de pessoa viviam no lugar de onde você vem ? -perguntou por sua vez o ancião.
– Oh, um grupo de egoístas e malvados. – replicou o rapaz – Estou satisfeito de haver saído de lá.
A isso o velho replicou:
– A mesma coisa você haverá de encontrar por aqui.

No mesmo dia, um outro jovem se acercou do oásis para beber água e vendo o ancião perguntou-lhe:
– Que tipo de pessoas vivem por aqui ?
O velho respondeu com a mesma pergunta:
– Que tipo de pessoas viviam no lugar de onde você vem ?
O rapaz respondeu:
– Um magnífico grupo de pessoas, amigas, honestas, hospitaleiras. Fiquei muito triste por ter de deixá-las.
– O mesmo encontrará por aqui- respondeu o ancião.

Um homem que havia escutado as duas conversas perguntou ao velho :
– Como é possível dar respostas tão diferente à mesma pergunta?
Ao que o velho respondeu :
– Cada um carrega no seu coração o meio ambiente em que vive. Aquele que nada encontrou de bom nos lugares por onde passou, não poderá encontrar outra coisa por aqui. Aquele que encontrou amigos ali, também os encontrará aqui porque, na verdade, a nossa atitude mental é a única coisa na nossa vida sobre a qual podemos manter controle absoluto.

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