Shiva, criador do Yôga

Shiva Pashupáti

Pashupáti é a forma primitiva de Shiva, levando a nossa imaginação ao período dravídico, anterior ao hinduísmo. Pashupáti, o Senhor das Feras, é a primeira manifestação de Shiva de que temos conhecimento. A sua reprodução mais antiga, de 2500 a.C., foi encontrada nas ruínas de Mohenjo-Daro, no Vale do Indo.

Interpretando a imagem, diz Van Lysebeth: ” Shiva, princípio criativo masculino, é um dos símbolos mais poderosos e mais antigos (…).” (Tantra , o culto da Feminilidade, Editora Summus). E como conclui Stuart Piggott: ” Não existe dúvida de que temos aqui o prótotipo de Shiva na função de senhor dos animais selvagens e príncipe dos yôgis.” (Preshistoric India, Penguin Books).

Provavelmente, durante a formação do hinduísmo (a partir de 1500 a.C.) surgiram duas novas designações de Shiva que se tornaram conhecidas mundialmente: Shiva Shankara e Shiva Natarája.

shivap

Shiva Shankara

Shankara, apresenta-se em padmásana, sentado sobre a pele de um tigre. Possui um colar de rudrákshas e uma serpente enrolada nos seu braços. Da sua cabeça, nasce o Gangá (o rio Ganges, representado por um esguicho de água). Porta o trishúla, o damaru, o ardha-chandra e o linga. Ao fundo, observamos a cordilheira dos Himalayas, bem como vários outros símbolos minuciosamente descritos pelo folclore hindu.

A figura em si representa o yôgi asceta, um jíva mukta, um liberado em vida, isolado nas mais altas montanhas do planeta. Ao meditar em Shiva Shankara, transcende-se a dualidade da Natureza, ultrapassam-se os limites do prazer e da dor, do bem e do mal, da vida e da morte, do tempo e do espaço.

Shivasha

Shiva Natarája

Natarája significa rei dos bailarinos. Ele figura no centro de um círculo de fogo, pisando o “demónio” da ignorância. Numa das suas mãos, há um pequeno tambor, o damaru, com o qual marca o ritmo do Universo. Os seus vários braços sugerem movimento.

Natarája é a manifestação de Shiva envolvido na trama do mundo, integrado à existência dos outros seres. É o oposto de Shiva Shankara, isolado nos Himalayas em ascetismo. Natarája representa aquele que vive, trabalha, luta e actua na sociedade e, ao mesmo tempo, acha-se plenamente consciente da efemeridade nela contida. O yôgin que medita na forma Natarája  não precisa retirar-se do mundo para conquistar a meta do Yôga.

Ao identificar-se com ele, o praticante de SwáSthya realiza obras de arte com o corpo, tornando-se numa escultura viva em movimento, sintetizada em belas coreografias. Como um elegante dançarino de perfeitos movimentos, Natarája convive magistralmente integrado consigo mesmo, com os outros seres e com o Universo.

Da mesma maneira que Pashupáti e Shankara, existem diferentes interpretações para Shiva no seu aspecto Natarája. Através dos tempos, encontramos na mitologia hindu inúmeras lendas e contos para cada uma dessas imagens, bem como para os símbolos que as acompanham. Embora os estudo dos mitos possa conter um fundo de verdade e satisfazer a nossa curiosidade intelectual, para aquele que pratica o Yôga Antigo, é indispensável meditar sobre o objecto com o qual se identifica, pois a teoria que tudo explica, só faz confundir o real entendimento e desacelera a autêntica evolução.

Shivan

Adaptado do livro A força da Gratidão, Sérgio Santos.

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