Asteya

Asteya decorre do entendimento de que toda a apropriação indevida é uma expressão de um sentimento de falta. E esse sentimento de falta geralmente vem de uma crença de que a nossa felicidade depende de circunstâncias externas e bens materiais. Nos países industrializados ocidentais a satisfação pode estar condicionada a tantos termos e condições improváveis que não é incomum as pessoas gastarem o seu  tempo à espera de uma vida melhor, e a imaginar que outros (que possuem o que nós não temos) têm essa vida melhor. Nesta constantemente busca de satisfação fora de nós mesmos, somos menos capazes de apreciar a abundância que já existe. Isso é o que realmente importa – a nossa saúde e as riquezas da nossa vida interior e a alegria e amor que somos capazes de dar e receber. Torna-se difícil perceber que temos água quente corrente, quando tudo o que nos permitimos pensar é se as nossas toalhas são coordenados por cores. Como podemos apreciar a nossa boa sorte em ter comida suficiente para comer quando desejamos poder  dar-nos ao luxo de comer fora mais vezes?

A prática de asteya  pede-nos para termos o cuidado de não tomar qualquer coisa que não nos tenha sido dada livremente. Isto pode ser tão subtil quanto perguntar se alguém está livre para falar connosco ao telefone antes de nos lançarmos num discurso inflamado sobre os nossos problemas. Ou reservar as nossas perguntas depois de uma aula para outra altura, em vez de acumular a atenção de um professor muito depois do seu horário de trabalho. Ao tomar de alguém o seu tempo que pode não nos ter sido dado livremente, estamos, na realidade, a roubar. O paradoxo de praticar asteya é que quando nos relacionamos com os outros do ponto de vista da abundância em vez de carência, nós achamos que os outros são mais generosos connosco e que a vida também o é. […]

Não roubar exige  que cultivemos um certo nível de auto-suficiência na nossa vida para que não exijamos mais do que precisamos dos outros, da nossa família, ou da nossa comunidade. Significa que nós não ficamos com mais do que  que precisamos, porque isso significa tirar dos outros. Uma maneira útil de praticar asteya quando nos encontramos  presos aos pensamentos do tipo  “não possuo” é perguntar: “Como que é esta atitude me impede de aproveitar as coisas que eu já tenho?”. Outra maneira de promover essa sensação de abundância é ter todos os dias um momento antes de ir dormir para nos debruçarmos sobre pelo menos uma dádiva na nossa vida. Pode ser a dádiva de ter um parceiro amoroso ou animal de estimação leal, a graça de ter uma boa saúde, ou o prazer de ter um jardim.

In the end, only three things matter-

Tradução livre de um texto da Professora Donna Farhi

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