Alta performance: para lá do factor tempo

Por vezes passam por nós pérolas e há algum tempo chegou até a mim um vídeo que eu classifico nessa categoria. Trata-se de uma palestra dada por Tony Schwartz aos colaboradores do Google sobre produtividade e alta-performance.
Ele apresenta conceitos inovadores sob a forma como podemos produzir mais em menos tempo e, acima de tudo, despertar o nosso maior potencial e mantê-lo de forma sustentável.

Falta-te tempo? 

A nossa capacidade de produzir decresce com a idade mas as responsabilidades aumentam. Resultado: há um ponto a partir do qual não temos capacidade de responder a todas as solicitações que se amontoam. Isso gera stress.
Com o aumento de solicitações, tendemos a aplicar mais tempo para lhe responder até ao limite de esgotarmos as 24h! O recurso tempo é limitado. Depois desse limite não o conseguimos expandir mais.
Por isso, o que precisamos é de fazer mais coisas em menos tempo e usar um recurso diferente: a energia. Ao contrário do tempo, a energia está dentro de nós e pode ser expandida e renovada.
O que é a energia?
A energia é a capacidade de produzir. Mais energia = maior capacidade.

Tipos de Energia

Se a chave da solução é aumentarmos a nossa energia, é importante compreendermos como funciona a energia no ser humano.

As máquinas movem-me maioritariamente através de um único tipo de energia: gasolina para os carros, electricidade para os electrodomésticos, etc. Já no ser humano a energia é multidimensional: necessitamos de 4 fontes diferentes de energia para conseguir produzir. Todas elas são necessárias, nenhuma é suficiente por si só e influenciam-se profundamente umas às outras.

1) Físico: Quantidade de Energia

A nossa energia física depende ela própria de quatro dimensões:
* Nutrição
* Fitness
* Sono: duração e profundidade
* Renovação

Precisamos a qualidade deste quatro elementos para conseguir um nível elevado de energia física.

2) Emocional: Qualidade da Energia

O emocional é o como nos sentimos, porque isso afecta a forma como trabalhamos, lideramos e interagimos com os outros. Existe um conjunto específico de emoções associado ao alto desempenho.

3) Mental: Focus da Energia

Nós somos mais efectivos quando fazemos uma coisa de cada vez. À medida que nos focamos, ficamos absorvidos na tarefa e é aí que conseguimos produzir melhor. Se interrompemos frequentemente a nossa atenção, perdemos a capacidade de ficar absorvido e a produtividade cai significativamente.

4) Espírito: o Propósito da Energia

Esta dimensão da energia está relacionada com o sentido de propósito e com o alinhamento entre aquilo que nós dizemos que é importante na nossa vida e a forma como vivemos. Quanto maior esse alinhamento, mais poderosa é a fonte de energia que está disponível para nós. O propósito é o “porquê” enquanto as outras dimensões são os “como”.

Os 4 Quadrantes da Energia

Nós experimentamos quatro diferentes estados de energia, mas apenas um deles está associado a performance.

A matriz abaixo sintetiza esses quatro estados. O eixo vertical representa a quantidade de energia que temos num dado momento e o eixo horizontal a qualidade dessa mesma energia.

Zona de Alto Desempenho: este é o quadrante onde damos o nosso melhor, onde sentimos que fazemos a diferença, nos sentimos realizados. Um nível elevado de energia associado a emoções positivas.

Zona de Sobrevivência: existem momentos na nossa vida em que faz sentido estar nesta zona, sempre que há uma ameaça ou que a nossa vida esteja em risco. No entanto, basta nós sentirmo-nos ameaçados, mesmo na ausência de um verdadeiro risco, para o corpo desenvolver a mesma resposta biológica. Isso acontece em situações de pressão no local de trabalho: não existe nenhum risco imediato à nossa vida, mas existe a percepção de risco.

