Unindo trabalho e vida particular num só rumo

A relação do trabalho com a vida particular é curiosa. A maioria das pessoas trabalha, tem sua vida pessoal, seus momentos de lazer, tudo isso de forma separada, isolando um momento do outro.

– Agora estou trabalhando.

– Agora vou para casa.

– Agora estou me divertindo.

– Agora vou meditar.

– Agora vou transar.

Um modelo de vida que reúna tudo isso, ao mesmo tempo, no mesmo lugar, com as mesmas pessoas, é o ideal?

É possível manter uma disciplina, um estilo, uma filosofia de vida, um trabalho, que seja doação, realização, prosperidade, felicidade, diversão, tesão, educação, transformação e evolução em um só tempo, em um só espaço?

É possível. Mas para isso temos duas barreiras imensas.

O paradigma… E o medo.

O paradigma é o modelo vigente, é o que todo o mundo faz e é como sempre foi feito. É “estude, tire boas notas, consiga um emprego seguro, garanta uma boa aposentadoria, case-se, tenha filhos, compre sua casa própria financiada, uma casa na praia, se possível, um carro novo, e passe suas noites e fins de semana bebendo e assistindo à televisão.”

Nesse paradigma, é quase inconcebível unir trabalho e prazer. No final do expediente você vai para casa, ver a novela das oito, e se um colega ou o chefe ligar para falar de trabalho, você diz “agora não, estou de folga”.

O medo, por sua vez, decorre do paradigma. “Se todo o mundo faz assim, eu não vou ser diferente”. “É muito arriscado, não é seguro”. O medo em si não é um problema. O medo é o que nos mantêm vivos e faz com que não ultrapassemos nossos limites, não nos joguemos na frente de um carro em alta velocidade para ouvir o barulho da freada. O problema é o excesso de medo, é o medo prévio, o medo como trava à evolução pessoal, profissional, afetiva… enfim, humana.

Chegamos mesmo ao cúmulo de ter medo de sentir medo!

Todos esses medos impedem que pequenas mudanças sejam implementadas em nossas vidas, e o somatório dessas pequenas mudanças poderia transformar a nossa existência, passando de um estado de miséria existencial para outro de graça biológica.

Pequenas mudanças comportamentais diárias produzem um efeito acumulativo muitas vezes imperceptível para quem connosco convive, e geram uma espiral ascendente de evolução e autoconhecimento.

E essas mudanças são possíveis!!! Para cada mudança desejada podemos aplicar determinadas técnicas biológicas que produzem metamorfoses internas muito profundas. Podemos afetar nosso sistema emocional com uma simples respiração profunda. Podemos interceder em nossa estrutura fisiológica realizando certos movimentos e permanecendo neles algum tempo. Podemos ampliar a percepção interna e externa mantendo o foco da atenção em um único pensamento.

Não é incrível que tenhamos guardados em nós mesmos um tesouro que pode mudar nossa própria existência, sem depender de nada nem ninguém? Esse tesouro consiste em uma filosofia antiquíssima extremamente completa que pode transformar o mundo.

E a partir disso, nosso cotidiano se transforma, de dentro para fora, e o trabalho se torna um prazer, uma ferramenta evolutiva para transformarmos nossa consciência e o universo que nos rodeia.

Enfim, conseguimos unir trabalho, satisfação, realização, alegria, contribuição social, relacionamento afetivo.

Engraçado, se não me engano unir, em sânscrito se diz como mesmo?

Ah, lembrei, uma palavrinha: Yôga.

Texto do Instrutor Rodrigo DeBona

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