O Ego e o SwáSthya Yôga

As modalidades de Yôga que se tornaram mais conhecidas nos últimos séculos eram do tronco medieval (Vêdánta-Brahmácharya). Uma característica dessa linhagem é o esforço para aniquilar o ego. Isso confunde muito os praticantes (e até instrutores) do tronco Pré-Clássico (Sámkhya-Tantra), pois esse conceito está bastante difundido na Índia de hoje e na literatura que proveio de lá. Como estudiosos que são, nossos adeptos travam contato, de alguma maneira, com a bibliografia que prega a aniquilação do ego e mesclam-na inadvertidamente com a proposta do SwáSthya Yôga.

 

Quando alguém nos desagrada, a atitude mais primária é querer livrar-nos da pessoa, ao invés de administrar o relacionamento e torná-lo produtivo. Quando um animal é indomável, a solução primitiva é castrá-lo. Assim fazem os Vêdánta-Brahmácharyas com o ego.

Nossa estirpe, 4.000 anos mais antiga, tem outra opinião. Nós entendemos que o ego é uma ferramenta importante do ente humano. Não queremos acabar com o ego, ao contrário, nosso método de trabalho atua no sentido de reforçar o ego para poder utilizar sua colossal força de realização.

 

Sem ego não há criatividade, combatividade, arte ou beleza. E mais: a maioria dos que declaram que o ego é isto, que o ego é aquilo, são hipócritas porque manifestam muito mais ego que os outros; frustrados por não conseguir eliminá-lo; ou mal intencionados por utilizar esse argumento para manipular seus seguidores.

 

Anular o ego seria como castrar um animal de montaria e depois utilizá-lo, caminhando cabisbaixo, sem libido. Trabalhar o ego equivale a domar e montar um cavalo andaluz “inteiro”, fogoso, orgulhoso, com sua cabeça erguida e suas passadas viris. Você é o Púrusha, sua montaria é o ego. Você prefere montar um pangaré derrotado ou um elegante garanhão?

Castrar o ego seria fácil demais. Domá-lo, isso sim é uma empreitada que requer coragem e muita disciplina. Eliminar o ego corresponde à covardia e fuga perante o perigo. Adestrá-lo denota coragem e disposição para a luta.

 

O SwáSthya Yôga, nome moderno do Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga, quer que você não seja castrado. O SwáSthya reforça sua libido e o seu ego. Em seguida, canaliza essa força resultante para fins construtivos. Ter ego não é o problema. Tê-lo deseducado, selvagem, incivilizado, criador de casos e de conflitos com as outras pessoas, esse é o grande inconveniente. Basta não nos esquecermos de que devemos mandar nele e não o contrário.

 

Portanto, no lugar de envidar esforços para destruir, vamos investir em algo construtivo. Nada de destruir o ego. Vamos cultivá-lo, com disciplina e a noção realista de que precisamos dele para a nossa realização pessoal, profissional e evolutiva.

Já está na hora de sabermos converter energias negativas em positivas, como no quadro abaixo:

 

Positivo
(utilize:)
Negativo
(no lugar de:)
Amor Paixão
Zelo Ciúme
Erotismo Luxúria
Raiva Ódio
Orgulho Vaidade
Ambição Cobiça
Admiração Inveja
Precaução Medo
agressividade Violência
Sinceridade Franqueza
prosperidade Opulência
Diplomacia Hipocrisia
Liberdade Anarquia
Disciplina Repressão
Sugestão Crítica
Colaboração Reclamação

 

Sim, a coluna da esquerda apresenta alguns sentimentos que nossa cultura judaico-cristã considera depreciativamente. Contudo, a raiva constrói. A agressividade educada conduz à vitória. Dessa forma, eliminando o ego, o erotismo, a raiva, o orgulho, a ambição, a agressividade, todos os tratores do sucesso são igualmente eliminados.

 

No SwáSthya não queremos lidar com fracassados. Queremos gente forte, com um ego poderoso, mas educado.

Extraído do livro Origens do Yôga do Educador DeRos

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