Dia 17 de Dezembro – O Sábio e o Ladrão

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Reflexão

“Em um distante povoado da Índia Antiga, havia um ladrão e um sábio. O primeiro assombrava as redondezas com seus furtos e surtos de bebedeira; o segundo ensinava Yoga para aqueles que achava que mereciam.

Tanto o sábio quanto o ladrão ganhavam fama no vilarejo e já haviam escutado falar bastante um do outro, até que em um belo dia, o ladrão foi procurar o mestre. Peregrinou durante dias pelas gélidas montanhas dos Himalayas, até encontrar a choupana do velho sábio que atendeu a porta sem surpresa alguma como se já esperasse a visita do dito cujo.

O ladrão, respeitosamente disse ao mestre que havia escutado sobre os poderes do Yoga e queria aprendê-lo. O sábio, pensativo, coçou a longa barba branca por alguns instantes e impôs três condições para a transmissão do conhecimento: o aprendiz deveria parar de roubar, beber e mentir.

O ladrão saiu de lá consternado, matutando como iria fazer para resolver aquela complicada equação. No caminho de volta, disse para si mesmo: “Deixar de roubar não posso, afinal, é meu ganha-pão. Beber é meu único momento de lazer…é, vou parar de mentir.”

Naquela mesma noite o ladrão foi fazer um roubo, e não era um qualquer: surrupiaria os tesouros do rei. Vestiu-se adequadamente e dirigiu-se ao palácio, pulou o muro e logo se deparou com o rei, que estava caminhando pelos jardins de sua morada. Um olhou para o outro. O rei logo disparou: “Quem é você?”

E o ladrão que havia feito voto de não mentir, disse com toda a sinceridade interesseira: “Sou um ladrão.”

“E o que é que veio fazer aqui?” – indagou o rei.

“Roubar o tesouro do rei”, respondeu, de bate-pronto. “E você, quem é?”, perguntou o larápio.

O monarca pensou por alguns instantes e lançou: “Eu também sou um ladrão e, por incrível que pareça, estou aqui para o mesmo intento. Por que não fazemos o roubo juntos e o dividimos, visto que já consegui a chave dos cofres do palácio?”

E foram juntos até o local. Ao chegar lá, o rei disse para o malandro esperar, foi até seu próprio cofre, colocou tudo em um saco deixando apenas um diamante para trás.

Entregou tudo ao ladrão e, antes que este fosse embora, perguntou-lhe o nome e o endereço para que pudessem efetuar mais “trabalhos” juntos. Outra vez, o sujeito se lembrou de sua promessa de falar a verdade e respondeu sinceramente ao que o soberano queria.

Assim que o ladrão passou por cima do muro, o rei chamou seus guardas, juntamente com seu secretário. Aos primeiros, entregou a localização do bandido e mandou que o trouxessem de volta. Ao segundo, pediu para que fosse ao cofre e verificasse se havia sobrado algo do assalto.

O secretário foi até lá, avistou o único diamante que o rei havia deixado propositadamente, olhou para os lados e, como não havia ninguém por perto, “sequestrou” a jóia. Voltando à presença do rei, relatou: “Não sobrou nada, majestade.”

Nesse mesmo instante, chegaram os guardas carregando o ladrão que, fitando o rei, vociferou: “E depois ainda dizem que eu é que sou mentiroso!” O rei sorriu e bradou solenemente: “Conheci as figuras mais poderosas de toda esta terra, negociei com magnatas, joguei com políticos, viajei com empresários. No entanto, apesar de ser um ladrão, você é um dos homens mais sinceros que já conheci em toda a minha vida. Portanto, farei de você meu novo secretário.” Em seguida, olhou para seu ex-secretário e ordenou: “Guardas, prendam-no!”

Passados alguns meses, o ex-ladrão foi encontrar o sábio. Ao encontra-lo disse: “Estou pronto.” O Mestre o fitou com certo ar de indagação. Então, o rapaz explicou:

– “Como não conseguiria realizar as três mudanças ao mesmo tempo, optei inicialmente por não mentir e isso me fez conseguir um bom emprego, me fazendo desistir de roubar, por não ser mais necessário. Como consequência, conheci outras formas de diversão que não fosse a bebida.”

E o mestre sorriu: “Agora, vamos ao ensinamento do Yoga”.

