Duas pessoas…

– Sabem quantas pessoas tem havido desde o princípio do mundo até hoje?
– Duas. Desde o princípio do mundo até hoje não houve mais do que duas pessoas: uma
chama-se humanidade e a outra, o indivíduo. Uma é toda a gente e a outra, uma pessoa só.

Um dia perguntaram a Demócrito como tinha chegado a saber tantas coisas.
Respondeu: Perguntei tudo a toda a gente.

Bastantes séculos mais tarde, Goethe confessou por sua própria boca que “se lhe
tirassem tudo quanto pertencia aos outros, ficava com muito pouco ou nada”.

Por aqui se vê que cada um é o resultado de toda a gente; o que de maneira nenhuma quererá dizer que seja o bastante ter cada qual conhecido toda a gente para que resulte imediatamente um Demócrito ou um Goethe! Precisamente o difícil não é chegar aos Grandes, mas a si próprio!… Se o próprio é uma arte onde existe toda a gente e em que raros assinaram a obra-prima. O que está fora de dúvida é que cada um deve ser como toda a gente, mas de maneira que a humanidade tenha efectivamente um belo representante em cada um de Nós.

Almada Negreiros (1893-1970), Obra CompletaIvy-Gustavo.janurasana copy

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