Ahimsá

Ahimsá é geralmente traduzido como não-violência, mas esse preceito vai muito para além do sentido penal limitado de não matar os outros. Em primeiro lugar, temos de aprender a ser não-violentos para connosco. Se formos capazes de reproduzir as observações e julgamentos muitas vezes rudes, inúteis e destrutivos que fazemos silenciosamente  a nós mesmos num determinado dia, isso pode nos dar uma ideia da enormidade do desafio de auto-aceitação. Se estivéssemos a verbalizar esses pensamentos em voz alta para outra pessoa, iríamos perceber como muitas vezes somos verdadeiramente violentos e  devastadores connosco. Na verdade, poucos de nós se atreveriam a ser tão cruéis com os outros como somos para nós mesmos. Isso pode ser tão subtil quanto a crítica do nosso corpo quando olhamos no espelho de manhã, ou quando nós denegrimos os nossos melhores esforços. Qualquer pensamento, palavra ou acção que nos (ou a outra pessoa) impede de crescer e viver livremente é aquele que é prejudicial.

Estender essa compaixão para com todos os seres vivos depende do nosso reconhecimento da unidade subjacente de todos os seres sencientes. Quando começamos a reconhecer que os córregos e rios da terra não são diferentes do sangue que corre através das nossas artérias, torna-se difícil ficar indiferente ao sofrimento do mundo. Naturalmente damos por nós a querer proteger todas as coisas vivas. Torna-se difícil para nós atirar uma lata num rio ou esculpir os nossos nomes na casca de uma árvore, pois cada acto seria um acto de violência em relação a nós mesmos. Cultivar uma atitude e modo de comportamento não violento não significa que não iremos sentir emoções como raiva, ciúme ou ódio. Aprender a ver tudo através dos olhos da compaixão exige que olhemos para  esses aspectos do nosso eu com aceitação. Paradoxalmente, quando acolhemos os nossos sentimentos de raiva, ciúme ou ódio, em vez de vê-los como sinais do nosso fracasso espiritual, podemos começar a entender as causas destes sentimentos e ir além deles. Ao chegar perto o suficiente  das nossas próprias tendências violentas, podemos começar a entender as suas causas e aprender a conter estas energias para o nosso próprio bem-estar e para a protecção dos outros. Debaixo desses sentimentos descobrimos um desejo muito mais forte que todos nós compartilhamos – ser amados. É impossível chegar a esse entendimento mais profundo se ignorarmos o trabalho duro de enfrentar os nossos demónios interiores.

Ao considerar ahimsá é útil perguntar – irão os meus pensamentos, acções e obras fomentar o crescimento e bem-estar de todos os seres?

Tradução livre de um texto da Professora Donna Farhi

Ahimsá Peace in oneselfPeace in the world

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