O hábito faz o homem

Nos últimos anos tenho refletido bastante sobre a relação entre qualidade de vida e percepção do tempo. Minha busca por harmonizar estes dois vetores primordiais para uma vida com qualidade , desembocaram em muito estudo, pesquisa e finalmente um livro denominado: O Método DeRose e a Gestão do Tempo cujo trecho compartilho aqui e que fala sobre condicionamentos.

katikásana

 Por que somos condicionados

Na natureza, todo condicionamento tem o intuito de manter o bom funcionamento biológico de cada indivíduo e de toda uma espécie, garantindo-lhe sobrevivência e reprodução.

Recebemos, no nascimento, um kit de condicionamentos genéticos inatos, que permitem a continuidade da vida para a maioria de bebês humanos. Depois, pais, irmãos, amigos e preceptores continuam os nossos processos para o condicionamento, denominado de educação.

A função dos condicionamentos é preditiva: serve para antecipar a resposta de prazer ou alertar sobre plausíveis perigos, ou seja, de garantir que continuemos vivos.

Eles serão sempre moldados pelo local, tempo e grupo cultural. Tem, entre outros empregos, garantir o ajustamento do indivíduo ao meio social, de forma que este lhe garanta segurança e proteção.

Um condicionamento novo é neurologicamente, um reflexo condicionado temporário e que, se considerado importante, será reproduzido tantas vezes quanto acharmos necessário, consciente ou inconscientemente. Tornar-se-á então um reflexo condicionado duradouro. A partir daí, poderemos voltar-nos para outros aprendizados, pois este já está inserido, transformando-se num hábito.

O hábito

Os hábitos, bons ou ruins, preenchem uma série inumerável de necessidades humanas, físicas e psíquicas, reais ou imaginárias, que integram a existência. Automatizados, regem o nosso cotidiano e deixam a vida mais fácil, possibilitando que possamos fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, como por exemplo, dirigir, ouvir rádio e ainda conversar.

A desvantagem do hábito é que uma vez assimilado, treinado, ele molda o nosso comportamento, ou seja, fazemos, pensamos, sentimos e cremos sempre do mesmo jeito. E resistimos conscientes, mas principal-mente inconscientemente, às mudanças.

A administração do tempo inclui o aprendizado de novos condicionamentos, alterando hábitos arraigados, que resistirão bravamente a serem substituídos por outros, mais inteligentes.

O círculo vicioso do hábito

Imaginemos uma situação na qual queremos emagrecer. E resolvemos que a melhor forma é a adoção de uma dieta alimentar de baixo consumo calórico combinada com atividade física moderada. Esta associação normalmente funciona muito bem para quem deseja perder peso. Consultamos um nutricionista e um fisiatra, que nos orientam sobre a adoção de novos hábitos alimentares e de exercitação física.

Como primatas inquietos e curiosos que somos, adoramos novidades. Por isso, os primeiros dias de dieta correm maravilhosamente bem. Sentimo-nos felizes e orgulhosos de nossa determinação, disciplina e os resultados já podem ser notados.

Porém, alguns dias depois, alguns velhos hábitos estabelecidos, sentindo-se ameaçados, encetam a manifestar-se. Para isso, utilizam-se de um artifí-cio sutil, discreto, mas poderoso: a exceção.

É quando condescendemos, e comemos uma pequena guloseima. Aliás, duas guloseimas, pois elas são umas delícias e são tão pequenas.

– Com certeza, não influenciarão na dieta. – nos enganamos. E depois, está muito calor e os amigos convidaram-me para um happy hour. – Segunda-feira eu volto a caminhar e fazer a dieta.

E assim, os antigos hábitos voltam a dominar a cena comportamental. Consciente, e mais ainda inconscientemente, todas as vezes que desistimos de uma resolução, como da adotação de novos hábitos que consideramos mais inteligentes, o resultado é uma grande frustração e, conseqüentemente, a redução da auto-estima.

