Shiva Natarajásana

Shiva Natarajásana é o nome de uma das posições de equilíbrio mais estéticas do nosso acervo de procedimentos orgânicos. É a posição que faz alusão à estátua de Natarája. Apesar de inspirada na estátua, copiar a escultura ao fazer o ásana, pode induzir a alguns erros. Para corrigi-los, devemos ficar atentos a uma série de detalhes.

A posição dos pés deve obedecer a referência da foto acima. O pé que toca o chão deve ficar de lado (ou a 45 graus) em relação ao espectador. Jamais de frente. O pé elevado fica fletido e com os dedos tensionados para cima. Trata-se de uma exceção pois nos demais ásanas esse pé deve ficar estendido.

Os joelhos devem ficam bem afastados um do outro. Para isso, a perna elevada deve ser projetada para fora, com esse joelho bem alto. Em longas permanências, esta perna elevada começa a se cansar e vai caindo aos poucos. Uma boa execução deve ter o joelho da perna base bem flexionado e o outro bem elevado.

Os braços devem ficar sempre voltados para o lado oposto da perna elevada, como que a proteger o flanco. Os punhos se tocam e o abhaya mudrá deve ser executado com firmeza. Tanto o mudrá quanto o ásana devem ser feitos de acordo com o ângulo mais didático para apresentações e fotos. Nos treinamentos de Shiva Natarája nyása, o treinamento de movimentação deste ásana é considerado como a principal execução.

Abhaya mudrá

Abhaya – 1. Ausência de medo; 2. sentimento de segurança.

Coincidentemente ou não, apesar da ordenação alfabética, o primeiro selo é também um dos mais importantes para o nosso estudo. O abhaya mudrá é o gesto mostrado por Shiva em seu aspecto Natarája. Existem muitas associações, técnicas e histórias a serem contadas por conta disso.

Com as duas mãos bem espalmadas e mantendo os polegares colados às mãos, una os punhos com a palma da mão de cima e a as costas da mão de baixo voltadas para frente. Os dedos das mãos de baixo devem estar apontados para o chão, alongando bem o punho. Ao executá-lo, não centralize as mãos com o corpo. O gesto fica ligeiramente deslocado para o lado da mão de cima e você pode alternar a posição das mãos para encontrar a posição que lhe confira o melhor encaixe.

Sua reflexologia está associada ao ato de dissipar o medo, como o próprio nome do mudrá indica. Dessa forma, é um gesto muito ligado ao sentimento de proteção. Também pode representar o início de algo, o começo da prática de Yôga.

Sua execução pode ser feita com movimento. Nesse caso, a mão deixada por baixo deve descrever movimentos laterais, deslizando-se de um lado para o outro, da esquerda para direita e da direita para esquerda, retornando ao encaixe do gesto. A mão de cima faz um movimento da frente para trás e de trás para frente. A mão de baixo ganha o significa do de estar como que a remover obstáculos diante do yôgin e a mão de cima expõe o simbolismo de afastar o medo.

Sequência de imagens mostrando o movimento das mãos.

Note que todas as vezes em que as mãos se afastam uma da outra, existe uma expansão da caixa torácica. Associe a ela então o ato de inspirar. Como existe também uma pequena contração da mesma área quando as mãos se aproximam, aproveite para expirar. Combinando essa sutil movimentação das mãos com o movimento respiratório, podemos facilmente sentir no tato das mãos a criação de um campo magnético, desencadeado pela vivência deste gesto.

Do Blog Gesto Ancestral do Instrutor Vernon Maraschin

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