Ásana, tensão muscular e energia viva

Ao praticarmos ásana, os procedimentos orgânicos do Yôga, este nos desvela o quadro completo dos nossos limites musculares e articulares.

Muitos de nós, principalmente quando iniciantes, nos assustamos com as limitações reveladas.

Daí a importância de refletirmos um pouco sobre as tensões, suas origens, desenvolvimento e reeducação.

O fenómeno da tensão muscular

Os músculos têm uma grande capacidade contrátil. Todo e qualquer estímulo captado pelos sentidos (visão, audição, tato, olfato e gustação) sempre produzem uma reação contrátil na musculatura. Quando interpretamos este sinal como uma ameaça à nossa integridade, seja ela imaginária ou real, nossa rede muscular se retrai, construindo um escudo defensivo com o intuito de diminuir o impacto da intimidação sobre as áreas vitais.

Uma vez que a ameaça deixe de existir, os músculos retornam ao seu ponto de repouso, contração parcial ou tônus muscular que é a situação ideal em que o músculo permanece para iniciar uma contração imediatamente depois de receber um sinal dos centros nervosos. Em uma condição de relaxamento completo (sem tônus), o músculo levaria muito tempo para reagir ao estímulo, colocando em risco a vida.

Porém, quando um determinado ameaço se repete por um longo tempo (meses ou anos), como medida preventiva e defensiva, o tônus muscular aumenta, deformando-se, deixando os feixes e fibras retraídos, endurecidos e os músculos perdem a capacidade de retornar ao nível de repouso ou contração parcial.

Desta forma, deterioramos nossa flexibilidade, o suprimento sangüíneo para os músculos, os reflexos, a percepção sensorial, aumentando o acúmulo de produtos tóxicos nas células e predispondo a rede muscular à fadiga e a dor.

A origem das ameaças

A enorme maioria das tensões musculares crônicas tem sua origem no medo, emoção básica, instintiva e vital na evolução dos mamíferos. É um sentimento que tem como função fazer uma leitura do ambiente em que o ser vivo encontra-se, buscando identificar ameaças reais ou imaginárias.

No Homem, esta emoção é cultivada e treinada através da educação, sistema desenvolvido pelo Homo Sappiens para condicionar e aprimorar seus filhotes as regras e normas.

Existem pessoas que se sentem permanentemente acuadas, em oposição a outras que expressam confiança e coragem. Muitos fatores influenciam neste comportamento: época, local, valores familiares, etnia etc. além de aspectos genéticos.

O importante é que estes aspectos moldam a maneira como cada um de nós interpreta os eventos do cotidiano. Se os vemos como ameaças, estaremos mais contraídos. Se os entendemos apenas como parte do nosso treinamento pelo aprimoramento contínuo, nos sentiremos mais descontraídos.

Ao fim e ao cabo, o que vale não é a realidade, mas como cada um de nós a entende.

O custo energético das tensões musculares

Músculos com hipertonia (contração muscular) exigem uma demanda continuada de energia para manterem-se retraídos. Nada mais é do que energia mal canalizada. Ela permanece contida, estagnada e direcionada para a manutenção de um escudo ou couraça muscular, com o objetivo de defender-nos. O mais trágico é que 90% das ameaças existem apenas no nosso imaginário, sem encontrar ressonância na realidade objetiva.

Como nossa energia é finita, nos sentimos continuamente fatigados e com uma sensação perene de impotência física, emocional e mental.

Acumulamos anos de vida com o foco voltado exclusivamente para o trabalho, a necessidade de reconhecimento, segurança e conforto. São décadas de um life-style com tendência para a ansiedade, a dispersão e a falta de comunicação intra-corporal.  Como conseqüência deste modelo, nossos músculos intercostais, extensores da coluna vertebral, os músculos anteriores e posteriores das coxas, da nuca, costas, faces, braços e outros, sem distinção, sentem uma falta crônica de repouso, de uma tonicidade saudável, descontraída e confortável. Este quadro afeta a respiração, a flexibilidade, a concentração, o sono, o humor, conduzindo-nos para uma vida de baixa qualidade, sem percepção de valor e prioridade.

O ásana e o conceito de energia viva

Mas apesar deste quadro desanimador, padronizado e consumido pela maioria da população, existe luz no fim do túnel: o ásana, procedimento orgânico e parte integrante dos componentes técnicos do nosso Método.

Também é definido como técnica psicofísica, pelo aporte mental incluído na performance dos mais de 2000 ásanas sistematizados pelo Sistema de reeducação integral. O desempenho físico é apenas a porta de entrada da efetivação do exercício. Uma vez que o corpo ajuste-se a posição, inicia-se a verdadeira prática, através da aplicação da localização da consciência, respiração coordenada e mentalizações.

Alem de todas estas, uma das características mais marcantes do ásana é a permanência, em oposição ao modelo ocidental de fazer-se movimentos corporais com repetição.

Quando o praticante permanece no ásana, este atua profundamente sobre os fusos musculares, receptores dentro da célula muscular, responsável pelo tônus e proteção contra riscos de distensão. A permanência, aliada à atenção localizada, respiração coordenada e mentalizações, possibilitam ao ásana comunicar-se com o fuso muscular, o estimulando a diminuir seu controle defensivo sobre os músculos. Assim, feixes e fibras musculares diminuem os níveis de contratura, alongando-se.

Quando as fibras estendem-se, todo o volume de energia aglutinado para manter a retração muscular por anos a fio, é progressivamente liberado, transformando-se em energia viva. Portanto, quanto maior for a assiduidade às práticas, mais rápida e maior é o montante de energia liberada.

Quando combinamos tempo e freqüência no treinamento dos ásanas, associados aos demais feixes de técnicas da aula característica do Método, o resultado é um indivíduo convivendo com um coeficiente de força e energia para muito além da normalidade.

Para encerrar, deixemos para o leitor imaginar sobre que áreas deseja aplicar este poder extra, natural, oriundo da liberação de forças físicas e psíquicas e as conseqüências positivas desta canalização.

Extraído de blogdojojo.com/

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