Isto gera um círculo vicioso comportamental que reforça a estagnação, a resistência à mudança e a conservação dos hábitos arraigados.

Cultivar atos de poder

Como vimos, condicionar é sujeitar a vontade a um determinismo; sugestionar, convencer, persuadir (Dicion. Houaiss). A vida humana em grupo, embora seja uma vantagem evolutiva, submete, sistematicamente, a vontade às regras e normas. Esta dominação decisivamente diminui as chances do macaco-humano manter-se conectado com sua individualidade, minando nele o impulso criativo, a coragem mamífera inata, a curiosidade congênita e as suas habilidades comunicativas.

Portanto, não devemos nos surpreender ao nos depararmos com uma espécie com tanta baixa auto-estima como a nossa. De forma subliminar, é identificado na cultura humana um mecanismo inibidor para sabotar a superação dos limites.

O motivo é que esta sobrepujança aos condicionamentos representa potência e transcendência às regras e normas, sendo o indivíduo livre visto como uma possível ameaça à estabilidade individual e tribal dos membros de um determinado grupo social.

Aprender a mudar hábitos produz disciplina e resgata a vontade, conduzindo-nos a um novo degrau de comando sobre os condicionamentos, substituindo-os por novos, mais inteligentes, construindo uma espiral de gratificação, auto-estima e evolução comportamental. Gera potência.

O segredo é iniciar com mudanças de hábitos aparentemente insignifican-tes, como não deixar mais a cueca no chão, a calcinha pendurada na torneira do chuveiro ou sempre usar o cinto de segurança ao subir no carro.

Mas a diferença é que, uma vez que tenhamos assumido o compromisso de realizar esta pequena mudança comportamental, jamais reproduziremos o hábito antigo.

Algumas semanas depois, com as novas atitudes sedimentadas, substi-tuiremos alguns outros poucos comportamentos condicionados sem importância. E não repetiremos a antiga maneira de fazer aquelas coisas. Chamamos a esta nova maneira de realizar nossas tarefas de Atos de Poder.

Os efeitos dos atos de poder

Adotando progressivamente novos hábitos, em pouco tempo se descobrirá que o segredo de mudar um costume está em discipliná-lo. A disciplina produzirá eficácia para fazer qualquer mudança e quebrar condicionamentos repressivos, inibidores da criatividade e coragem, ampliando o espectro de oportunidades e escolhas evolutivas e inteligentes.

Um dos efeitos mais visíveis quando passamos a cultivar atos de poder, é o desabrochar da consciência de valor.

Valor é a plena consciência de nossas habilidades e talentos. Também é definido como a qualidade humana de natureza física, intelectual ou moral, que desperta admiração ou respeito; condição excepcional; talento, habilidade, maestria.

Adquirir esta consciência é conquistar conhecimento do que somos, e não apenas do que temos. Quanto mais nos conhecermos, mais valor outorgamos a cada momento da nossa vida. Tudo se torna uma experiência única de autoconhecimento, auto-superação, acordando todos os dias para novas habilidades até então desconhecidas dentro de nós.

O desdobramento desta percepção é uma elevada auto-estima e o início efetivo da gestão do tempo.

A gestão do tempo, por sua vez, desembocará na conquista de um bem muito precioso: o Banco de Tempo.

Você já percebeu que a grande maioria das pessoas alega que não cuida do corpo por absoluta falta de tempo? Pois com a administração do tempo criamos um espaço na nossa agenda de compromissos e tarefas para prestar atenção no nosso organismo, conquistando a tão almejada, falada e pouco cultivada qualidade de vida.

Desta forma, criamos um círculo virtuoso dos atos de poder, numa espiral ascendente de evolução, saúde, controle de stress, elevada auto-estima, percepção de valor e autoconhecimento.

Prof. Jóris Marengo, Presidente da Federação Método DeRose de Santa Catarina

Retirado de: Blog do Jojó

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