Você deve estar se perguntado qual é a moral da estória. Creio que sejam várias as conclusões a serem tiradas desta antiga parábola oriental, desde preceitos filosóficos até decisões pessoais. No entanto, quero chamar a atenção para o fato do direcionamento do foco e das energias.

Em muitas situações de nossas vidas, sempre há muito a ser pensado e realizado e frequentemente queremos resolver tudo em um só tempo, sem haver preparação e disponibilidade para tanto.

O resultado final é que não se chega a lugar algum – há uma dispersão de objetivos.

A estória acima nos ensina a questão da prioridade e da percepção de que uma coisa puxa a outra, nas boas e nas más ações. O que quero dizer é que se deve detectar o ponto que necessita de reparos urgentes. Feito isso, ataque-o sem desvio de rota e notará que se obtiver êxito, no final das contas, áreas que talvez você nem imaginasse receberão também melhorias como consequência daquela ação. Tudo é interligado, nada caminha isoladamente. Dê uma atenção especial a isso e verá que aquela frase dita pela personagem de Tom Cruise, no subestimado filme Vanilla Sky, tem toda a razão de ser:

– As pequenas coisas… o quão grandes elas são.

Texto do Professor Fábio Euksuzian

retirado daqui: http://fabioeuk.org/

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Dia 16 de Dezembro – Bolinhas energéticas

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Receita

Bolinhas energéticas, veganas  e saudáveis, que se preparam em poucos minutos e são um óptimo snack para levar para qualquer lado.

Ingredientes:
– 150g de amêndoas torradas (9-10 minutos a  180 graus)
– 70g tamâras (deixar em água por  30 minutos)
– 50g grão de bico cozido

Triturar as amêndoas até o momento em que elas começam a formar manteiga. Adicione o resto e esmague novamente. Forme as bolas com as mãos, e coloque no frigorífico.

Receita daqui: ChefBosquet

Dia 15 de Dezembro – Tamas uddiyana bandha

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Desafio

Hoje vamos falar do tamas uddiyana bandha, também denominada sucção abdominal.

A palavra bandha significa bloqueio, contracção, reter, fechar. Já tamas quer dizer inercia, inactividade. E uddiyana, movimentar para cima, caminho ascendente.
O objectivo da execução dos bandhas é reter o prana (energia vital) em zonas específicas do corpo, para depois redirecionar essa energia para sushumna nadi (canal energético central) de forma a despertar a kundalini.

A sucção abdominal, tal como o nome indica, faz com que a zona abdominal seja sugada (recolhida) para trás e para cima. Pode ser feita em diferentes posições. Para quem nunca fez ou está agora a iniciar a sua prática de Yoga, sugerimos que execute o exercício em pé, com as pernas flexionadas e as mãos no alto das coxas. Os mais experientes poderão adoptar outras posições tais como o padmasana ou o samanasana.

Execução:

– Coloque-se em pé, com os pés afastados, joelhos flectidos, mãos sobre as coxas.
– O tronco inclina um pouco à frente.
– Inspire profundamente, expirando logo em seguida de forma rápida, esvaziando completamente os pulmões. Faça uma retenção sem ar.
– Sempre de pulmões vazios, afaste as costelas laterais e expanda o tórax;  puxe toda a região abdominal para dentro, em direcção à coluna e para cima, em direcção à garganta; pouse o queixo no peito (jalandhara bandha).
– Mantenha a retenção sem ar e a sucção abdominal e o queixo no peito, tanto tempo quanto lhe seja possível, dentro dos limites da sua capacidade.
– Quando chegar o momento de inspirar, comece por soltar os músculos abdominais, mantendo ainda os pulmões vazios; quando o abdómen voltar à sua posição, inspire lentamente.
– repita algumas vezes.

Efeitos:

  • melhora o funcionamento do sistema digestivo;
  • fortalece e torna mais consciente e flexível, o diafragma e outros músculos do sistema respiratório;
  • tonifica das vísceras, órgãos, músculos, nervos e glândulas;
  • contribui para o aumento da capacidade pulmonar;
  • é um preparatório para o nauli kriyá, uma técnica mais adiantada;

Prática:

  • execute durante os próximos dias, pela manhã, ainda em jejum:

 

Notas:

  • Procure a  supervisão e acompanhamento de um professor experiente.
  • Se sofre de doenças crónicas na área intestinal ou abdominal consulte o seu médico antes de executar o exercício.