O nosso desempenho é pior na zona de sobrevivência. O sangue concentra-se nas extremidades do corpo (para agir perante a ameaça), deixando de irrigar o cérebro e, por isso, neste quadrante não conseguimos pensar de forma clara nem ser imaginativos. Os efeitos para a saúde são também prejudiciais, pois a adrenalina e o cortisol injectados no sangue transformam-se em venenos se estivermos sob o seu efeito por períodos prolongados de tempo. Finalmente, a energia é muito contagiosa, pelo que a nossa energia negativa tem efeito sob as outras pessoas, de forma ainda mais acentuada se estivermos numa posição de liderança

Zona de Esgotamento: quando permanecemos muito tempo na zona de sobrevivência, entramos em esgotamento. Esta é a pior zona para trabalhar.

Zona de Recuperação: socialmente não é bem aceite o conceito de descansar, ou recuperar energias, porque o associamos a preguiça ou falta de produtividade. Por esse motico, esta zona não é respeitada. Basta pensarmos na pouca importância que damos ao sono ou às férias.

Mudança de Paradigma

Schwartz propõe um novo paradigma na forma como pensamos em desempenho e, para isso, temos de criar um novo entendimento sobre a importância dos momentos de renovação da nossa energia.

Usualmente nós oscilamos entre a zona de desempenho e a zona de sobrevivência, esperando nunca cair na zona de esgotamento!

A situação mais eficiente e que proporciona maior produtividade é circular entre a zona de desempenho e a zona de recuperação.

Um conceito que Schwartz sublinha várias vezes ao longo da palestra é a diferença entre uma máquina e o corpo humano. Ao contrário de uma máquina, o nosso corpo foi desenhado para se mover ritmicamente entre o gasto e a recuperação de energia. Nós precisamos de recuperar energia ciclicamente se queremos manter a nossa energia sempre no nível máximo.

Princípio: para manter o alto desempenho devemos equilibrar o gasto de energia com a renovação intermitente dessa energia.

Uma metáfora interessante é a fórmula 1. Quem ganha a corrida? O condutor que corre mais rápido durante todo o tempo da competição? Não. Ganha, o condutor que corre mais rápido enquanto está a correr e recupera de forma mais eficiente quando não está a correr (pit stop time).

Quanto maior for a exigência na nossa vida, maior a necessidade de renovação. No entanto, não é a quantidade mas sim a qualidade da renovação que interessa. No caso da Fórmula 1, 15 segundos são suficientes para a recuperação e o condutor regressa à corrida.

Nós somos seres oscilatórios num universo oscilatório. Cada sistema no nosso corpo pulsa, mas apesar disso, nós tentamos viver uma vida linear! Nós devemos criar um alinhamento com os nossos ritmos, não com o ritmo do computador que usamos.

Entre cada 90 – 120 minutos o corpo pede um intervalo, um descanso. Usualmente nós sabotamos esse mecanismo biológico através de estimulantes: café, mais café, coca-cola, adrenalina, cortisol…!

Outra metáfora interessante é ver a nossa vida como um conjunto de muitos sprints e não como uma interminável maratona.

Como mudar

É possível que achemos esta informação interessante mas, apesar disso, a probabilidade de passarmos automaticamente a agir de acordo com ela é muito baixa. Racionalmente os conceitos fizeram sentido, mas pensar não é uma boa forma de mudar!

Precisamos de actuar no sistema nervoso, na parte fisiológica que faz as coisas automaticamente, se queremos introduzir uma mudança real. Para isso, precisamos de nos treinar através da repetição.

Princípio: ritualizar a mudança, isto é, criar comportamentos muito específicos que se tornam automáticos com o passar do tempo.

Por exemplo, não basta dizer, vou fazer 3h de exercício por semana. Temos de ser específicos e realistas e definir, por exemplo, que segundas, quartas e sextas, das 8h30 às 9h00 vou correr 5km no parque junto de minha casa. Definir e executar repetidamente até se tornar um hábito que se perpetua automaticamente sem pensarmos sobre ele.

Se achaste este post interessante penso que ainda vais gostar mais da palestra. Eu procurei resumir o conteúdo, mas nada substitui ouvir o próprio Tony Schwartz. São 61 minutos de informação condensada!

Texto da Instrutora Cristina Coutinho

A tua prática de SwáSthya Yôga é a tua zona de recuperação!

Por isso, é importante manter a regularidade na prática, praticar sempre com o teu Instrutor e valorizar os colegas de aula, afinal evoluímos muito mais em grupo do que sozinhos!

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