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Dia 14 de Dezembro – Padmasana e a flor de lótus

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Cultura de Yoga

O padmasana é um dos asanas mais conhecidos do Yoga. É utilizado na meditação e também na prática de pranayama.

Padma quer dizer lótus.
Lótus é o nome de uma planta aquática muito apreciada na cultura oriental.

A devoção que a flor de lótus recebe na cultura hindu deve-se ao exemplo de comportamento que ela nos dá. A flor de lótus tem as suas raízes enterradas no lodo sujo, escuro e fétido. É  desse lodo que a planta retira todos os nutrientes para produzir pétalas limpas, perfumadas e de grande beleza. O lótus representa transmutação de algo que surge no lodo para alcançar a pureza e a beleza imaculadas.

Na nossa prática de Yoga vamos muitas vezes descobrir aspectos da nossa personalidade que não nos agradam, são o nosso lodo. Cabe-nos a nós, através do autoconhecimento adquirido com a prática, transmutar, florescer.

 

O padmasana é uma posição bastante exigente, por isso, é conveniente que seja acompanhado por um instrutor no seu processo de “construção” do asana.

Em termos físicos os efeitos do padmasama são uma maior irrigação nos órgãos da região pélvica, tonificando-os. Sob o ponto de vista psíquico facilita o o recolhimento interior.

O padmasana é considerado a postura ideal para praticar meditação e pranayama. Isso ocorre porque, uma vez na posição, o corpo é sustentado com esforço muscular mínimo. É, portanto, altamente repousante e permite completa quietude no corpo e, subsequentemente, na mente.

Acredita-se que o estado meditativo encorajado pelo padmasana estimula os bons pensamentos e reduz os negativos. Os textos hindus tradicionais afirmam que o padmasana destrói todas as doenças e desperta a energia da kundalini, permitindo que ela percorra a espinha dorsal.

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Dia 13 de Dezembro – O corpo de quem pratica Yoga

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Reflexão

A frase que todo o instrutor de Yoga já ouviu centenas de vezes: “acho que o Yoga não é para mim, o meu corpo não é flexível/forte/magro… o suficiente”.

Antes de desenvolver este tema, convém lembrar que Yoga não é ginástica ou actividade física. O Yoga, termo sânscrito que normalmente se traduz por união, é um movimento cultural que surgiu na Índia há milhares de anos e se começou a espalhar pelo mundo no século XX. De forma simplificada, o Yoga é uma filosofia que visa à identificação do ser humano com a sua própria natureza e integração com o universo. De uma forma mais formal podemos dizer que o Yoga é uma disciplina que pretende levar o praticante a um estado de libertação. Nas palavras do sábio hindu Swami Sivananda, “Yoga é a integração e harmonia entre pensamentos, palavras e acções, ou integração entre cabeça, coração e mãos.”

Apesar desta explicação sobre o que é o Yoga ser muitíssimo breve, fica claro que o objectivo desta disciplina milenar não é de todo trabalhar o físico. No entanto, as técnicas do Yoga mais populares no ocidente (asana e pranayama) têm um impacto muito positivo no corpo, saúde e vitalidade de quem as pratica. Talvez por isso, muitos associem Yoga a corpos trabalhados e com aspecto saudável, mas isso é mera consequência da prática e não o seu objectivo.

Regressando ao nosso tema inicial: Como é o corpo de quem pratica Yoga?

É o seu, tal qual está neste momento! Não existe “um corpo” para praticar Yoga. O Yoga é para todos, flexíveis ou pouco flexíveis, altos ou magros, fortes ou fracos. Não existe nenhum pré-requisito físico para praticar Yoga.

O Yoga não estimula a competitividade ou o julgamento, pelo contrário a prática deve trazer auto-aceitação. O Yoga vai ajudá-lo a amar, respeitar e compreender o seu corpo.

Com milhares seguidores no Instagram, a professora de Yoga Dana Falsetti (nas fotos), está a usar o seu perfil para provar que a prática é para todos os tipos de corpos.

 

Dia 12 de Dezembro – 108 e o Japamala

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Cultura do Yoga

É comum ver praticantes de Yoga com um colar no pescoço, trata-se do japamala.

Japa quer dizer repetição e mala cordão. O japamala é feito com um cordão de algodão, contas (podem ser de madeira, sementes, pedras ou cristais), um meru (divisor que marcar o início e o fim das repetições), e uma franja de algodão ou seda.

O japamala pode ter 108, 57 ou 27 contas. É usado na meditação para que o praticante possa repetir o mantra sem se preocupar com a contagem. Com ele podem entoar-se mantras, passagens das escrituras, frases, nomes de divindades, etc..

O número 108

O número 108 é tido como um número sagrado no hinduísmo. Está presente em diversos elementos da tradição hindu.

  • japamala  tem 108 contas.
  • De acordo com a tradição do Yoga existem 108 lugares sagrados na Índia.
  • Há 108 Upanishads (textos sagrados).
  • A Ayurveda considera 108 pontos de energia (marmas) ao longo do corpo.
  • O alfabeto sânscrito possui 54 letras ou fonemas masculinos e 54 que são chamados de femininos, resultando em 108 fonemas.
  • A soma de 1+0+8 é igual a 9, e 9 é um número sagrado para os Hindus.

Diz-se também que  durante o período Védico os sábios observaram a natureza e perceberam que havia várias relações estabelecidas através do número 108. Entre elas:

  •  A distância entre o Sol e a Terra é de aproximadamente 108 vezes o diâmetro do Sol.
  • A distância entre a Lua e a Terra é de aproximadamente 108 vezes o diâmetro da Lua.

Sementes de Rudraksha

As sementes de rudraksha são o mais famoso material utilizador para fabricar o japamala.

Rudraksha significa “lágrima de Shiva”, e é a semente de uma árvore encontrada na Índia, Nepal e Tibete. Na cultura hindu é muito apreciada pois diz-se que tem propriedades medicinais.

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Dia 11 de Dezembro – Desligar o piloto automático

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Desafio

O desafio que propomos hoje tem por objecto trabalhar a atenção plena!

Dizemos que estamos em piloto automático quando conseguimos realizar uma tarefa com tal desenvoltura que nem precisamos pensar para o fazer. O nosso piloto automático pode ser muito útil para nos ajudar a expandir a memória e criar novos hábitos, mas também pode gerar momentos inconvenientes.

.:O lado bom do piloto automático:.

Lembra-se da altura em que começou a aprender a escrever as primeiras letras? Cada letra era um processo lento e exigente, mas à medida que foi praticando tudo se tornou mais rápido e fácil, e hoje consegue escrever quase sem olhar para o papel.
Quando aprendeu a conduzir, provavelmente achou tudo muito complexo. Era necessário prestar atenção a várias coisas ao mesmos tempo e coordenar vários movimentos. À medida que a condução foi melhorando, aprendeu a fazer tudo sem esforço e agora até consegue conduzir e manter uma conversa ao mesmo tempo.
Tudo isto são hábitos em cadeia coordenados pelo seu piloto automático.

.:O lado mau do piloto automático:.

Já lhe aconteceu sair de casa para ir passear e dar por si a caminho do trabalho? Ou ligar o computador para enviar um email e acabar por se distrair e fazer outras coisas, para desligar o computador sem enviar a mensagem pretendida? Estes são os momentos em que o piloto automático está a controlar a nossa vida. Acontece quando estamos stressados, cansados, sobrecarregados.

Exercício: Tire um momento do seu dia para praticar a atenção plena (ou meditação sem sentar o rabo na almofada 🙂 )

Escolha uma tarefa e execute-a com atenção total, sem tirar a atenção do que está a fazer. Alguns exemplos:

  •  Comer: Explore uma refeição do seu dia com todos os sentidos, foque  a sua atenção no processo de comer em vez de no telemóvel, na televisão ou noutra distracção.
  •  Caminhar: Faça uma caminhada com atenção no corpo, especialmente no contacto que os  pés fazem com o chão.
  • Respiração: faça uma pausa e observe a sua respiração, fique aí alguns instantes.
  • Conduzir: Experimente conduzir com o rádio desligado,preste atenção ao sinais de transito, aos barulhos, aos outros condutores.
  • Usar a mão não dominante: Uma boa forma de treinarmos a nossa presença é procurar fazer algumas actividades com a mão não dominante (ex. lavar os dentes, escrever, comer…).
  • Ouça uma música: durante o tempo que a música durar, apenas ouça, aprecie cada nota.